terça-feira, 20 de novembro de 2012

Mediunidade em Foco

Cientistas analisam cérebros de médiuns durante psicografia
Redação do Diário da Saúde
19/11/2012 

Psicografia científica
 
Cientistas brasileiros e norte-americanos usaram as mais modernas técnicas de neuroimagens para analisar o cérebro de médiuns brasileiros.
 
Os estudos foram feitos durante sessões de psicografia, uma forma de comunicação em que o espírito de uma pessoa já falecida escreve por meio das mãos do médium.
 
A nova pesquisa revelou resultados intrigantes da atividade cerebral, como um estado descrito pelos cientistas como "dissociativo".
 
Os médiuns mais experientes apresentaram uma redução na atividade cerebral, apesar do complexo conteúdo escrito produzido por eles.
 
Os resultados foram publicados na revista científica PLOS ONE.
 
Ciência e mediunidade
 
"Já se sabe que as experiências espirituais afetam a atividade cerebral. Mas a resposta cerebral à mediunidade, a prática de supostamente estabelecer comunicação ou ser controlado por uma pessoa já falecida, tem recebido pouca atenção científica," disse Andrew Newberg, da Universidade Thomas Jefferson (EUA), que coordenou o estudo.
 
Segundo ele, a partir destas primeiras constatações, novos estudos sobre o assunto deverão começar a ser feitos.
 
Foram analisados 10 médiuns, cinco deles classificados como "experientes" e cinco como "menos experientes".
 
Todos receberam uma injeção de um marcador radioativo (radiofármaco) para capturar sua atividade cerebral durante processos normais de escrita e durante a prática da psicografia, que envolve um estado similar ao transe.
 
Os médiuns foram analisados usando um exame chamado SPECT (single photon emission computed tomography, tomografia computadorizada por emissão de fóton único), que é capaz de registrar as áreas ativas e as áreas inativas do cérebro a cada momento.
 
Transe mediúnico
 
O estudo mostrou que os psicografistas experientes apresentaram menores níveis de atividade no hipocampo esquerdo (sistema límbico), giro temporal superior direito e regiões do lobo frontal do cingulado anterior esquerdo e giro precentral direito durante a psicografia, em comparação com sua escrita normal, fora do transe mediúnico.
 
As áreas do lobo frontal estão associadas com o planejamento, raciocínio, produção da linguagem, movimento e resolução de problemas.
 
Os cientistas levantam a hipótese de que isto reflete, durante o transe mediúnico, uma ausência de foco, autopercepção e consciência durante a psicografia.
 
Já os médiuns menos experientes apresentaram exatamente o efeito oposto, o que os cientistas sugerem estar associado ao maior esforço que eles fazem para executar a psicografia.
 
Avaliação neurocientífica da mediunidade
 
Os textos psicografados foram analisados pelos cientistas, que verificaram que os textos produzidos durante o transe mediúnico apresentaram complexidades maiores do que aqueles produzidos espontaneamente pelo próprio médium para referência, que não eram oriundos de psicografia.
 
Em particular, os médiuns mais experientes produziram textos com maiores pontuações no quesito complexidade, que normalmente exigiriam mais atividade no córtex frontal e temporal - exatamente o oposto do que os exames verificaram.
 
O conteúdo produzido durante as psicografias versava sobre princípios éticos, a importância da espiritualidade, e a aproximação entre ciência e espiritualidade.
 
"Esta que é a primeira avaliação neurocientífica já realizada dos estados de transe mediúnico revela alguns dados interessantes para melhorar a nossa compreensão da mente e sua relação com o cérebro. Estas descobertas merecem estudos mais aprofundados, tanto em termos de replicação quanto de hipóteses explicativas," concluiu o Dr. Newberg.
 
O estudo foi orientado pelo Dr. Newberg e contou com a participação dos brasileiros Julio Fernando Peres (Universidade da Pensilvânia), Alexander Moreira Almeida e Leonardo Caixeta (Universidade Federal de Juiz de Fora) e Frederico Leão (Universidade de São Paulo).
 

sábado, 17 de novembro de 2012

A Cura Interior

Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal?

"Um sábio da antiguidade vo-lo disse:  Conhece-te a ti mesmo."
O Livro dos Espíritos
Pergunta 919
Paris, 1857


 
Meditação reduz morte, ataque cardíaco e derrame
Redação do Diário da Saúde
16/11/2012
Recentemente um outro grupo de cientistas apresentou uma nova teoria para explicar os benefícios da meditação.
 
Meditação Transcendental
 
Pacientes cardíacos que praticaram Meditação Transcendental regularmente apresentaram 48% menos probabilidade de ter um ataque cardíaco ou de morrer por qualquer causa.
 
Desta vez os médicos fizeram a comparação com outros pacientes cardíacos que participaram de aulas de educação e mudança de comportamento em relação à manutenção da própria saúde.
 
Ainda que os participantes deste segundo grupo tenham recebido orientações e incentivos para adotar hábitos mais saudáveis, aqueles que praticaram meditação tiveram benefícios significativamente superiores.
 
O estudo foi publicado pela renomada Associação Americana do Coração.
 
Ganhos cumulativos
 
Os pacientes que praticaram meditação também apresentaram uma diminuição na pressão arterial e relataram menos estresse e menos raiva.
 
E, quanto mais regularmente os pacientes meditavam, maior foi o aumento de sua sobrevida, afirmam os cientistas que realizaram o estudo, na Faculdade de Medicina de Wisconsin (EUA).
 
"Trabalhamos com a hipótese de que a redução do estresse pelo gerenciamento da conexão mente-corpo é responsável pelos resultados benéficos em relação a essa doença epidêmica," disse o Dr. Robert Schneider. "Parece que a Meditação Transcendental é uma técnica que aciona a farmácia do próprio corpo, para que ele repare-se e mantenha a si próprio."
 
Vida ativa e vida contemplativa
 
Os participantes do programa de meditação sentavam-se com os olhos fechados por cerca de 20 minutos, duas vezes por dia, permitindo que suas mentes e corpos descansassem profundamente, mas permanecendo alertas.
 
Os participantes do grupo de educação em saúde, sob a instrução de educadores profissionais de saúde, foram orientados a passar pelo menos 20 minutos por dia em casa praticando comportamentos saudáveis para o coração, como exercícios, preparação de refeições saudáveis e relaxamento em geral.
 
