quarta-feira, 4 de maio de 2016

ARTIGO

Novo CPC altera forma de cobrança de cotas condominiais

Com a entrada em vigor do novo CPC, um dos maiores avanços, no ramo do Direito Imobiliário, foi a mudança na forma de cobrança judicial de contribuições condominiais, o que afastará a necessidade de o condomínio passar pelo moroso e desgastante processo de conhecimento para que receba seu crédito, bastando propor ação de execução de título executivo extrajudicial.

http://draflaviaortega.jusbrasil.com.br/noticias/332506127/novo-cpc-altera-forma-de-cobranca-de-cotas-condominiais

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Mas vós, quem sois?

 

E Deus pelas mãos de Paulo fazia milagres extraordinários, de sorte que lenços e aventais eram levados do seu corpo aos enfermos, e as doenças os deixavam e saíam deles os espíritos malignos.

 

Ora, também alguns dos exorcistas judeus, ambulantes, tentavam invocar o nome de Jesus sobre os que tinham espíritos malignos, dizendo: Esconjuro-vos por Jesus a quem Paulo prega.

 

E os que faziam isto eram sete filhos de Ceva, judeu, um dos principais sacerdotes.

 

Respondendo, porém, o espírito maligno, disse: A Jesus conheço, e sei quem é Paulo; mas vós, quem sois?

 

Então o homem, no qual estava o espírito maligno, saltando sobre eles, apoderou-se de dois e prevaleceu contra eles, de modo que, nus e feridos, fugiram daquela casa.

 

Atos dos Apóstolos, Capítulo 19

 

 

Pode acontecer que a fascinação exercida pelo mau Espírito seja de tal ordem que o subjugado não a perceba? Sendo assim, poderá uma terceira pessoa fazer que cesse a sujeição da outra? E, nesse caso, qual deve ser a condição dessa terceira pessoa?

 

"Sendo ela um homem de bem, a sua vontade poderá ter eficácia, desde que apele para o concurso dos bons Espíritos, porque, quanto mais digna for a pessoa, tanto maior poder terá sobre os Espíritos imperfeitos, para afastá-los, e sobre os bons, para os atrair. Todavia, nada poderá, se o que estiver subjugado não lhe prestar o seu concurso. Há pessoas a quem agrada uma dependência que lhes lisonjeia os gostos e os desejos. Qualquer, porém, que seja o caso, aquele que não tiver puro o coração nenhuma influência exercerá. Os bons Espíritos não lhe atendem ao chamado e os maus não o temem."

 

O Livro dos Espíritos

Questão 476

Paris, 1857

domingo, 3 de abril de 2016

O Argueiro e a Trave


"Misericórdia quero, e não sacrifícios."

"Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgais, sereis julgados; e com a medida com que medis vos medirão a vós. E por que vês o argueiro no olho do teu irmão, e não reparas na trave que está no teu olho? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu? Hipócrita! tira primeiro a trave do teu olho; e então verás bem para tirar o argueiro do olho do teu irmão."

Jesus (Mateus, capítulos 7 e 9)
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O perigo de tentar impor ao outro as nossas ilusões

Sílvia Marques

Uma das coisas mais complicadas na vida é desenvolvermos a alteridade. Alteridade é a capacidade de se colocar no lugar do outro. Normalmente, analisamos as pessoas e as situações a partir das nossas opções, das nossas preferências e estilo de vida. Se sou passional, tenho dificuldade para entender uma escolha racional. Se sou racional, tenho dificuldade para entender uma escolha passional pois não agiria daquela forma.

Analisar as questões sob o nosso ponto de vista é algo razoavelmente corriqueiro e sem grandes consequências. Mas quando despejamos a nossa subjetividade em cima de um sujeito fragilizado, corremos o risco de aniquilar o outro sem nos darmos conta.

(...)

Uma das piores coisas que uma pessoa pode falar quando ouve um relato de desespero, é fazer quem sofre acreditar que merece o sofrimento vivido. É satanizar quem sofre. Mesmo que identifiquemos pontos falhos na conduta do sofredor, devemos ser muito cuidadosos no nosso julgamento porque quem está no fundo do poço não tem condições para ser sentenciado.

Porém, a pior parte dos julgamentos é quando eles são injustos e dizem respeito à subjetividade do interlocutor. Se reprimo uma conduta imoral da pessoa que sofre , o peso da minha crítica não é tão severo pois lá no fundo, quem agiu de forma imoral sabe que errou. Mas, quando tentamos ler a história a partir das nossas experiências e preferências, corremos o risco de cometer dois erros muito graves, que podem gerar consequências irreversíveis na vida de quem sofre: além de fazer uma leitura equivocada, podemos impor ao outro uma verdade que é nossa, que não tem nada a ver com a experiência que o outro viveu.

(...)

Podemos sim tentar ajudar o outro a se libertar de ilusões. Mas não temos o direito de impor as nossas ilusões ao outro como se ele fosse o reflexo do nosso espelho.

Fonte: Obvious


terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Aos pés do amor

Um dos fariseus convidou-o para comer com ele; e entrando em casa do fariseu, reclinou-se à mesa.


