quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Escalada

"(...) Quando minha mãe fica calada assim é porque vai explodir comigo a qualquer momento. Ano passado ela deu duas explodidas das quais nunca mais me esqueço, juro, tive vontade de sumir do mundo. Sabe que eu fazia? Andava [quilômetros] até o Parque (...) a pé e ia lá sentar num banco do parque e chorar. (...) andava loucamente para não ficar em casa. O que eu adquiri? Um problema no joelho esquerdo. (...) Perdi dois concursos importantes, poderia estar empregada, mas talvez não ter conseguido queira dizer algo. Não posso pensar que sou azarada, alguma razão deve ter. Afinal, como dizia William Shekespeare: 'Há mais mistérios entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia'. Vou ficando por aqui, escrevi um jornal, não um e-mail. Um abraço a todos, M..."


Oi, M...!

Li cada linha do seu "jornal" e consegui ter uma vaga ideia de suas dificuldades.

Tenho pouco a dizer, fora o que já repito sempre, daqui do conforto da plateia.

Como você já percebeu, pelas mensagens que eu encaminho, sou avesso a radicalismos. Mas acho que nós, que afirmamos crer em Deus, devemos ser radicais numa certeza: Ele não dorme!

Um Deus imperfeito, injusto, distraído ou descuidado, que nos perdesse de vista, não poderia ser nosso Criador, nem mereceria nossa fé.

Se creio no Deus que me criou e, por isso mesmo, conhece minhas necessidades bem melhor do que eu, logo me vejo "obrigado" a crer que este Deus apenas coloca em meu caminho os desafios que eu preciso enfrentar, embora neste momento eu não consiga compreender os motivos.

Quando éramos crianças e só queríamos brincar, tínhamos de enfrentar uma série de coisas que nos aborreciam, como tomar banho, vacinas, ir ao dentista, estudar e, às vezes, até levar umas "boas" palmadas (no meu caso, pelo menos). Só mais tarde, já adultos, é que, olhando pra trás, conseguimos entender a importância de tudo aquilo em nossa vida e até agradecemos a nossos pais por ter criado estas "dificuldades".

Acredito que algo assim acontece conosco, enquanto criaturas de Deus. Temos uma série de necessidades que ainda não identificamos e, por conta desta nossa limitação, precisamos confiar na sabedoria de nosso Criador para enfrentar, sem revolta, as dificuldades que surgem em nosso caminho, com a certeza de que são causadoras de transformações que não podemos avaliar neste momento.

Esta "fé radical" foi muito importante para enfrentarmos o rastro de destruição deixado pela enchente de junho do ano passado. Ser despejado e impedido de entrar em casa por um mar de lama foi muito chocante, mas espiritualmente enriquecedor. Nossa fé passou de flor de lapela a um sentimento vivo em nosso coração.

Por isso, se tivesse o direito de dizer algo a alguém que enfrenta uma dificuldade maior que a minha, eu diria: quando estiver chorando, agradeça a Deus pelas lições cuja finalidade você ainda não pode avaliar. Peça a Deus que lhe dê coragem para mudar o que pode ser mudado, resignação para atravessar o que precisa ser enfrentado e sabedoria para distinguir uma situação da outra.

Quem conhece a Deus melhor que nós, garante: "qual dentre vós é o homem que, se seu filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir peixe, lhe dará uma serpente? Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhas pedirem?" Jesus (Mateus 7:9-11)

Forte abraço de seus amigos,
 
Lúcio, Suzana e Ramon.
Palmares-PE

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