Os pesquisadores avaliaram os participantes no início do estudo, durante os três primeiros meses, e depois de seis em seis meses, avaliando o índice de massa corporal, dieta, aderência ao programa, pressão sanguínea e hospitalizações por problemas cardiovasculares.
 
Medite sobre isso
 
O estudo chegou às seguintes conclusões:

Houve 52 eventos definitivos durante o estudo, que incluíram a morte por ataque cardíaco ou ocorrência de acidente vascular cerebral. Destes, 20 eventos ocorreram no grupo de meditação e 32 no grupo de educação em saúde;

> a pressão arterial foi reduzida em 5 mm Hg e a raiva diminuiu significativamente entre os participantes da Meditação Transcendental ao relação ao outro grupo;

> ambos os grupos apresentaram alterações benéficas nas atividades físicas e no consumo de álcool;

> o grupo de meditação mostrou uma tendência para fumar menos;

> não se verificaram diferenças significativas entre os grupos nas dietas e nas variações de peso corporal;

> a meditação regular foi correlacionada com menor risco de morte, ataque cardíaco e acidente vascular cerebral.
 

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Razão x Intuição

"É acertado dizer que as faculdades instintivas diminuem, a medida que crescem as intelectuais?
 
"Não. O instinto existe sempre, mas o homem o negligencia. O instinto pode também conduzir ao bem; ele nos guia quase sempre, e às vezes mais seguramente que a razão; ele nunca se engana.
 
"Por que a razão não é sempre um guia infalível?
 
"Ela seria infalível se não existisse falseada pela má educação, pelo orgulho e egoísmo. O instinto não raciocina; a razão permite ao homem escolher, dando-lhe o livre-arbítrio."
 
O Livro dos Espíritos
Perguntas 75/75a
Paris, 1857
 

 
Racionalizações podem estragar sua intuição
Redação do Diário da Saúde
19/10/2012
 

Intuição e julgamentos
 
A maioria das pessoas gosta de pensar que suas decisões são racionais e bem pensadas.
 
Mas os estudos científicos indicam que nossos julgamentos morais são muito frequentemente baseados na intuição.
 
Nossas emoções parecem conduzir nossas intuições, dando-nos algo como uma sensação de que algo está certo ou errado.
 
Em alguns casos, no entanto, parece que somos capazes de deixar para trás essas reações iniciais.
 
Inibindo a intuição
 
Matthew Feinberg e seus colegas da Universidade de Berkeley (EUA) levantaram a hipótese de que essa superação da intuição poderia ser o resultado da racionalização, ou reavaliação, um processo pelo qual amortecemos a intensidade de nossas emoções concentrando-se em uma descrição intelectual de porque estamos experimentando a emoção.
 
Ao longo de vários experimentos, os participantes leram histórias descrevendo dilemas morais envolvendo comportamentos geralmente considerados desagradáveis.
 
Os participantes que reavaliaram, ou racionalizaram, os cenários de forma lógica mostraram-se menos propensos a fazer julgamentos morais baseados na intuição.
 
Isto indica que, apesar de nossas reações emocionais produzirem intuições morais, estas emoções também podem ser reguladas, deixando de lado a intuição.
 
"Dessa forma", escrevem os pesquisadores, "somos simultaneamente senhor e escravo, com a capacidade de sermos controlados por eles, mas podendo também dar forma a nossos processos de julgamento carregados de emoção."
 
Vale a pena abandonar a intuição?
 
A questão que se coloca necessariamente, mas que não foi coberta por este estudo, é: devemos ou não nos esforçar para superar a intuição e tomar uma decisão racionalizada?
 
Parece que não, já que outro estudo, publicado na mesma revista Psychological Science, sugere que a intuição é muito mais eficiente do que o raciocínio lógico: a intuição supera raciocínio lógico na hora de decidir entre certo e errado.

Outro estudo mais recente demonstrou que pessoas que confiam em seus sentimentos são mais capazes de prever corretamente os resultados futuros de eventos: para prever melhor o futuro, aposte na intuição.

Assim, o trabalho que acaba de ser publicado parece servir mais como um alerta do tipo "Não estrague suas intuições racionalizando-as".
 

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Emancipação da Alma

"Ramon, Gostaria que me tirasse uma dúvida sobre algo: sabe aquele estado em que você está dormindo e sabe que está naquela cama, naquele quarto, mas você não está dormindo, parece estar acordado e vem alguém perto de você e lhe toca? Fiquei com tanto medo disso hoje de manhã, que eu queria gritar e o grito não saía da minha garganta. Era muito real. Eu estava com um dos braços caídos pela cama, de repente, sem olhar para o lado, as duas mãos de uma mesma pessoa (parecia mãos de homem maiores que a minha), seguravam minha mão, eu sentia o toque como se fosse alguém de carne e osso como eu, depois ele beijava as costas de minha mão delicadamente (era muito real mesmo). Isso era muito cedo com a luz do sol entrando no quarto, eu olhava para o lado e não via ninguém. Até quando ele me tocou eu não o via, era como se fosse um vulto ou sombra de alguém jovem querendo se mostrar. Eu fiquei tão paralisada que minha voz não saía de jeito nenhum. Mas enfim, o que é isso? Estou com medo que me venha me visitar de novo. Vou orar agora mesmo por ele, que eu não sei quem é. Abraço a todos" Magda
 


Oi, Meg!

Lembra daquela cena do filme O Sexto Sentido, em que o garoto recomenda ao terapeuta que falasse com sua esposa quando ela estivesse adormecendo? Ele, que se queixava de não mais ser ouvido pela esposa, resolve tentar e percebe que funciona, pois neste estado ela conseguia ouvi-lo. Por fim, ele se dá conta que a dificuldade de comunicação ocorria por estarem agora em planos diferentes.

Você acaba de vivenciar algo semelhante. Alguém que vela por você estava por perto durante seu despertar. Isso não significa que ele não estivesse ali antes, certamente em muitas outras ocasiões. Apenas você conseguiu conservar a impressão dessa presença enquanto retornava ao corpo, quando os sentidos da alma ainda não tinham sido inteiramente bloqueados pela matéria.

Certamente é alguém que você conhece bem, mas de quem não se lembra nesta existência. Pode encontrá-lo muitas vezes durante o sono, sem disso guardar a lembrança. O gesto que você descreveu é de extrema delicadeza, o que revela afeição e carinho. Ou seja, é alguém que ficará muito grato por suas preces, sempre bem-vindas, mas que não veio lhe pedir isso, e sim oferecer cuidado e proteção. Portanto, tente substituir o medo pela gratidão por ter alguém assim ao seu lado. E parabéns por mais este anjo de Deus em sua vida.