E eis que uma mulher pecadora que havia na cidade, quando soube que ele estava à mesa em casa do fariseu, trouxe um vaso de alabastro com bálsamo; e estando por detrás, aos seus pés, chorando, começou a regar-lhe os pés com lágrimas e os enxugava com os cabelos da sua cabeça; e beijava-lhe os pés e ungia-os com o bálsamo.


Mas, ao ver isso, o fariseu que o convidara falava consigo, dizendo: Se este homem fosse profeta, saberia quem e de que qualidade é essa mulher que o toca, pois é uma pecadora.


E respondendo Jesus, disse-lhe: Simão, tenho uma coisa a dizer-te. Respondeu ele: Dize-a, Mestre.


Certo credor tinha dois devedores; um lhe devia quinhentos denários, e outro cinqüenta.


Não tendo eles com que pagar, perdoou a ambos. Qual deles, pois, o amará mais?


Respondeu Simão: Suponho que é aquele a quem mais perdoou. Replicou-lhe Jesus: Julgaste bem.


E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês tu esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; mas esta com suas lágrimas os regou e com seus cabelos os enxugou.


Não me deste ósculo; ela, porém, desde que entrei, não tem cessado de beijar-me os pés.


Não me ungiste a cabeça com óleo; mas esta com bálsamo ungiu-me os pés.


Por isso te digo: Perdoados lhe são os pecados, que são muitos; porque ela muito amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama.


E disse a ela: Perdoados são os teus pecados.


Mas os que estavam com ele à mesa começaram a dizer entre si: Quem é este que até perdoa pecados?


Jesus, porém, disse à mulher: A tua fé te salvou; vai-te em paz.

 

Lucas, capítulo 7

 

 

"Nosso querido amigo [Chico Xavier] há muito claudicava. Doía-lhe um pé. Dr. José Rocha, médico vizinho e amigo, já lhe ministrara medicamentos sem, contudo, minorar seu sofrimento. (...) Tudo de pouca valia! As dores persistiam, fazendo Chico mancar horrivelmente.

 

Os funcionários da Fazenda Modelo retornavam às suas casas servindo-se de uma charrete (...). O veículo adentrava a cidade por uma rua onde localizava-se, então, o meretrício.

 

Uma tarde, Chico e seus companheiros, ao passarem pelo "Biriba" — designação vulgar dada ao logradouro — foram abordados por uma das moças que habitavam o lugar. E dirigindo-se a Chico, disse:

 

— Venha até minha casa. Preciso lhe falar.

 

Gracejos, motejos, risadas e comentários infelizes fizeram-se ouvir. Chico desceu do carro, com dificuldade, acompanhando a moça até sua residência.

 

Todas as meretrizes que lá viviam receberam-no com profundo respeito, oferecendo-lhe uma cadeira, na qual Chico assentou-se.

 

A moça que o abordara trouxe uma pequena bacia, com água limpa. Humildemente, pediu-lhe permissão para descalçá-lo dos sapatos, colocando seu pé doente dentro da bacia. Segurando raminhos de flores do campo, a moça rezou e todas as outras a acompanharam, contritas. Ela molhava os raminhos e os batia, delicadamente, no pé de Chico, repetidamente, por várias vezes. Em seguida, enxugou-o, beijou-o e o calçou novamente.

 

Dois dias depois, chorando de emoção, Chico contou-nos o que presenciara na casa de encontros. Através de sua vidência, registrou que o líquido da bacia foi ficando escuro e lodoso, à medida que a mulher banhava-lhe o pé, fazendo com que a dor se esvaísse lentamente.

 

Para todos os presentes, a água manteve-se inalterada, límpida, nada mudara.

 

Chico nunca mais sentiu tal dor. A pobre meretriz, no ato humilde, no gesto simples, na bacia insignificante e nos raminhos de mato, mais que nós outros, colocara em sua oração algo sublime e operador de maravilhas: o amor!

 

Chico Xavier - Mandato de amor

Autores diversos

1ª Parte

Fonte: http://bibliadocaminho.com/ocaminho/TXavieriano/Livros/Cma/CmaP1C02.htm

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Ainda Hoje...


"Então um dos malfeitores que estavam pendurados, blasfemava dele, dizendo: Não és tu o Cristo? salva-te a ti mesmo e a nós.
Respondendo, porém, o outro, repreendia-o, dizendo: Nem ao menos temes a Deus, estando na mesma condenação?
E nós, na verdade, com justiça; porque recebemos o que os nossos feitos merecem; mas este nenhum mal fez.
Então disse: Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino.
Respondeu-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso."


Lucas, capítulo 23



Que consequência produz o arrependimento no estado corporal?

"Fazer que, já na vida atual, o Espírito progrida, se tiver tempo de reparar suas faltas.
Quando a consciência o censura e lhe mostra uma imperfeição, o homem pode sempre melhorar-se."