Aprendo muitas coisas nos livros que leio, mas minha convicção mais profunda vem de pessoas como você, católicas, ou protestantes, ateus, agnósticos, quando relatam espontaneamente episódios que jamais imaginaram vivenciar e que confirmam exatamente o que leio nestes livros.

Selecionei abaixo alguns trechos relacionados com esta sua experiência, mas recomendo que você consulte o texto integral nos linques abaixo:

O Livro dos Espíritos
> O Sono E Os Sonhos
> Anjos da Guarda, Espíritos Protetores, Familiares ou Simpáticos

A internet está aí e já nem precisamos de bibliotecas pra ficar bem informados sobre determinado tema, desde que tenhamos o cuidado de buscar as melhores referências.
 
Boas reflexões!
 
Ramon de Andrade
Palmares-PE
 


EMANCIPAÇÃO DA ALMA

O Sono E Os Sonhos

401. Durante o sono, a alma repousa como o corpo?
 
— Não, o Espírito jamais fica inativo. Durante o sono, os liames que o unem ao corpo se afrouxam e o corpo não necessita do Espírito. Então, ele percorre o espaço e entra em relação mais direta com os outros Espíritos.
 
402. Como podemos julgar da liberdade do Espírito durante o sono?
 
— Pelos sonhos. Sabei que, quando o corpo repousa, o Espírito dispõe de mais faculdades que no estado de vigília. Tem a lembrança do passado e, às vezes, a previsão do futuro; adquire mais poder e pode entrar em comunicação com os outros espíritos, seja deste mundo, seja de outro.
 
(...) O sono liberta parcialmente a alma do corpo. Quando o homem dorme, momentaneamente se encontra no estado em que estará de maneira permanente após a morte. (...) Destes fatos deveis aprender, uma vez mais, a não ter medo da morte, pois morreis todos os dias, segundo a expressão de um santo.
 
(...) Por efeito do sono, os Espíritos encarnados estão sempre em relação com o mundo dos Espíritos (...) O sonho é a lembrança do que o vosso Espírito viu durante o sono; mas   observai que nem sempre sonhais, porque nem sempre vos lembrais daquilo que vistes ou de tudo o que vistes. Isso porque não tendes a vossa alma em todo o seu desenvolvimento; freqüentemente não vos resta mais do que a lembrança da perturbação que acompanha a vossa partida e a vossa volta, a que se junta a lembrança do que fizeste ou do que vos preocupa no estado de vigília. Sem isto, como explicaríeis esses sonhos absurdos, a que estão sujeitos tanto os mais sábios quanto os mais simples?
 
Comentário de Kardec: Os sonhos são o produto da emancipação da alma, que se torna mais independente pela suspensão da vida ativa e de relação. Daí uma espécie de  clarividência indefinida, que se estende aos lugares os mais distantes ou que jamais se viu, e algumas vezes mesmo a outros mundos. Daí também a lembrança que retraça na memória os acontecimentos verificados na existência presente ou nas existências anteriores. A extravagância das imagens referentes ao que se passa ou se  passou em mundos desconhecidos entremeadas de coisas do mundo atual formam esses conjuntos bizarros e confusos que parecem não ter senso nem nexo.
 
A incoerência dos sonhos ainda se explica pelas lacunas decorrentes da lembrança incompleta do que nos apareceu no sonho. Tal como um relato ao qual se tivessem truncado frases ou partes de frases ao acaso: os fragmentos restantes sendo reunidos, perderiam toda significação racionai.
 
403. Por que não nos recordamos sempre dos sonhos?
 
— Nisso que chamais sono só tens o repouso do corpo, porque o Espírito esta em movimento. No sono, ele recobra um pouco de sua liberdade e se comunica com os que lhe são caros, seja neste ou em outros mundos. Mas como o corpo é de matéria pesada e grosseira, dificilmente conserva as impressões recebidas pelo Espírito, mesmo porque o Espírito não as percebeu pelos órgãos do corpo.
 
407. É necessário o sono completo, para a emancipação do Espírito?
 
— Não. O Espírito recobra a sua liberdade quando os sentidos se entorpecem; ele aproveita para se emancipar, todos os instantes de descanso que o corpo lhe oferece. Desde que haja prostração das forças vitais, o Espírito se desprende, e quanto mais fraco estiver o corpo, mais o Espírito estará livre.
 
Comentário de Kardec: É assim que o cochilar, ou um simples entorpecimento dos sentidos, apresenta muitas vezes as mesmas imagens do sonho.
 
408. Parece-nos, às vezes, ouvir cm nosso íntimo palavras pronunciadas distintamente e que não têm nenhuma relação com o que nos preocupa. De onde vêm elas?
 
— Sim, e até mesmo frases inteiras, sobretudo quando os sentidos começam a se entorpecer. É, às vezes, o fraco eco de um Espírito que deseja comunicar-se contigo.
 
409. Muitas vezes, num estado que ainda não é o cochilo, quando temos os olhos fechados, vemos imagens distintas, figuras das quais apanhamos os pormenores mais minuciosos. É um efeito de visão ou de imaginação?
 
— Entorpecido o corpo, o Espírito trata de quebrar a sua cadeia: ele se  transporta e vê, e se o sono fosse completo, isso seria um sonho.
 
410. Têm-se às vezes, durante o sono ou o cochilo, idéias que parecem muito boas e que, apesar dos esforços que se fazem para recordá-las, se apagam da memória. De onde vêm essas idéias?
 
— São o resultado da liberdade do Espírito, que se emancipa e goza, nesse momento, de mais amplas faculdades. Freqüentemente, também, são conselhos dados por outros Espíritos.
 
410 – a) De que servem essas idéias ou esses conselhos, se a sua recordação se perde e não se pode aproveitá-los?
 
— Essas idéias pertencem, algumas vezes, mais ao mundo dos Espíritos que. ao mundo corpóreo, mas o mais freqüente é que, se o corpo as esquece, o Espírito as lembra, e a idéia volta no momento necessário, como uma inspiração do momento.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Fim de Era

"Em 21 de dezembro de 2012, Nibiru irá passar pelo plano da eclíptica e será visto como uma estrela vermelha brilhante e irá parecer um segundo sol, do tamanho aproximado da nossa Lua.  (...) Ramon, se tens vídeo que ilustre melhor as informações acima, ficarei muito grato se enviares." Marcondes Calazans
 

 
Diga lá, Vizinho!
 
Felizmente, a respeito do fim do mundo, tenho notícias melhores que estas que andam espalhando por aí.
 
Segundo os astrônomos, qualquer corpo celeste do tamanho de um planeta que estivesse a caminho de uma aparição pública em dezembro deste ano, já seria facilmente detectável, não apenas pela NASA ou grandes telescópios, mas também por astrônomos amadores, destes que observam os céus de suas janelas, espalhados aos milhares em todo o mundo. Ou seja, mesmo que os governos conseguissem silenciar seus órgaos de pesquisa e os observatórios astronômicos de todo o mundo (o que já seria bem difícil), jamais poderia ocultar um evento destas proporções dos astrônomos independentes. Portanto, quanto a esta versão cinematográfica do apocalipse, me sinto bem tranquilo.
 
Mas e como ficam as profecias? É tudo mentira? Pessoalmente, acredito que não. Muitas culturas antigas fizeram referência ao fim de uma era, que coincidem com a época atual. Temos presenciado muitas catástrofes naturais que conduzem a cenários melhores. As tragédias climáticas tem estimulado o exercício da fraternidade universal, com envio de ajuda e doações de um ponto a outro do planeta. A questão ambiental, considerada incômoda pelas grande economias mundiais, ocupa o centro dos debates internacionais. O tsunami ocorrido no Japão fez grandes nações considerarem a necessidade de desativar suas usinas nucleares. Enfim, muita coisa mudando muito rápido no mundo todo, forçando o abandono de velhos modelos, em busca de outros mais perfeitos.
 
É o que podemos chamar de FIM de uma ERA, e é o único FIM que consigo imaginar, o que melhor interessa a todos nós. O medo é uma arma poderosa e é nele que se baseiam essas teorias que incendeiam a internet. Prefiro interpretar tudo a meu favor e não vejo utilidade nestas doutrinas do pânico, além do lucro que gera.
 
Par aprofundar a questão a abrandar seu coração, recomendo a leitura dos seguintes artigos:
 
> 2012: As Profecias e o Espiritismo
 
> Chico Xavier e 2019 - Artigo Completo
 
> Portal de Luz - Revelações sobre os acontecimentos de 2012
 
No fim das contas, engano por engano, prefiro os que proporcionam alguma paz.

Boas reflexões!
 
Ramon de Andrade
Palmares-PE

sábado, 29 de setembro de 2012

Paciência NÃO tem limite

"Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente. Eu, porém, vos digo que não resistais ao mau; mas a qualquer que te bater na face direita, oferece-lhe também a outra; e ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa; e, se qualquer te obrigar a caminhar mil passos, vai com ele dois mil. Dá a quem te pedir, e não voltes as costas ao que quiser que lhe emprestes."
Jesus (Mateus, Capítulo 5)
 

 
Autocontrole não é um recurso limitado, ele pode ser treinado
Redação do Diário da Saúde
20/09/2012

O que é autocontrole?
 
O autocontrole sempre foi visto como um arsenal limitado: você aguenta durante um tempo, mas se o problema for insistente, chega um ponto em que você explode.
 
Isso funcionaria assim também em episódios mais benignos, como recusar o segundo pedaço de bolo de chocolate, passar sem parar à frente da vitrine com os últimos modelos de quinquilharias eletrônicas ou deixar de assistir TV para preencher seu imposto de renda logo nos primeiros dias.
 
É o autocontrole que nos permite manter hábitos saudáveis e fazer as coisas importantes, mesmo que nem sempre sejam as mais agradáveis.
 
Mas o que é realmente o autocontrole? Como ele funciona?
 
Visão científica do autocontrole
 
Michael Inzlicht (Universidade de Toronto) e Brandon Schmeichel (Universidade do Texas) acreditam que essas questões se colocam mais do que nunca.
 
Isto porque, para eles, o modelo do autocontrole mais usado pelos cientistas está errado.
 
De acordo com este modelo, o autocontrole é um recurso limitado - por exemplo, se você usar um monte de autocontrole para recusar uma segunda fatia de bolo, poderá não tê-lo em quantidade suficiente no final do dia para ir caminhar, em vez de ficar assistindo TV.
 
Em vez de ser um recurso limitado, que se esgota rapidamente, Inzlicht e Schmeichel argumentam que o autocontrole pode na verdade se parecer mais como uma motivação, um processo guiado pela atenção consciente.
 
Segundo eles, o novo modelo já encontra fundamentação em centenas de artigos científicos relatando pesquisas sobre o autocontrole nos últimos anos.
 
Esses estudos mostram que incentivos, percepções individuais da dificuldade das tarefas, crenças pessoais sobre força de vontade, feedback sobre o próprio desempenho e mudanças no humor, todos estes fatores influenciam nossa capacidade de exercer o autocontrole.
 
Isso não ocorreria se o autocontrole fosse simplesmente um recurso limitado, que se esgota pelo uso, e depois deve se acumular novamente.
 
Produzindo mais autocontrole
 
"Autocontrolar-se é, por definição, um trabalho difícil; envolve vontade explícita, atenção e vigilância", escrevem os dois pesquisadores em seu artigo, publicado na revista Perspectives on Psychological Science.
 
Assim, eventos sucessivos podem ser simplesmente encarados com níveis de atenção diferentes.
 
A diferença é fundamental, porque isso abre a possibilidade de criar mecanismos para desenvolver, aprimorar e reforçar o autocontrole, uma vez que não se terá mais a "desculpa" de que o autocontrole simplesmente acabou.
 
"A ideia de que o autocontrole é um recurso é uma possibilidade, mas há possibilidades alternativas que acomodam uma quantidade maior dos dados acumulados [pelos estudos científicos]", afirmam.
 
Importância do autocontrole
 
Identificar os mecanismos que estão na base do autocontrole pode ajudar a compreender comportamentos relacionados a uma ampla gama de problemas importantes, incluindo a obesidade, gastos impulsivos, vícios em jogos de azar e abuso de drogas.
 
Inzlicht e Schmeichel afirmam esperar que, usando melhores teorias, os cientistas possam usar os conhecimentos para projetar métodos mais eficazes para melhorar o autocontrole e evitar esses e outros problemas.
 

sábado, 15 de setembro de 2012

No Ventre de Deus

No ventre de uma mulher grávida estavam dois bebês. O primeiro pergunta ao outro:
 
- Você acredita na vida após o útero?
 