O Livro dos Espíritos
Questão 992
Paris, 1857




Ladrão se arrepende e devolve dinheiro roubado de vítima: 'Peço que me perdoe'

Publicado por Ylena Luna - 23 horas atrás

"Quem me protege não dorme". A frase no final do relato feito no Facebook do carioca Eduardo Goldenberg, 42 anos, é o resumo que ele dá para uma curiosa história ocorrida no réveillon, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Depois de ter a carteira furtada no trajeto para a festa de ano-novo na casa de amigos, o advogado foi surpreendido, na terça-feira com um envelope branco, com quase todo o dinheiro que estava no objeto subtraído e uma carta com pedido de desculpas do ladrão.

Ele contou que saiu da casa onde mora, na Tijuca, na Zona Norte do Rio, para as tradicionais comemorações do ano-novo. Mas fugiu da regra de levar apenas a chave de casa, dinheiro e um documento de identificação. "Nesse último réveillon, sem qualquer razão aparente, saí de casa com a carteira que uso no meu dia-a-dia: cheia de documentos, carteira da OAB, cartões de banco, da seguradora, carteira do plano de saúde, do programa de sócio-torcedor do Flamengo, meus cartões de visita, tudo. E R$ 1.017,00 em dinheiro", relatou na internet.

Ao chegar à estação Siqueira Campos, em Copacabana, ele sentiu quando alguém colocou a mão no bolso esquerdo da bermuda e levou o item de valor. Não houve tempo para reação, por conta da rapidez do criminoso. "Nada disso importa, é 31 de dezembro, que façam bom uso do dinheiro, dos documentos eu peço a segunda via e vamos pra festa que é o que interessa", pensou.

No primeiro dia de 2016, ele recebeu uma mensagem pelo Facebook de uma pessoa que afirmava ter encontrado a carteira dele nas proximidades de onde o advogado havia passado o réveillon. Eduardo Goldenberg conseguiu então recuperar a carteira com os documentos, mas sem o dinheiro e os cartões de visita.

Envelope branco

A surpresa veio na terça-feira, já que ele não havia ido trabalhar na segunda-feira. Segundo o relato dele no Facebook, ao chegar ao escritório, ele se deparou com um envelope branco fechado, sem nada escrito nem na frente e nem no verso, com considerável volume dentro. "Senti que era dinheiro, só no tato. Entrei, já aflito. Tranquei a porta. Acendi as luzes, sentei-me, pus os óculos, abri com cuidado o envelope e contei, atônito, R$ 967,00 em dinheiro".

O ladrão que havia furtado os pertences do advogado ainda deixou um bilhete manuscrito, contando sobre o arrependimento pelo crime. "Dr. Eduardo estou devolvendo seu dinheiro que eu peguei da sua carteira no dia 31 em Copacabana. Não dormi arrependido e peço que me perdoe. Feliz Ano Novo. Só tirei cinquenta reais pra comprar uma champanhe pra minha mãe. Fábio".

"Soco no estômago"

O empresário contou que o espanto maior foi com a "possibilidade de encontrar pessoas que ainda tem consciência". "Nós todos somos massacrados o tempo inteiro e temos profunda desesperança na sociedade. Então, uma coisa dessas acontecer é como se fosse um soco no estômago", relatou.

Ele também explica que sentiu piedade pela pessoa, mesmo diante de um crime. "Fiquei mexido, pensando na situação passada por ele, porque não é fácil fazer o que ele fez. Pensei ainda no tipo de pessoa que poderia ser, uma criança talvez, por conta da letra, por citar o presente para a mãe. (...) Não vou saber nunca quem foi, mas fiquei com pena", disse. A situação é totalmente inédita para o advogado, que agora se sente "premiado" por ter sido o alvo de um sentimento de arrependimento de outra pessoa. "É um grande prenúncio de coisas boas para o ano", concluiu.

Fonte: JusBrasil


sábado, 9 de janeiro de 2016

Misericórdia quero...


"Ide, pois, e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifícios."

Jesus (Mateus, capítulo 9)
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Desaparecerá algum dia, da legislação humana, a pena de morte?

"Incontestavelmente desaparecerá e a sua supressão assinalará um progresso da Humanidade. Quando os homens estiverem mais esclarecidos, a pena de morte será completamente abolida na Terra. Não mais precisarão os homens de ser julgados pelos homens. Refiro-me a uma época ainda muito distante de vós."

"Assim é que o que pareceu justo, numa época, parece bárbaro em outra. Só as leis divinas são eternas; as humanas mudam com o progresso e continuarão a mudar, até que tenham sido postas de acordo com as de Deus."

O Livro dos Espíritos
Questões 760 e 763
Paris, 1857
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Por que a pena de morte tem sido cada vez menos usada nos EUA?

De acordo com relatório divulgado nesta quarta-feira, dia 16 de dezembro, pelo Death Penalty Information Center (Centro de Informações sobre a Pena de Morte), em 2015 os Estados Unidos registraram um número historicamente baixo de execuções e sentenças de morte.

O relatório do Death Penalty Information Center

Segundo o relatório do Death Penalty Information Center houve uma queda de 20% nas execuções em relação a 2014. As 28 execuções registradas em 2015 também é o menor número desde 1991, quando 14 prisioneiros foram executados.