- Certamente. Algo tem de haver após o nascimento. Talvez estejamos aqui principalmente porque nós precisamos nos preparar para o que seremos mais tarde.
 
- Bobagem, não há vida após o útero. Como seria essa vida?
 
- Eu não sei exatamente, mas certamente haverá mais luz do que aqui. Talvez caminhemos com nossos próprios pés e comeremos com a boca.
 
- Isso é um absurdo! Caminhar é impossível. E comer com a boca? É totalmente ridículo! O cordão umbilical nos alimenta. Só sei de uma coisa: A vida após o útero é um absurdo – o cordão umbilical é muito curto.
 
- Na verdade, certamente há algo. Talvez seja apenas um pouco diferente do que estamos habituados a ter aqui.
 
- Mas ninguém nunca voltou de lá de fora pra contar. O parto apenas encerra a vida. E afinal de contas, a vida é nada mais do que esta angústia prolongada na escuridão.
 
- Bem, eu não sei exatamente como será depois do nascimento, mas com certeza veremos a mamãe e ela cuidará de nós.
 
- Mamãe? Você acredita na mamãe? E onde ela está?
 
- Onde? Em tudo à nossa volta! Nela e através dela nós vivemos. Sem ela tudo isso não existiria.
 
- Eu não acredito! Eu nunca vi nenhuma mamãe, por isso é claro que não existe nenhuma.
 
- Bem, mas às vezes quando estamos em silêncio, você pode ouvi-la cantando, ou sente, como ela afaga nosso mundo. Saiba, eu penso que só então a vida real nos espera e agora apenas estamos nos preparando para ela…

Quem não acredita em vida após a morte, pode começar acreditando na Vida.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

O Mordomo Infiel

"Dizia Jesus também aos seus discípulos: Havia certo homem rico, que tinha um mordomo; e este foi acusado perante ele de estar dissipando os seus bens.
 
"Chamou-o, então, e lhe disse: Que é isso que ouço dizer de ti? Presta contas da tua mordomia; porque já não podes mais ser meu mordomo.
 
"Disse, pois, o mordomo consigo: Que hei de fazer, já que o meu senhor me tira a mordomia? Para cavar, não tenho forças; de mendigar, tenho vergonha. Agora sei o que vou fazer, para que, quando for desapossado da mordomia, me recebam em suas casas.
 
"E chamando a si cada um dos devedores do seu senhor, perguntou ao primeiro: Quanto deves ao meu senhor? Respondeu ele: Cem cados de azeite. Disse-lhe então: Toma a tua conta, senta-te depressa e escreve cinqüenta. Perguntou depois a outro: E tu, quanto deves? Respondeu ele: Cem coros de trigo. E disse-lhe: Toma a tua conta e escreve oitenta.
 
"E louvou aquele senhor ao injusto mordomo por haver procedido com sagacidade; porque os filhos deste mundo são mais sagazes para com a sua geração do que os filhos da luz.
 
"Eu vos digo ainda: Granjeai amigos por meio das riquezas da injustiça; para que, quando estas vos faltarem, vos recebam eles nos tabernáculos eternos.
 
Quem é fiel no pouco, também é fiel no muito; quem é injusto no pouco, também é injusto no muito. Se, pois, nas riquezas injustas não fostes fiéis, quem vos confiará as verdadeiras? E se no alheio não fostes fiéis, quem vos dará o que é vosso?"
 
Lucas, capítulo 16
 

 
ATO DE CARIDADE
A.C.
 
Em nossa reunião da noite de 7 de Junho de 1956, nossos Benfeitores trouxeram-nos ao recinto o Espírito de A. C., que nos contou a sua significativa experiência, aqui transcrita.
 
Oxalá possa ela acordar-nos para mais ampla exatidão, no desempenho de nossos compromissos, na esfera da caridade que, realmente, seja onde for e com quem for, é nosso simples dever.
 
Espiritismo...
 
Sou espírita...
 
Fora da caridade não há salvação...
 
Maravilhosas palavras!...
 
Contudo, quase sempre chegamos a perceber-lhes o divino significado depois da morte, com o desapontamento de uma pessoa que perdeu o trem para uma viagem importante, guardando, inutilmente, o bilhete na mão.
 
Utilizei-me de um corpo físico durante cinqüenta e cinco anos, na derradeira romagem física.
 
Era casado.
 
Residia no Rio de Janeiro.
 
Mantinha a esposa e duas filhas.
 
Desempenhava a função de operoso corretor de imóveis.
 
E era espírita à maneira de tantos...
 
Nunca me interessei por qualquer meditação evangélica.
 
Não cheguei a conhecer patavina da obra de Allan Kardec.
 
Entretanto, intitulava-me espírita...
 
Freqüentava sessões.
 
Aplaudia conferencistas.
 
Acompanhava as orações dos encarnados e as preleções dos desencarnados, com a cabeça pendida em reverência.
 
Todavia, encerrados os serviços espirituais, tinha sempre afeiçoados no recinto, a quem oferecer terras e casas, a quem vender casas e terras...
 
E o tempo foi passando.
 
Cuidava devotadamente do meu conforto doméstico.
 
Meu rico dinheiro era muito bem empregado.
 
Casa bem posta, mesa farta, tudo do bom e do melhor...
 
Às vezes, um companheiro mais persistente na fé convidava-me a atenção para o culto do Evangelho no lar.
 
Mas eu queria lá saber disso?...
 
A meu ver, isso daria imenso trabalho.
 
Minha mulher dedicava-se à vida que lhe era própria.
 
Minhas filhas deveriam crescer tão livremente como desejassem, e qualquer reunião de ordem moral, em minha casa, era indiscutìvelmente um tropeço ao meu bem-estar.
 
E o tempo foi passando...
 
Fui detentor de uma bronquite que me recebia a melhor enfermagem.
 
Era o dodói de meus dias.
 
Se chamado a qualquer atividade de beneficência, era ela o meu grande escolho.
 
No verão, estimava a sombra e a água fresca.
 
No inverno, preferia o colchão de mola e o cobertor macio.
 
E o tempo foi passando...
 
Sessões semanais bem freqüentadas...
 
Orações bem ouvidas...
 
Negócios bem feitos...
 
Aos cinqüenta, e cinco anos, porém, um edema do pulmão arrebatou-me o corpo.
 
Francamente, a surpresa foi grande.
 
Apavorado, compreendi que eu não merecia o interesse de quem quer que fosse, a não ser das entidades galhofeiras que me solicitaram a presença em atividades criminosas que não condiziam com a minha vocação.
 
Entre o Centro Espírita e o lar, minha mente conturbada passou a viver uma experiência demasiado estranha...
 
Em casa, outros assuntos não surgiam a meu respeito que não fossem o inventário para a indispensável partilha dos bens.
 
E, no Centro, as entidades elevadas e amigas surgiam tão intensivamente ocupadas aos meus olhos, que de todo não me era possível qualquer interferência, nem mesmo para fazer insignificante petitório.
 
Para ser verdadeiro, não havia cultivado a oração com sentimento e, por isso mesmo, passei a ser uma espécie de estrangeiro em mim próprio, ilhado no meu grande egoísmo.
 
Ausentando-me do santuário de minha suposta fé, interiormente desapontado, encontrava o circulo doméstico, e, por vezes, ensaiava, na calada da noite, surpreender a companheira com meus apelos ; entretanto, nos primeiros tentames senti tamanha repulsão da parte dela, a exprimir-se na gritaria mental com que me induzia a procurar os infernos, que eu, realmente, desisti da experiência.
 
Minhas filhas, visitadas por minha presença, não assinalavam, de modo algum, qualquer pensamento meu, porquanto se encontravam profundamente engolfadas na idéia da herança.
 
Não havia outra recordação para o carinho paterno que não fosse à herança... a herança... a herança...
 
Passei a viver, assim, dentro de casa, a maneira de um cão batido por todos, porque, francamente, não dispunha de outro clima que me atraísse.
 
Apenas o calor de meu lar sossegava-me as ânsias.
 
Alguns meses decorreram sobre a difícil posição em que me encontrava.
 
Alimentava-me e dormia nas horas certas, copiando os meus antigos hábitos.
 
Certa noite, porém, tive tanta sede de espiritualidade, tanto anseio de confraternização que, vagueando na rua, procurei o Alto da Tijuca para meditar, chorar e penitenciar-me...
 
Minha lágrimas, contudo, eram dessa vez tão sinceras que alguém se compadeceu de mim.
 
Surgiu-me à frente um irmão dos infortunados e, com muita bondade, reconduziu-me ao velho templo espírita a que antigamente me afeiçoara.
 
Era noite avançada, mas o edifício estava repleto.
 
Um mensageiro do Plano Superior dirigia grande assembléia.
 
E o enfermeiro que, paciente, me encaminhara, esclareceu-me que ali se verificava o encontro de um benfeitor do Alto com os desencarnados que se caracterizavam por mais ampla sede de luz.
 
Esse Instrutor penetrava-nos a consciência, anotando o mérito ou o demérito de que éramos portadores para demandar a suspirada renovação de clima.
 
Muitos irmãos eram ouvidos pessoalmente.
 
Após duas horas de expectativa, chegou minha vez.
 
Pelo olhar daquele Espírito extremamente lúcido, deduzi que nenhum pensamento meu lhe seria ocultado.
 
Aqueles olhos varriam os mais fundos escaninhos do meu ser.
 
Anotei meu problema.
 
Desejava mudança.
 
Ansiava melhorar minha triste situação.
 
Perguntou-me o Instrutor qual havia sido o meu modo de vida.
 
Creio que ele não tinha necessidade de indagar coisa alguma, no entanto, a casa acolhia numerosos necessitados e, a meu ver, a lição administrada a qualquer de nós deveria servir a outrem.
 
Aleguei, preocupado, que havia protegido corretamente a família terrestre e que havia preservado a minha saúde com segurança.
 
Ele sorriu e respondeu que semelhantes misteres eram comuns aos próprios animais.
 
Pediu que, de minha parte, confessasse algum ato que pudesse enobrecer as minhas palavras, algo que lhe fosse apresentado como justificativa de auxilio às minhas pretensões de trabalho, melhoria e ascensão.
 
Minha memória vasculhou os anos vividos, inutilmente...
 
Não encontrei um ato sequer, capaz de alicerçar-me a esperança.
 
Não que o serviço de corretor de imóveis seja indigno, mas é que eu capitalizava o dinheiro haurido em minhas lides profissionais, qual terra seca coletando a água da chuva: chupava... chupava... chupava... sem restituir gota alguma.
 
Depois de agoniados instantes, lembrei-me de que em certa ocasião encontrara três amigos de nosso templo, na Praça da Bandeira, a insistirem comigo para que lhes acompanhasse a jornada caridosa até um lar humilde, na Favela do esqueleto.
 
Fiz tudo para desvencilhar-me do convite que me pareceu aborrecido e imprudente.
 
Mas o grupo, que se constituía de uma senhora e dois companheiros, desenvolveu sobre mim tamanho constrangimento afetivo, que não tive outro recurso senão atender à carinhosa exigência.
 
Dai a alguns minutos, varávamos estreita choupana de lata velha, onde fomos defrontados por um quadro desolador.
 
Pobre mulher tuberculosa agonizava.
 
Nosso conjunto, entretanto, logo à chegada, fragmentou-se, pois a companheira foi convocada pelo esposo ao retorno imediato e o outro amigo deu-se pressa em voltar, pretextando serviço urgente.
 
Não pude, todavia, imitar-lhes a decisão.
 
Os olhos da enferma eram de tal modo suplicantes que uma força irresistível me fez dobrar os joelhos para socorrê-la no leito, mal amanhado no chão.
 
Perguntei-lhe o nome.
 
Gaguejou... gaguejou... e informou chamar-se Maria Amélia da Conceição.
 
Seus familiares, uma velha e dois meninos que se assemelhavam a cadáveres ambulantes, não lhe podiam prestar auxílio.
 
Inclinei-me e coloquei-lhe a cabeça suarenta nos braços, tentando suavizar-lhe a dispnéia ; no entanto, depois de alguns minutos, a infeliz, numa golfada de sangue, entregou-se à morte.
 
Senti-me sumamente contrafeito.
 
Mas para ver-me livre de quadro tão deprimente, pela primeira vez arranquei da bolsa uma importância mais farta, transferindo-a para as mãos da velhinha, com vistas aos funerais.
 
Afastei-me, irritadiço.
 
E, antes da volta a casa, procurei um hotel para um banho de longo curso, com desinfetante adequado.
 
E, no outro dia, consultei um médico sobre o assunto, com receio de contágio...
 