Neste ano, 14 Estados e o governo federal sentenciaram 49 pessoas à morte. Em 2014, foram 73.

Os Estados do Texas, Missouri e Georgia foram responsáveis por 86% das execuções.

Concentração geográfica

Segundo Robert Dunham, diretor-executivo do Death Penalty Information Center:

"Há cada vez mais evidências de que a pena de morte está não apenas se tornando mais rara, mas também concentrada em um número muito pequeno de Estados e condados", disse.

A pena de morte é adotada em 31 estados americanos e também pelo governo federal. Outros dezoito Estados aboliram a prática.

Razões para o declínio

De acordo com Dunham, diversos fatores explicam o declínio no uso da pena de morte:

"Um dos principais é o fato de que o público americano está cada vez mais preocupado com a possibilidade de que inocentes tenham sido condenados à morte ou executados", argumenta.

156 pessoas no corredor da morte foram exoneradas depois que se comprovou que eram inocentes. Somente neste ano, seis prisioneiros no corredor da morte foram exonerados de todas as acusações.

Dunham ainda aponta para casos em que a sentença se baseou em provas falsas:

"Em cinco dos seis casos de exoneração neste ano houve comprovação de má conduta por parte da acusação", diz.

O alto custo das execuções também explicaria a queda.

Mudança de opinião

Uma pesquisa do Pew Research Center deste ano revelou que apenas 56% dos americanos são favoráveis à pena de morte. Em 1995, esse percentual era de 78%.

"O apoio público à pena de morte na maioria das pesquisas caiu cerca de 20 pontos percentuais na última geração", diz Dunham.

Apesar da tendência de queda, a pena de morte ainda tem muito apoio no país. Um grupo de promotores e familiares de vítimas de assassinato na Califórnia lançou uma campanha para acelerar o processo de apelações em casos de prisioneiros no corredor da morte e reduzir os custos das execuções.

A iniciativa será votada por referendo em novembro de 2016.

Fonte: JusBrasil

sábado, 19 de dezembro de 2015

Cores Distantes

"Os mundos mais afastados do Sol estarão privados de luz e calor, por motivo de esse astro se lhes mostrar apenas com a aparência de uma estrela?"

 

"Pensais então que não há outras fontes de luz e calor além do Sol e em nenhuma conta tendes a eletricidade que, em certos mundos, desempenha um papel que desconheceis e bem mais importante do que o que lhe cabe desempenhar na Terra? (...)"

 

(...) Assim acontece com relação aos outros mundos, que sem dúvida contêm elementos que desconhecemos. Não vemos na Terra as longas noites polares iluminadas pela eletricidade das auroras boreais? Que há de impossível em ser a eletricidade, nalguns mundos, mais abundante do que na Terra e desempenhar neles uma função de ordem geral, cujos efeitos não podemos compreender? (...).

 

O Livro dos Espíritos

Questão 58

Paris, 1857

 

 

Plutão revela rica variedade de cores, dizem especialistas

15/10/2015

 

Plutão revela uma rica variedade de cores em sua superfície, segundo os resultados de observações da sonda New Horizons da Nasa - publicados nesta quinta-feira pela revista Science.




Das zonas escuras e vermelhas do equador às regiões brilhantes e azuis nas latitudes mais altas, o planeta anão tem uma paleta muito variada.

 

Anteriormente, os especialistas não tinham uma imagem clara das cores de Plutão.

 

"Fiquei espantada ao ver essas cores espetaculares e diversidade geológica tão grande", contou Silvia Protopapa, assistente de pesquisa em astronomia na Universidade de Maryland e parte da equipe de composição da superfície New Horizons.

 

Ela co-escreveu o primeiro estudo publicado em uma revista científica desde o vôo histórico perto do planeta anão pela sonda americana em 14 de julho.

 

A nova imagem colorida de Plutão publicada na revista Science foi obtida com a câmera Multi-spectral Visible Imaging Camera (MVIC) da aeronave.

 

Para determinar se a variedade de cores é devida à composição do solo, os investigadores analisaram dados obtidos a partir de um espectrômetro captando imagens próximas do infravermelho, que permitiu mapear a composição da superfície de Plutão e suas cinco luas.

 

Os cientistas que trabalham no projeto já lançaram a maior parte de suas observações para o público, mas os dados continuarão a chegar pelo menos até o próximo ano.

 

"Os dados retornados até agora mostram uma surpreendentemente grande variedade de formações e idades de terreno em Plutão, assim como variações na cor, composição e albedo (refletividade da superfície)", disse a Nasa.

 

O espectrômetro da sonda também revelou um grande número de pequenas áreas de gelo de água expostos na superfície.

 

Fonte: Zero Hora

 

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

O Evangelho Segundo Chico Xavier - Espinhos na Carne

"Nem queirais ser chamados guias; porque um só é o vosso Guia, que é o Cristo. Mas o maior dentre vós há de ser vosso servo. Qualquer, pois, que a si mesmo se exaltar, será humilhado; e qualquer que a si mesmo se humilhar, será exaltado."

Jesus (Mateus, capítulo 23)

"E, para que me não exaltasse demais pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de que eu não me exalte demais; acerca do qual três vezes roguei ao Senhor que o afastasse de mim; e ele me disse: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.

"Por isso, de boa vontade antes me gloriarei nas minhas fraquezas, a fim de que repouse sobre mim o poder de Cristo.

"Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco, então é que sou forte.

2ª carta de Paulo aos coríntios

Capítulo 12

 

"Os críticos esmiuçavam os poemas e as crônicas escritos por Chico Xavier, e o juiz estudava o processo Humberto de Campos, quando a dupla David Nasser-Jean Manzon desembarcou em Pedro Leopoldo. O repórter e o fotógrafo mais ousados e mais temidos da revista O Cruzeiro chegaram à cidade dispostos a "desvendar o homem Chico Xavier". Missão quase impossível: a privacidade do autor do Parnaso de Além-Túmulo era preservada por um círculo fechado de amigos. Durante o processo na justiça, a vigilância tinha sido redobrada. Fotos, por exemplo, só eram permitidas em sessões públicas no centro espírita.

"O desafio era um estímulo. Nasser e Manzon iriam romper o cerco. Mas começaram mal: foram direto para a Fazenda Modelo e deram de cara com Rômulo Joviano. O pedido da entrevista foi negado com um não inflexível.

"Chico está exausto e precisa descansar.

"Jean Manzon, sempre irônico, sugeriu ao patrão do rapaz umas férias para seu empregado. Como troco, recebeu mais uma resposta atravessada:

"- O Chico funcionário nada tem a ver com o outro Chico.

"Se quisessem mesmo fazer a entrevista, os jornalistas do Rio teriam de esperar até a sessão pública da sexta-feira seguinte. Era sábado. A dupla tinha mais o que fazer. Não podia ficar plantada na cidade mineira uma semana à espera do matuto. Aqueles caipiras não sabiam com quem estavam lidando.

"Nasser e Manzon mereciam respeito. Saíram do Rio a bordo do avião do próprio Assis Chateaubriand, dono do império dos Diários Associados, foram recepcionados em Belo Horizonte por Juscelino Kubitschek e engoliram poeira uma hora e meia seguida na viagem de carro de Belo Horizonte até ali. Ou seja: a hipótese de voltar à redação da revista com as mãos abanando era inadmissível.

"Para liquidar o assunto de vez, David Nasser, Jean Manzon e o piloto do avião de Chateaubriand, Henrique Natividade, bolaram um plano infalível. Nasser e Manzon se apresentariam como repórteres americanos e Natividade faria o papel de intérprete da dupla. Chico ficaria seduzido pela idéia de ser notícia internacional e se sentiria mais à vontade diante dos estrangeiros. Afinal de contas, a reportagem seria lida longe dali, longe do Rio.

"Havia um porém: Rômulo Joviano. O engenheiro conhecia a identidade deles e podia desmascarar o trio a qualquer momento. Precisavam concluir o serviço antes da chegada do patrão de Chico. Mas, mesmo sendo rápidos, eles ainda corriam perigo. E se Rômulo telefonasse para alertar o empregado? Nasser, Manzon e Natividade tomaram a decisão: cortariam o fio do telefone do entrevistado. Dito e feito.

"O truque deu certo. Chico escancarou as portas de casa para os "estrangeiros" e posou para fotos então inéditas na imprensa. Jean Manzon fez a festa. Uma das fotografias estampadas em O Cruzeiro, a revista de maior circulação no país da época, exibia o representante do ilustre e saudoso Humberto de Campos sentado numa banheira, com a mão esquerda sobre a testa, como se estivesse em transe mediúnico. Só faltava estar nu. A imagem se espalhou por meia página da publicação no dia 12 de agosto, onze dias antes da sentença do juiz. A legenda era espalhafatosa: Sensacional flagrante de Chico na banheira. Ele procurava as almas, quando Jean Manzon o surpreendeu obtendo um impressionante documento para o próximo julgamento.

"Os adversários do espiritismo afirmam que é uma prova de farsa. Os espíritas, que é outra prova: o espírito desce seja onde for.

"Outro "flagrante" exibia Chico deitado em sua cama estreita, com um livro aberto nas mãos. A legenda: "Ele lê e muito. Dizia-se Humberto de Campos, o escândalo que Chico é um ignorante, analfabeto, pouco amante das belas- letras. Pura invenção. Chico lê tanto que um dos seus olhos foi atingido por cruel catarata inoperável. Mesmo assim continua lendo".

"O rapaz também se expôs diante da escrivaninha, com lápis em punho, em meio a um amontoado de livros, O texto abaixo da foto era comprometedor para quem estava sob suspeita de imitar o estilo alheio: Outra peça de notável valor documental é esta: a biblioteca de Chico, onde encontramos livros de muitos autores, escritos na vida de seus criadores. Esses mesmos cavalheiros transmitem, segundo Chico, novas e diárias mensagens. Chico, na gravura, aparece copiando trechos de livros que mais lhe agradam.

"As frases abaixo de um rapaz de olhos fechados aumentavam o mistério: Nos momentos de transe, os seus olhos se fecham ou se tornam nublados, como os de um morto. Dizem os adeptos de Kardec que a alma chegou. Dizem os céticos que é um caso médico. De qualquer forma, é impressionante ver aquele homem de pupilas brancas. Que dirão os juízes?

"O texto de David Nasser, intitulado "Chico, Detetive do Além", era bem menos contundente do que as imagens e legendas.

"Logo no início, ele tratava de quebrar as expectativas do leitor: O senhor, leitor amigo, chegará ao fim destas linhas sem obter a resposta que há tanto tempo procura: "É Chico Xavier um impostor ou não é?" E dirá: "Dei 1.500 por esta revista e não consegui desvendar o mistério?" Sim, o mistério continuará por muito tempo.

"Após definir seu objetivo, mostrar o homem Chico, ele cobriu o rapaz de adjetivos: adorável, cândido, maneiroso, humilde, um anjo de criatura.

(...)

"Após uma hora e meia de entrevista, Jean Manzon, David Nasser e o "intérprete" se despediram do entrevistado. Enganaram o "idiota" e ainda ganharam livros de presente.

"Jogaram os exemplares na mala e saíram às pressas, eufóricos. No dia seguinte, estavam no Rio.

"A reportagem foi publicada no dia 12 de agosto com uma lacuna estranha. Ela não mencionou como os jornalistas conseguiram passar o vidente para trás. Nasser jogou fora a chance de lançar a dúvida: Se Chico tem um guia e tem acesso aos espíritos, como foi enganado tão facilmente?

"Chico leu o texto e ficou apavorado, O juiz não teria dúvidas. O rapaz já imaginava o veredicto: todos os indícios levam a crer que Francisco Cândido Xavier imitou o estilo de Humberto de Campos. Culpado. Sacudia-se, em meio à violenta crise de choro, quando Emmanuel voltou. Estava inspirado:

"- Chico, você tem que agradecer. Jesus foi para a cruz e você foi só para O Cruzeiro.

"O réu não conseguiu achar graça. Por que Emmanuel não evitou aquele vexame?

"Por que não desmascarou a fraude e revelou a identidade dos jornalistas?

"Só trinta anos depois, uma reportagem publicada por O Dia, em 28 de abril, e assinada por João Antero de Carvalho, revelaria, em detalhes, os bastidores daquela saga de David Nasser e Jean Manzon. A confissão foi feita por um Nasser arrependido, o mesmo capaz de definir Chico Xavier como "o maior remorso da minha vida".

"O repórter voltou no tempo e reconstituiu a noite em que passava para o papel seu furo jornalístico, dois dias depois do encontro com Chico Xavier. Já era madrugada, quando ele foi interrompido por um telefonema de Jean Manzon. O fotógrafo parecia nervoso.

"- David, você trouxe aquele livro que o homem nos ofereceu?

"- Claro que sim.

"- Pois bem, abra-o na primeira página e leia a dedicatória. Nasser largou o telefone fora do gancho e, curioso, correu à procura de seu exemplar. Levou um susto ao deparar com a frase:

"Ao irmão David Nasser, oferece Emmanuel".

"Que negócio é esse, Manzon, alguém revelou nossa identidade?

"O fotógrafo e o motorista também foram pegos de surpresa. Diante do mistério, os três fizeram um pacto de silêncio. A reportagem saiu sem aquele episódio.

"Segundo Nasser, a verdade, em jornalismo, era menos importante do que a verossimilhança."

Marcel Souto Maior

As vidas de Chico Xavier

2ª edição revista e ampliada.

São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2003

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Embriaguez da Riqueza

"E eis que se aproximou dele um jovem, e lhe disse: Mestre, que bem farei para conseguir a vida eterna? (...) Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, segue-me. Mas o jovem, ouvindo essa palavra, retirou-se triste; porque possuía muitos bens. Disse então Jesus aos seus discípulos: Em verdade vos digo que um rico dificilmente entrará no reino dos céus. E outra vez vos digo que é mais fácil um camelo passar pelo fundo duma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus."

Mateus, Capítulo 19




Estando o rico sujeito a maiores tentações, também não dispõe, por outro lado, de mais meios de fazer o bem?

Mas, é justamente o que nem sempre faz. Torna-se egoísta, orgulhoso e insaciável. Com a riqueza, suas necessidades aumentam e ele nunca julga possuir o bastante para si unicamente.

A alta posição do homem neste mundo e a autoridade sobre os seus semelhantes são provas tão grandes e tão escorregadias como a desgraça, porque, quanto mais rico e poderoso é ele, tanto mais obrigações tem que cumprir e tanto mais abundantes são os meios de que dispõe para fazer o bem e o mal. Deus  experimenta o pobre pela resignação e o rico pelo emprego que dá aos seus bens e ao seu poder. A riqueza e o poder fazem nascer todas as paixões que nos prendem à matéria e nos afastam da perfeição espiritual. Por isso foi que Jesus disse: "Em verdade vos digo que mais fácil é passar um camelo por um fundo de agulha do que entrar um rico no reino dos céus."

O Livro dos Espíritos
Item 816
Paris, 1857




Sentir-se - não ser - rico determina oposição à redistribuição de renda

Redação do Diário da Saúde
11/12/2014

Redistribuição de renda

A opinião das pessoas sobre a desigualdade da distribuição da renda e da riqueza de um país pode ter pouco a ver com a quantidade de dinheiro que elas têm no banco, e muito a ver com o quanto elas se sentem mais ricas em comparação com os seus amigos e vizinhos.

"Nossa pesquisa mostra que sentimentos subjetivos de riqueza ou pobreza motivam atitudes das pessoas em relação à redistribuição de renda de forma totalmente independente do autointeresse objetivo," diz o Dr. Keith Payne, da Universidade da Carolina do Norte (EUA).

A pesquisa revelou que o sentir-se relativamente rico não só levou os participantes a se opor à redistribuição da riqueza, como também levou-os a considerar quem discordava deles como "cegados pelo autointeresse".

"Estes resultados são importantes porque sugerem um mecanismo pelo qual a desigualdade pode levar a aumentos da polarização política e ao conflito," explica Payne.

Ser rico e sentir-se rico

Embora pareça lógico que as pessoas iriam apoiar qualquer política de redistribuição de renda que aumente o seu próprio rendimento mínimo, as pesquisas mostram consistentemente que a associação entre renda familiar real e atitudes em relação à redistribuição é fraca.

Na verdade, o fator mais influente é a sensação subjetiva que as pessoas têm do próprio status socioeconômico - como as pessoas julgam a sua situação econômica em relação aos que as rodeiam.

Durante os experimentos feitos pela equipe, quando questionados sobre como poderiam melhorar as condições para futuros participantes, os voluntários levados a se considerarem mais pobres pareciam estar satisfeitos com as regras existentes, enquanto os jogadores induzidos a se achar mais ricos que seus parceiros preferiram significativamente uma menor redistribuição, claramente tentando reforçar sua situação de supremacia.

"Quando as pessoas foram induzidas a se sentirem mais ricas, elas não apenas se opuseram à redistribuição de renda, mas também começaram a endossar os princípios e ideologias mais conservadores em geral," diz Payne. "Elas começaram a ver o mundo como uma meritocracia imparcial e justa. E tudo isto foi o resultado de uma simples manipulação de cinco minutos das comparações de riqueza em relação aos outros."

Fonte: Diário da Saúde

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Convite aos Pobres e Estropiados

"Certo homem dava uma grande ceia, e convidou a muitos. E à hora da ceia mandou o seu servo dizer aos convidados: vinde, porque tudo já está preparado. Mas todos à uma começaram a escusar-se. Disse-lhe o primeiro: Comprei um campo, e preciso ir vê-lo; rogo-te que me dês por escusado. Outro disse: Comprei cinco juntas de bois, e vou experimentá-los; rogo-te que me dês por escusado. Ainda outro disse: Casei-me e portanto não posso ir. Voltou o servo e contou tudo isto a seu senhor. Então o dono da casa, indignado, disse a seu servo: Sai depressa para as ruas e becos da cidade e traze aqui os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos. Depois disse o servo: Senhor, feito está como o ordenaste, e ainda há lugar. Respondeu o senhor ao servo: Sai pelos caminhos e valados, e obriga-os a entrar, para que a minha casa se encha. Pois eu vos digo que nenhum daqueles homens que foram convidados provará a minha ceia.

(...) Quando deres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os mancos e os cegos; e serás bem-aventurado; porque eles não têm com que te retribuir; pois retribuído te será na ressurreição dos justos."

Jesus (Lucas, capítulo 14)

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OS NEGROS DO BRASIL

(...)

A situação, no Brasil, sob todos os pontos de vista, como a da metrópole portuguesa, era dolorosa e cruel, embora governado por funcionário de Lisboa, segundo as combinações estipuladas na Península.

A raça aborígine e a raça negra sofriam toda sorte de humilhações e vexames. (...) A situação geral era a mais deplorável. Ismael e seus abnegados colaboradores sofrem intensamente em seus trabalhos árduos e quase improfícuos, no sentido de organizar o Instituto sagrado da família nas florestas inóspitas, onde os brancos não dispensavam consideração às leis humanas ou divinas, na condição de superioridade que se atribuíam.

Aos céus ascendem os aflitivos apelos dos obreiros invisíveis:

— Senhor! — exclama Ismael nas suas preocupações — estendei até nós o manto da vossa infinita misericórdia. Enviai-nos o socorro das vossas bênçãos divinas, para que as nossas vozes sejam ouvidas pelos espíritos que aqui procuram edificar uma pátria nova. Nosso coração se comove ante os quadros deploráveis que se deparam às nossas vistas. Por toda parte, vêem-se os infortúnios das raças flageladas e sofredoras.

Uma voz suave e meiga lhe responde do Infinito:

— Ismael, nas tuas obrigações e trabalhos, considera que a dor é a eterna lapidária de todos os espíritos e que o Nosso Pai não concede aos filhos fardo superior às suas forças, nas lutas evolutivas. Abriga aí, na sagrada extensão dos territórios do país do Evangelho, todos os infortunados e todos os infelizes. No meu coração ecoam as súplicas dolorosas de todos os seres sofredores, que se agrupam nas regiões inferiores dos espaços próximos da Terra. Agasalha-os no solo bendito que recebe as irradiações do símbolo estrelado, alimentando-os com o pão substancioso dos sofrimentos depuradores e das lágrimas que lavam todas as manchas da alma. Leva a essas coletividades espirituais, sinceramente arrependidas do seu passado obscuro e delituoso, a tua bandeira de paz e de esperança; ensina-lhes a ler os preceitos da minha doutrina, nos códigos dourados do sofrimento.

Ismael sente que luzes compassivas e misericordiosas lhe visitam o coração e parte com os seus companheiros, em busca dos planos da erraticidade mais próximos da Terra. Aí se encontram antigos batalhadores das cruzadas, senhores feudais da Idade Média, padres e inquisidores, espíritos rebeldes e revoltados, perdidos nos caminhos cheios da treva das suas consciências polutas. O emissário do Senhor desdobra nessas grutas do sofrimento a sua bandeira de luz, como uma Estrela Dalva, assinalando o fim de profunda noite.

- Irmãos — exorta ele comovido — até ao coração do Divino Mestre chegaram os vossos apelos de socorro espiritual. Da sua esfera de brandos arrebóis cristalinos, ordena a sua misericórdia que as vossas lágrimas sejam enxugadas para sempre. Um ensejo novo de trabalho se apresenta para a redenção das vossas almas, desviadas nos desfiladeiros do remorso e do crime. Há uma terra nova, onde Jesus implantará o seu Evangelho de caridade, de perdão e de amor indefiníveis. Nos séculos futuros, essa pátria generosa será a terra da promissão para todos os infelizes. Dos seus celeiros inesgotáveis sairá o pão de luz para todas as almas; mas, preciso se faz nos voltemos para o seu solo virgem e exuberante a construir-lhe as bases com os nossos sacrifícios e devotamentos. Ali encontrareis, nos carreiros aspérrimos da dor que depura e santifica, a porta estreita para o céu de que nos fala Jesus nas suas lições divinas. Aprendereis, no livro dos padecimentos salvadores, a gravar na consciência os sagrados parágrafos da virtude e do amor, na epopéia de luz da solidariedade, na expiação e no sofrimento. Sabei que todas as aquisições da filosofia e da ciência terrestres são flores sem perfume, ou luzes sem calor e sem vida, quando não se tocam das claridades do sentimento. Aqueles de vós que desejarem o supremo caminho venham para a nossa oficina de amor, de humildade e redenção.

E aí, nas estradas escuras e tristes da angústia espiritual, viu-se, então, que falanges imensas, ansiosas e extasiadas, avançavam com fervorosa coragem para as clareiras abertas naquela mansão de dor e de sombras. Todos queriam, no seu testemunho de agradecimento, beijar a bandeira sacrossanta do mensageiro divino. O seu emblema — Deus, Cristo e Caridade — refulgia agora nas penumbras, iluminando todas as coisas e clarificando todos os caminhos. As esperanças reunidas, daqueles seres infortunados e sofredores, faziam a vibração de luz que então aclarava todas as sendas e abria todos os entendimentos para a compreensão das finalidades, das determinações sublimes do Alto.

Essas entidades evolvidas pela ciência, mas pobres de humildade e de amor, ouviram os apelos de Ismael e vieram construir as bases da terra do Cruzeiro. Foram elas que abriram os caminhos da terra virgem, sustentando nos ombros feridos o peso de todos os trabalhos. Nesse filão de claridades interiores, buscaram as pérolas da humildade e do sentimento com que se apresentaram mais tarde a Jesus, no dia, que lhes raiou, de redenção e de glória.

Foi por isso que os negros do Brasil se incorporaram à raça nova, constituindo um dos baluartes da nacionalidade, em todos os tempos. Com as suas abnegações santificantes e os seus prantos abençoados, fizeram brotar as alvoradas do trabalho, depois das noites primitivas. (...) É que o Senhor lhes assinalou o papel na formação da terra do Evangelho e foi por esse motivo que eles deram, desde o princípio de sua localização no país, os mais extraordinários exemplos de sacrifício à raça branca. Todos os grandes sentimentos que nobilitam as almas humanas eles os demonstraram e foi ainda o coração deles, dedicado ao ideal da solidariedade humana, que ensinou aos europeus a lição do trabalho e da obediência, na comuna fraterna dos Palmares, onde não havia nem ricos nem pobres e onde resistiram com o seu esforço e a sua perseverança, por mais de setenta anos, escrevendo, com a morte pela liberdade, o mais belo poema dos seus martírios nas terras americanas.

(...)

Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho
Capítulo 7
Francisco Cândido Xavier
Ditado pelo Espírito Humberto de Campos