O painel que o tempo distanciara assomou-me à lembrança, mas tentei sufocá-la na minha imaginação, pois aquele era um ato que eu havia levado a efeito constrangidamente, sem mérito algum, de vez que o socorro a Maria Amélia da Conceição fora simplesmente para mim um aborrecimento indefinível...
 
Contudo, enquanto a minha mente embatucada não conseguia resposta, desejando asfixiar a indesejável reminiscência, alguém avançou da assembléia e abraçou-me.
 
Esse alguém era a mesma mulher da triste vila do Esqueleto.
 
Maria Amélia da Conceição vinha em meu socorro.
 
Pediu ao benfeitor que nos dirigia recompensasse o meu gesto, notificando que eu lhe havia ofertado pensamentos de amor na extrema hora do corpo e que lhe havia doado, sobretudo, um enterro digno com o preço de minha dedicação fraternal, como se a fraternidade, algum dia, houvesse andado em minhas cogitações...
 
As lágrimas irromperam-me dos olhos e, desde aquela hora, para felicidade minha, retornei ao trabalho, sendo investido na tarefa de amparar os agonizantes, tarefa essa em cujo prosseguimento venho encontrando abençoadas afeições, reerguendo-me para luminoso porvir.
 
Bastou um simples ato de amor, embora constrangidamente praticado, para que minha embaraçosa inquietação encontrasse alívio.
 
É por isso que, trazido à vossa reunião de ensinamento e serviço, sou advertido a contar-vos minha experiência dolorosa e simples, para reafirmar-vos o imperativo de sermos espíritas pelo coração e pela alma, pela vida e pelo entendimento, pela teoria e pela prática, porque em verdade, como espíritas, à luz do Espiritismo Cristão, podemos e devemos fazer muito na construção sublime do bem.
 
Por esse motivo, concluo reafirmando:
 
Espiritismo...
 
Sou espírita...
 
Fora da caridade não há salvação...
 
Maravilhosas palavras!...
 
Que Jesus nos abençoe.

Francisco Cândido Xavier
Vozes do Grande Além
Página 35

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Genética da Compaixão

"Sabeis que os governadores dos gentios os dominam, e os seus grandes exercem autoridades sobre eles. Não será assim entre vós; antes, qualquer que entre vós quiser tornar-se grande, será esse o que vos sirva; e qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, será vosso servo; assim como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos."
Jesus (Mateus, 20:25-28)


 
"O choque, que o homem experimenta, do egoísmo dos outros é o que muitas vezes o faz egoísta, por sentir a necessidade de colocar-se na defensiva. Notando que os outros pensam em si próprios e não nele, ei-lo levado a ocupar-se consigo, mais do que com os outros. Sirva de base às instituições sociais, às relações legais de povo a povo e de homem a homem o princípio da caridade e da fraternidade e cada um pensará menos na sua pessoa, assim veja que outros nela pensaram. Todos experimentarão a influência moralizadora do exemplo e do contacto. Em face do atual extravasamento de egoísmo, grande virtude é verdadeiramente necessária, para que alguém renuncie à sua personalidade em proveito dos outros, que, de ordinário, absolutamente lhe não agradecem. Principalmente para os que possuem essa virtude, é que o reino dos céus se acha aberto. A esses, sobretudo, é que está reservada a felicidade dos eleitos, pois em verdade vos digo que, no dia da justiça, será posto de lado e sofrerá pelo abandono, em que se há de ver, todo aquele que em si somente houver pensado."
O Livro dos Espíritos
Questão 917
Paris, 1857


 
Nascidos para o amor: teoria defende a sobrevivência do mais bondoso
Yasmin Anwar
22/12/2009

Em contraste com o "cada um por si" de muitas interpretações da teoria da evolução pela seleção natural, os cientistas defendem que os seres humanos são tão bem-sucedidos como espécie precisamente por causa do nosso carinho, altruísmo e compaixão.
 
O Gene Altruísta
 
Cientistas estão desafiando crenças aceitas há décadas - na época apresentadas como descobertas científicas - de que os seres humanos seriam fisiologicamente constituídos para serem egoístas.
 
Esta noção ganhou a adesão de grande parte da comunidade científica principalmente através dos trabalhos do cientista e pregador ateu Richard Dawkins, através de seu livro "O Gene Egoísta". Hoje, grande parte dos próprios geneticistas discorda das conclusões de Dawkins.
 
Evolução para a compaixão
 
Pesquisadores da Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos, depois de realizarem uma vasta gama de estudos, afirmam ter coletado um grande conjunto de evidências que demonstra que nós estamos evoluindo para nos tornarmos mais cheios de compaixão e mais colaborativos em nossa busca para sobreviver e prosperar.
 
Em contraste com o "cada um por si" de muitas interpretações da teoria da evolução pela seleção natural, o psicólogo Dacher Keltner e seus colegas defendem que os seres humanos são tão bem-sucedidos como espécie precisamente por causa do nosso carinho, altruísmo e compaixão.
 
Eles chamam esse mecanismo de "sobrevivência do mais bondoso". O trabalho resultou no livro "Nascido para ser Bom: A Ciência da Vida Plena", ainda sem tradução no Brasil.
 
Habilidade para cuidar dos outros
 
"Como nossas crianças são muito vulneráveis, a tarefa fundamental para a sobrevivência humana e para a replicação dos nossos genes é tomar conta dos outros", afirma Keltner. "Os seres humanos têm sobrevivido como espécie porque nós evoluímos nossa capacidade de cuidar das pessoas que necessitam e para cooperar. Como Darwin há muito tempo supôs, a simpatia é o nosso instinto mais forte."
 
A equipe de Keltner está estudando como a capacidade humana de cuidar e cooperar com os outros está implantada em regiões específicas do cérebro e do sistema nervoso. Um estudo recente descobriu evidências convincentes de que muitos de nós somos geneticamente predispostos a sermos compreensivos e termos empatia.
 
Este estudo, feito Laura Saslow e Sarina Rodrigues, da Universidade Estadual do Oregon, descobriu que pessoas com uma variação particular do gene do receptor de oxitocina (ou ocitocina) são mais aptas à leitura do estado emocional dos outros e tornam-se menos estressados em circunstâncias tensas.
 
Informalmente conhecido como "hormônio do aconchego", a oxitocina é secretada na corrente sanguínea e no cérebro, onde ela promove a interação social, a educação e o amor romântico, entre outras funções.
 
"A tendência a ser mais compreensivo pode ser influenciada por um único gene", diz Rodrigues.
 
Como a bondade garante a sobrevivência?
 
Enquanto estudos mostram que o estabelecimento de conexões e relacionamentos sociais pode contribuir para uma vida mais significativa e saudável, a grande pergunta que os pesquisadores agora estão fazendo é "Como é que estas características garantem a nossa sobrevivência e elevam nosso status entre os nossos pares?"
 
Uma resposta, de acordo com o psicólogo e sociólogo Robb Willer, é que, quanto mais generosos formos, mais respeito e influência exerceremos.
 
Em um estudo recente, Willer e sua equipe deram uma pequena quantia em dinheiro a voluntários que participavam de uma pesquisa. A seguir, levou-os para participar de jogos de complexidade variada, cujos resultados apontavam para benefícios para o "bem comum".
 
"Os resultados, publicados na revista American Sociological Review, mostram que os participantes que agiram mais generosamente receberam mais presentes, mais respeito e mais cooperação de seus pares e exerceram maior influência sobre eles".
 
"Os resultados sugerem que qualquer pessoa que age apenas em seu próprio interesse será evitada, desrespeitada, e mesmo odiada", disse Willer. "Mas aqueles que se comportam generosamente com os outros são tidos em alta estima por seus pares e, portanto, têm seu status elevado".
 
Psicologia positiva
 
Os benefícios da generosidade são tão grandes que os cientistas não estão mais se preocupando em por que as pessoas são generosas, mas invertendo a lógica para pesquisar o que parece ser mais patológico - por que algumas pessoas se tornam egoístas.
 
Esses resultados validam os resultados da "psicologia positiva", inaugurada por Martin Seligman, um professor da Universidade da Pensilvânia, cujas pesquisas, no início dos anos 1990, deslocaram-se das doenças mentais e das disfunções para investigar os mistérios da alegria e do otimismo humanos.
 
Embora grande parte da psicologia positiva atual esteja focada na realização pessoal e na felicidade individual, os pesquisadores da Universidade de Berkeley estreitaram suas pesquisas, estudando como ela contribui especificamente para o bem-comum.
 
Criando filhos mais felizes
 
Christine Carter, por exemplo, diretora-executiva Centro de Ciências para o Bem Maior, é criadora do site "Ciência para Criar Crianças Felizes", numa tradução livre.
 
O objetivo do site Raising Happy Kids, entre outras coisas, é apoiar e promover a criação de crianças "emocionalmente alfabetizadas".
 
Carter traduz as pesquisas cheias de rigor científico em conselhos práticos para os pais. Ela diz que muitos pais estão se afastando das atividades materialistas e competitivas e repensando o que vai trazer a verdadeira felicidade e bem-estar para as suas famílias.
 
"Eu descobri que os pais que começam conscientemente a cultivar a gratidão e a generosidade em seus filhos veem rapidamente seus filhos tornarem-se mais alegres e mais felizes", disse Carter, que é autora do livro Criando felicidade: 10 etapas simples para filhos mais alegres e pais mais felizes, que estará nas livrarias em fevereiro de 2010.
 
"O que é muitas vezes surpreendente para os pais é o quanto mais felizes eles próprios podem tornar-se", diz ela.
 

domingo, 10 de junho de 2012

Deixe estar

"Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã;
porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo.
Basta a cada dia o seu mal."
Jesus.
(Mateus, Capítulo 6)



Deixe estar, isso também passa...

[Chico] Estava tão só e inconsolável que decidiu pedir a [seu orientador espiritual] Emmanuel não um conselho, mas uma orientação da própria Maria de Nazaré. Alguns dias se passaram e o guia voltou com uma frase atribuída à mãe de Jesus:

- Isso também passa.

Chico se sentiu anestesiado. Escreveu o recado num papel e o colocou na cabeceira da cama. Todas as noites e manhãs ele lia a frase e se consolava.


Emmanuel tratou de fazer uma ressalva: a frase valia tanto para os momentos tristes como para os alegres.


Marcel Souto Maior

As Vidas de Chico Xavier
1ª edição 1994 - 2ª edição 2003


Let It Be

Origens da Canção

"Let It Be" é uma canção dos Beatles composta por Paul McCartney, creditada à dupla Lennon-McCartney, e lançada em 1970.

A canção foi escrita (...) em um período intenso para os Beatles e para Paul McCartney, que era o único Beatle que parecia ainda se importar com os relacionamentos internos. Nessa época, eles estavam sendo músicos, compositores, produtores e empresários e após a morte do empresário Brian Epstein, Paul se sentiu menos motivado, porém, mais obrigado a manter o grupo unido.

Paul fala sobre a letra na autobiografia "
Many Years From Now" de Barry Miles: "Uma noite, durante aqueles tempos intensos, eu tive um sonho com minha mãe que tinha morrido há mais de 10 anos atrás. (...) ela parecia estar em paz no sonho dizendo, 'Tudo ficará bem, não se preocupe, pois tudo se acertará.' Eu não me lembro se ela usou a palavra 'Let it be' (Deixa estar) mas era o sentido do seu conselho. Eu me senti muito abençoado por ter tido aquele sonho. E comecei a canção literalmente com a frase 'Mother Mary.' A canção é baseada naquele sonho."

A canção cita "
Mother Mary comes to me" que apesar de parecer algo Católico ou Cristão ("Ave Maria vem até mim"), na verdade se trata de Mary McCartney, mãe de Paul. Mas ele explica a dualidade: "Ave Maria ou Mãe Maria, se torna uma coisa religiosa e você pode tomar desse jeito. Eu não me importo. Eu fico feliz se as pessoas tomarem para alimentar sua fé. Não tenho problema com isso. Acho importante ter fé na vida, principalmente no mundo que vivemos."

Origem:
Wikipédia



Let It Be
The Beatles

Quando eu me encontro em tempos difíceis

A Mãe Maria vem até mim
Dizendo palavras sábias:
Deixe estar.

E nas minhas horas de escuridão

Ela está em pé bem na minha frente
Dizendo palavras sábias:
Deixe estar.

(...)

E quando a noite está nublada

Ainda há uma luz que brilha em mim
E brilhará até amanhã
Deixe estar.

Eu acordo com o som da música

A Mãe Maria vem até mim
Dizendo sábias palavras:
Deixe estar.

Deixe estar, deixe estar

Deixe estar, deixe estar
Sussurrando sábias palavras:
Deixe estar

Letra completa, com áudio e vídeo, disponível em: