segunda-feira, 15 de agosto de 2011

CRIANÇAS NO ALÉM

CRIANÇAS  NO  ALÉM
  
PREFÁCIO
 
Emmanuel
 
Por que a desencarnação de crianças, vidas taladas em flor?
 
Muitos problemas observados exclusivamente do lado físico, assemelham-se a enigmas de solução impraticável; entretanto, examinados do ponto de vista da imortalidade e do burilamento progressivo da alma, reconhecer-se-á que o espírito em evolução pode solicitar conscientemente certas experiências ou ser induzido a elas em benefício próprio.
 
Nas realizações terrestres, é comum a vinculação temporária de alguém a determinado serviço por tempo previamente considerado. .
 
Há quem renasça em limitado campo de ação para trabalho uniforme em decênios de presença pessoal e há quem se transfira dessa ou daquela tarefa para outra, no curso da existência, despendendo, para isso, de quotas marcadas de tempo. Encontramos amigos que efetuam longos cursos de formação profissional em lugares distantes do recanto em que nasceram e outros que se afastam, a prazo curto, da paisagem que lhes é própria, buscando as especializações de que se observam necessitados. E depois dos empreendimentos concluídos, através de viagens que variam de tipo, segundo as escolhas que façam, ei-los de regresso aos locais de trabalho em cuja estruturação se situam.
 
Esta é a imagem a que recorremos para que a desencarnação de crianças seja compreendida, no Plano Físico, em termos de imortalidade e reencarnação.
 
Marcos é o companheiro em readaptação na Vida Maior, após haver deixado o corpo de menino num acidente de trânsito.
 
Ainda a sentir-se criança, no degrau evolutivo em que se acha, escreve aos pais, de modo comovedor, trazendo notícias dele mesmo e dos irmãos que se lhe associaram à prova.
 
A palavra simples e eloqüente do garoto amigo, a identificar-se, quanto possível, para reconforto dos entes queridos, aqui se encontra, demonstrando que, além da morte do corpo, o espírito prossegue atendendo aos condicionamentos indispensáveis à conquista da evolução que não dá saltos.
 
Marcos - menino continuará Marcos - menino, por algum tempo, na Espiritualidade, qual acontece ao espírito, mesmo quando procede de Altos Cimos da Vida Superior, ao retornar à Terra, para certos fins, sempre compelido a passar pela estação da infância.
 
Mas, muito acima de nossas modestas argumentações, o que vale neste livro é o consolo iluminado de esperança que ressuma destas páginas, não somente para os genitores do comunicante, mas também para aqueles outros pais e mães do mundo que perderam filhos amados no alvorecer da existência.
 
Marcos, o suave mensageiro, deixa claro que a vida prossegue no Mais Além; que novas áreas de assistência se descerram depois da experiência física, em auxílio dos pequeninos carentes de instrução e ternura; que os laços afetivos não desaparecem e que Deus concede filhos aos pais humanos, não a fim de separá-los para sempre, e sim para que, na vida ou além da morte, haja entre eles a bênção da união eterna com a luz perene do amor.
 
Emmanuel
 
Uberaba, 3 de outubro de 1976.
 

  
APRESENTAÇÃO
 
A mensagem do pequeno Marcos foi psicografada por Francisco Cândido Xavier no dia 12 de dezembro de 1975, 10 meses após o seu falecimento.
 
Marcos Hideo Hayashi, com 12 anos e os irmãos, João Batista Hayashi, 11 anos e Sheila Tieko Hayashi, com 7 anos, desencarnaram no dia 9 de fevereiro do ano passado, em acidente na Via Anhangüera, próximo a Perus, onde residiam. Eram os únicos filhos de Ukuru Hayashi e de D. Elite Diogo de Oliveira Hayashi.
 
Em rápidas pinceladas, vamos situá-lo, leitor amigo, no drama familiar, envolvendo os pais e os três filhos, desde um pouco antes do acidente que vitimou as crianças até o recebimento da mensagem do Marcos por Chico Xavier.
 
Caio Ramacciotti
 
S. Bernardo do Campo, 3 de outubro de 1976.
 

  
A  SEPARAÇÃO
 
Tão grande era o apego de Ukuru Hayashi - o Roberto - aos filhos, que não fora fácil convencê-lo a deixar Marcos e seu irmão João Batista passarem uma semana em Ribeirão Preto, junto de amigos da família.
 
Os argumentos de D. Elite eram muitos: as férias se aproximavam do fim; Marcos, o mais velho dos três, fora aprovado, em primeiro lugar, nos exames de dezembro e ajudara bastante o pai, nas entregas com o "Mercedinho"; 'tudo, enfim, servia de motivo para que Roberto cedesse.
 
Calado, introvertido, efetivamente o Roberto pouco falava. E, para agravar sua sisudez, muito ocorreu uma revelação que tivera anos atrás, antes mesmo de conhecer a esposa, D. Elite.
 
Quando solteiro, um amigo profetizou com convicção que o destino lhe reservara uma esposa brasileira, sem qualquer ascendência japonesa, e que o casal teria três filhos que, contudo, morreriam, ainda crianças. Tal fato, que marcou profundamente Roberto, somente foi revelado à esposa, após o falecimento das crianças.
 
Como dizíamos, com a insistência de D. Elite e das próprias crianças, Roberto concordou que os filhos mais velhos, Marcos e João Batista, fossem passar a primeira semana de fevereiro de 1975 em Ribeirão Preto.
 
Seguiram de ônibus, com uma amiga do casal e, no fim da semana seguinte, D. Elite, com a filha caçula Sheila, com o irmão, Saulo Prestes de Oliveira, e a cunhada, Maria Prestes de Oliveira, foram de Volkswagen buscar os filhos em Ribeirão Preto. Seguia também no carro o filhinho do casal que acompanhava D. Elite, pequeno, ainda de colo.
 
No domingo, 9 de fevereiro, voltavam a Perus. Saulo ao volante, D. Elite ao lado, com a filha Sheila no colo. Atrás, Marcos, João Batista e D. Maria com o filhinho. Muita alegria, músicas, comemorações, pois no dia anterior, 8 de fevereiro, o João Batista completara 11 anos. Assim descontraídos, chegaram até a entrada de Perus, quando uma Veraneio colheu e arremessou longe o Volks que- já deixava a Via Anhangüera para atingir o acesso que leva a Perus.
 
Todos os ocupantes do banco traseiro do carro tiveram morte instantânea: D. Maria e os três irmãos, Marcos, João Batista e Sheila. Segundo D. Elite, apenas três minutos antes do acidente, em virtude de um mal-estar súbito da cunhada, a Sheilinha precisou ir para trás, a fim de que D. Elite segurasse no colo o sobrinho.
 
O menino sobreviveu, mas a Sheila, em função da troca de lugar, veio a falecer com os dois irmãos e com a tia.
 

  
DO  ACIDENTE
 
Do acidente à psicografia da mensagem – uma nova realidade
 
A adaptação diante da realidade nova se fazia à custa de lágrimas incontroláveis. De chofre, a família alegre, feliz, estava destruída.
 
Sobravam os pais que, em desespero, se arrastavam na busca dos filhos ausentes: do Marcos, do João Batista e da Sheilinha, a suave gueixa da casa.
 
Roberto pouco falava; era, de hábito, calado e com o duro golpe, mais se fechou em si mesmo; continuava firme no trabalho, pois os compromissos exigiam que seu "Mercedinho" riscasse o Vale do Paraíba, para as entregas comerciais inadiáveis.
 
D. Elite, entre calmantes e crises de desespero, foi empurrando o tempo, na saudade dos filhos; ao lar, não voltara mais, morando com a genitora, alimentando a idéia única, implacável de rever os filhos, pois não podia acreditar que tivessem morrido.
 
Que poemas não terão nascido, nessas horas de dor, dos corações simples de Ukuru e Elite, ao mergulharem nas recordações dos três anjos que partiram. Certamente tão belos quanto o Salmo 23 de David - o Salmo da despedida - que, uma semana antes de morrer, como que prevendo a desencarnação iminente, o filhinho João Batista pediu para que todos cantassem, durante uma reunião que D. Elite fizera em seu lar com companheiros de crença religiosa. O cântico de David, entre outras reverências ao Senhor, diz:
 
"Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque estás comigo ..."
 
Embora na época se achasse ligada a outro campo de fé, um mês depois do 9 de fevereiro, por sugestão de D. Consuelo Andrade Carvalho, sua vizinha, D. Elite estava em Uberaba. Queria conhecer Francisco Cândido Xavier.
 
Misturou-se com a multidão que ali se encontrava para abraçar o Chico e, embora rapidamente, teve a oportunidade de mostrar-lhe uma fotografia das três crianças, pedindo ao Chico que a confortasse.
 
- "Quem sou eu para confortá-la? Eu não sou ninguém ..." respondeu Chico Xavier.
 
O diálogo com o médium se resumiu nesse rápido intercâmbio, suficiente, contudo, pelo respeito do Chico aos sofrimentos de D. Elite, para que ela voltasse um pouco melhor para casa.
 
Retornou a Uberaba mais quatro vezes, durante o ano de 1975, sempre sem entrar em detalhes com o Chico, pois os entendimentos se resumiam em saudações rápidas. Na última visita, no dia 12 de dezembro, eis que o Marcos traz a exuberante mensagem de quase 80 laudas psicografadas.
 
Após o recebimento da mensagem, embora a dor ainda persista,os pais acham- se mais confortados. Vez por outra um sorriso já se desenha no rosto de D. Elite e, nos olhos do Roberto, observam-se lampejos de alento, cada vez menos fugazes.
 
É a renovação, com a decidida certeza da sobrevivência do espírito, reconstruindo no casal a estrutura abalada pelos golpes da separação provisória. E: a convicção plena de que seus três filhos não morreram, convicção, aliás, solidificada pela mensagem que veremos adiante, onde as revelações surgem pelas mãos de Chico Xavier que desconhecia detalhes do acidente e ignorava os nomes citados pelo Marcos, alguns dos quais até D. Elite e Roberto tiveram dificuldade em identificar.
 

  
A  MENSAGEM
 
Minha querida Mamãe, meu querido Papai.
 
Estou  obedecendo ao meu  avô Joaquim (1 ) que me ,trouxe para escrever.
 
Peço para que me abençoem.
 
Querida  Mamãe, a senhora pede notícias e rogou tanto, mas tanto, perante as orações, que me vejo aqui para trazer a esperança ao seu coração e fortalecer em meu pai a confiança na vida.
 
Não sei como fazer isso direito: escrever falando o que se passa.
 
Meu avô está me auxiliando, mas, por dentro de mim, estou como quem traz o pensamento tropeçando na vontade de chorar.
 
É preciso ser forte e ser um homem para receber um compromisso desses.
 
Papai  sempre nos ensinou que devemos ser valorosos com a luz da coragem  na frente de nossos passos, mas é tanta dor para vencer, querida Mamãe, que eu não tenho forças para remover a situação.
 
Meu avô diz que não devo procurar desculpas e sim tomar o assunto sem mais demora.
 
Por isso, quero dizer a você, Mãezinha, para confiar em Deus e na vida.
 
Papai é calado e tantas vezes sem manifestações iguais às nossas (2), mas para ele também estou garatujando esta carta.
 
Rogo a vocês para não se deixarem dominar pelo sofrimento, embora este conselho deva ser ditado para mim mesmo.
 
Estamos assim como num telefone direto, em que o fio do lápis vai formando as minhas palavras, sem que eu possa receber as palavras de meus pais queridos, ao mesmo tempo.
 
Sei tudo o que tem acontecido. Sei, Mãezinha, que a senhora, está sendo considerada uma pessoa em perturbação mental (3).
 
Mas nós entendemos daqui as suas aflições..
 
Três filhos esmagados quase ao chegarem em casa ...
 
E a nossa separação de repente.
 
Isso transtornaria o cérebro de um gigante, quanto mais os nossos corações sempre ligados pelo carinho.
 
Desde que acordei aqui, ouço os seus gritos do coração suas palavras que não são faladas, suas preces de aflição no silêncio e suas lágrimas que aí na Terra ninguém vê...
 
Mas peço à senhora, em nome da nossa Sheilinha, do João Batista e em meu nome, para viver e viver com fé em nosso reencontro.         
 
Mamãe, se não fosse a falta que a gente experimenta de casa, se não fosse a voz da senhora e do papai por dentro de mim, eu diria que tudo está bem.
 
Mas posso dizer agora que tudo melhorará, quando melhorarem na paciência e na confiança.
 
Estamos num parque de crianças que vieram para cá apressadamente
 
Temos tratamentos, exercícios lições e muito carinho.   
 
Muitos meninos já crescidos ajudam os menores e são auxiliares de enfermeiras queridas que nos amparam, como sendo filhos do coração.
 
Temos repouso, mas o repouso é atravessado pelas recordações que se fazem tão vivas como se fossem relâmpagos coloridos e parados em nossas lembranças.
 
Nessas telas da alma, vemos o que se passa à distância e, além disso, suas vozes, Mãezinha, nos alcançam por todos os meios.
 
Peço a você - a você que é nosso querido anjo da guarda - entregar a Deus os acontecimentos de fevereiro (5).
 
Não chore mais com desânimo e aflição.
 
A senhora, sempre carinhosa e sempre imensamente boa para nós, não choraria mais com tanta angústia se visse a nossa querida Sheila cair de aflição, querendo ir ao seu encontro
 
sem poder (6) ...     
 
Ajude-nos, querida Mamãe.
 
Aqui temos muita gente dedicada ao bem.
 
A Irmã Luiza nos abençoa - benfeitora que não conheci - e um santo a quem devemos chamar por Irmão Ukuru nos cerca de muito amor, quase todos os dias (7).
 
O tio Diogo (8) e o avô Joaquim são companheiros que tudo fazem por nosso auxílio.
 
De tia Maria (9) nada sei. Pergunto por ela, mas recebo apenas a notícia de que ela vai bem.
 
De certo modo ainda não estou muito em mim.
 
Se tivesse de retomar os estudos aí em casa, creio que não seria possível.
 
Tenho a cabeça assim aflita, como quem não saiu de um susto muito grande e não posso lembrar com muita insistência aquela Veraneio (10) e nem a nossa casa em Perus, porque me sobe uma emoção ao cérebro que dá para tontear; mas o avô Joaquim me diz que tudo vai melhorar quando a senhora e papai estiverem mais fortes.
 
Nós estamos todos unidos sem que eu saiba como é isso.
 
O pensamento é uma força, mas não sei ainda explicar o que sinto.
 
Mamãe, não fique parando o olhar em nossas lembranças.
 
Tudo o que foi nosso –de nós três- dê a outras crianças em nosso nome.
 
Ficará para nós o coração inteirinho, porque a senhora, papai, João Batista, Sheila e eu não nos separamos.                
 
Peça energias para nós nas preces do seu carinho de sempre.
 
Mamãe, as lágrimas são forças de Deus em nossa vida, e por isso, nenhum de nós está livre de chorar, mas as nossas lágrimas devem ser orações de gratidão e amor, paz e fé.
 
Um dia estaremos todos juntos, mas não deseje vir para cá como quem força a entrada de uma casa desconhecida.
 
Pouco a pouco, entenderemos as razões de tudo o que sucedeu.
 
Rogamos para que a ninguém seja atribuída qualquer culpa pelo acidente.
 
O veículo poderia estar sendo guiado por nós.
 
Ninguém cria problemas de trânsito por vontade própria, como no caso em que nos vimos.
 
Mamãe, queremos, a paz de todos
 
Ajudem, a senhora e meu pai, a termos paz.
 
Não se queixem.
 
Vamos cultivar a saudade na igreja do amor ao próximo.
 
Temos tantos irmãos nas calçadas e nas ruas, pedindo auxílio!
 
Sejam eles, filhos também de seu coração.
 
Aqui, muitos pais de meninos desamparados oram conosco pelos filhos sofrem no mundo,mas eu sei que a senhora e meu pai serão auxílio e bênção para esses meninos, filhos de tantos amigos bons que nos amparam aqui.
 
Não posso continuar.
 
Mamãe, abençoes os filhos que somos nós aqui, sem você, mas contando sempre com a senhora para ficar mais fortes.
 
Deus nos auxiliará.
 
Hoje, tenho mais fé.
 
Em nome dos irmãos e em meu nome, deixo a vocês, em casa, o nosso beijo de respeito e de amor.
 
E recebam, com o abraço do avô Joaquim, todo o coração do filho, sempre filho reconhecido.
 
Marcos
 
Uberaba, 12 de dezembro de 1975
 

  
COMENTÁRIOS
 
"Três filhos esmagados quase ao chegarem em casa... E a nossa separação de repente. Isso transtornaria o cérebro de um gigante, quanto mais os nossos corações sempre ligados."
 
São palavras do menino de 12 anos. Se os conceitos profundos, sobretudo se creditados ao cérebro de uma criança, quase adolescente, impressionam-nos, do mesmo modo a grandeza de seus sentimentos nos comove muito.
 
É a criança que fala aos pais, mostrando que as dificuldades são as mesmas do lado de lá, mormente quando a saudade permanece tão viva.
 
Na mensagem, o filho conversa com a mãezinha, em súplica, rogando-lhe não se detenha mais nas lágrimas, pois quem sofre mais com as lágrimas dos pais, são os filhos no outro lado da vida. É por isso que o Marcos diz;
 
- "Mamãe, se não fosse a falta que a gente experimenta de casa, se não fosse a voz da senhora e do papai por dentro de mim, eu diria que tudo está bem."
 
Da mensagem, separaremos algumas citações, obedecendo a seqüência da psicografia, para maior esclarecimento:
 
1 – "Meu avô Joaquim" – avô materno, Joaquim Diogo Oliveira, desencarnado há 16 anos, em Perus.
 
2 – "Papai é calado" – tão simples quanto surpreendente revelação. Chico mal cumprimentara pela primeira vez o Sr. Ukuru, pai das crianças, momentos antes da recepção da mensagem. Ser calado é um singular traço da personalidade do Roberto. Praticamente não fala, tendo sido difícil mesmo, nas entrevistas que realizamos com o casal, arrancar alguma palavra do pai amoroso, mas realmente quieto.
 
3 – Entre as doses de calmantes e os acessos de desespero, D. Elite era por muitos considerada já em alienação mental, desencadeada pólo trauma da separação dos filhos.
 
4- "Estamos num parque de crianças que vieram para cá apressadamente." A respeito da situação das crianças, após sua desencarnação, o leitor encontrará esclarecimentos de
 André Luiz , no livro Entre a Terra e o Céu, psicografado pelo Chico, quando fala no Lar da Bênção, em que pequenos desencarnados se reúnem, sob a proteção de dedicadas professoras do Plano Espiritual.
 
5 – Referência ao acidente que tirou a vida aos três irmãos na Via Anhanguera, na tarde de 9 de fevereiro de 1975.
 
6 – Como observamos no início destes comentários, a angústia dos pais funciona como dardos que atingem diretamente os filhos desencarnados; daí Marcos lembrar, suplicante, à Mãezinha, que ela não choraria mais, se visse a sua querida Sheila cair de aflição, querendo ir ao seu encontro, sem poder...
 
7- Irmã Luiza – possivelmente Marcos se refere à amiga da família, falecida em Guairá-SP, há muitos anos. O irmão Ukuru, homônimo do pai das crianças, não foi ainda identificado, pelo menos nas recordações mais imediatas do grupo familiar.
 
8- Diogo –Pedro Diogo de Faria, irmão do avô Joaquim, faleceu em Guairá, no ano de 1934.
 
9- Tia Maria – cunhado de D. Elite. Faleceu com as crianças no acidente. Maria Prestes de oliveira contava 21 anos e minutos antes do desastre deu o filho par D. Elite segurar no bando dianteiro do carro, pois não estava se sentido bem. A Sheilinha que estava com a mãe, precisou passar para trás e, pouco depois, também foi colhida pelo impacto mortal.
 
Estranha coincidência, o acaso reunir pouco antes do acidente justamente os espíritos que deveriam partir.
 
10- "Aquela Veraneio" – o veículo que colidiu com o carro em que se encontravam as crianças. Oportuna revelação, pois o Chico não sabia dos detalhes do acidente.
 
FIM

domingo, 14 de agosto de 2011

A Procura de Deus

Pode o homem compreender a natureza íntima de Deus?
"Não; falta-lhe para isso o sentido."
 
O Livro dos Espíritos
Questão 10
 

 
36 argumentos sobre a existência de Deus

Em entrevista ao site de VEJA, a "ateia com alma" Rebecca Goldstein critica o radicalismo de crentes e descrentes e comenta seu novo livro, uma saborosa "cilada" para os fanáticos de ambos os lados


Marco Túlio Pires
 
Uma ateia em missão de paz. É assim que Rebecca Goldstein, doutora em filosofia pela Universidade de Princeton e pesquisadora na área de psicologia em Harvard (EUA), se posiciona nas discussões, sempre acaloradas, entre ateus e religiosos.
 
Em seu novo livro, 36 Argumentos Para a Existência de Deus (Companhia das Letras, tradução de George Schlesinger, 536 páginas, 59 reais), Rebecca faz uma crítica ao radicalismo de ambos os lados. E um convite à conciliação. "Ateus têm que deixar o pedantismo de lado e parar de dizer como os religiosos devem pensar", diz ao site de VEJA. "E religiosos têm que parar de pensar que ateus são imorais e não sabem a diferença entre o bem e o mal."
 
Mistura de romance, ensaio filosófico e divulgação científica, 36 Argumentos... é uma saborosa provocação - para crentes e descrentes - dividida em duas partes. Na primeira, conta a história do "ateu com alma" Cass Seltzer, um psicólogo subitamente famoso por causa de um livro em que refuta... 36 argumentos sobre a existência de Deus. Ao final da aventura de Seltzer, que inclui experiências transcendentais, um apêndice reúne os 36 argumentos e os desmonta, um a um, com base em razões da biologia, astronomia, geologia, matemática, filosofia...
 
A tensão entre a parte ficcional e os argumentos científicos faz de 36 Argumentos... uma divertida cilada para fanáticos de ambos os lados. "Incluí os aspectos emocionais da discussão filosófica no formato de romance para servir de contraste ao apêndice", diz Rebecca. "Ao final de tudo, uma nova visão pode emergir do encontro entre esses dois lados antagônicos." Confira abaixo a entrevista:
 
De que Deus a senhora fala em 36 Argumentos...?
É o Deus das religiões abraâmicas - Judaísmo, Cristianismo e Islamismo -, que tem três características principais. Primeiro, esse Deus existe fora do espaço e do tempo e decidiu criar o mundo e as leis da natureza a partir do nada. Segundo, ele tem um interesse moral nesse mundo — na diferença entre o bem e o mal, naquilo que devemos ou não fazer. Por fim, esse Deus interfere nesse mundo por meio de revelações, escrituras ou milagres.
 
A senhora acredita nesse Deus que acabou de descrever?
Não. Penso que podemos estabelecer moralidade sem teologia. Mas amo a definição de Deus do filósofo holandês Spinoza (1632-1677). Ele admite experiências transcendentais, mas não as justifica a partir da existência de um Deus abraâmico. Para ele, Deus e a natureza — o próprio universo — são a mesma coisa.
 
É possível ser um "ateu com alma", como o personagem principal de seu livro, o psicólogo Cass Seltzer?
Sim, é possível. O que faz de Cass meu herói ateu é que ele se mostra aberto a experiências transcendentais. É esse amor pelo universo que se expressa tão facilmente como religião. É aquela sensação grandiosa, magnífica, difícil de verbalizar, que às vezes nos toma completamente. É o combustível da grande arte, por assim dizer. É algo que o mundo secular não consegue traduzir ainda. Mas isso é porque o idioma religioso está pronto. A humanidade está há milênios exercitando essa linguagem. Já a tradução secular dessas experiências ainda está sendo desenvolvida.
 
Existe alguma explicação racional para essas sensações transcendentais?
Não acho que entendemos o suficiente a mente humana — ainda — para explicar por que somos capazes de experimentar essas coisas grandiosas. É uma área misteriosa. Contudo, não acho que isso coloque o ateísmo em contradição.
 
Em que diferem as experiências de ateus e religiosos?
Filosoficamente, penso que temos muitas personalidades. Quando estamos lidando com questões que estão além de uma resposta definitiva, como a existência de Deus, então nossa 'personalidade filosófica' entra em cena. É a maneira como encaramos o mundo, a forma como nos orientamos. Algumas pessoas escolhem canalizar suas experiências transcendentais em termos religiosos. Outras, em termos seculares. Seja qual for a decisão tomada, precisamos considerar as limitações dos dois lados. Os seculares precisam entender os limites da ciência e tolerar os mistérios. Já os religiosos, que a ciência pretende dar respostas honestas sobre a natureza e não deturpá-la.
 
Existe um meio-termo?
Com certeza. Mas primeiro os ateus têm que acabar com o pedantismo. Eles não têm que ensinar como as pessoas religiosas devem pensar. Isso é revoltante e tem que parar. Além disso, as pessoas religiosas têm que parar de pensar que ateus são imorais e não sabem a diferença entre o bem e o mal, o certo e o errado. Isso é falso - existe toda uma filosofia moral que fez muito bem ao mundo e nos tirou da idade das trevas, por exemplo. Quando os dois grupos deixarem de fazer essas coisas, será ótimo. As pessoas poderão ver que o modo como enxergam o mundo é muito semelhante. Se você é religioso, tente se aproximar de um ateu e entender, sem reservas, como ele enxerga o mundo moralmente, independente de suas convicções fundamentais. Se for ateu, faça o mesmo com uma pessoa religiosa.
 
O seu livro seria então uma tentativa de pacificar o debate?
Com certeza. E as reações das pessoas têm sido muito agradáveis. Tanto de pessoas muito religiosas quanto de ateus fervorosos. Acredito que isso acontece por causa da maneira como apresento os elementos desse debate. A ficção, nesse caso, é sorrateira. O romance é capaz de seduzir pessoas de ambos os lados e superar o preconceito. Ateus e religiosos acabam achando pontos em comum e no fim percebem que concordam mais do que discordam sobre o mundo.

Por que misturar a forma do romance com um apêndice científico?
O apêndice do livro mostra como eu penso. Eu queria que ele exercesse uma tensão na história que o precede. É uma forma honesta de mostrar os argumentos mais comuns a favor da existência de Deus e as falácias de cada um deles. Já o romance retrata a emoção que envolve esse debate. A emoção raramente está presente nesses debates justamente por ser tão complicada de retratar. Isso depende do modo como vemos o mundo, as decisões que tomamos, nossa experiência de vida e assim por diante. Tudo isso fica fora das discussões filosóficas sobre a existência de Deus. Contudo, incluí a emoção no formato de romance para servir de contraste ao apêndice. Ao final de tudo, uma nova visão pode emergir do encontro entre os dois lados antagônicos.
 
Alguns ateus consideram pessoas religiosas intelectualmente inferiores, e alguns religiosos consideram imorais os ateus. Qual a sua opinião?
É algo muito, muito triste. As duas afirmações são falsas. Venho de uma família judaica muito religiosa. E muitos de meus parentes religiosos são muito mais espertos do que eu, que sou ateia. Por isso, sei que experimentar o mundo de um jeito religioso e colocar essas sensações na linguagem religiosa não é um sinal de inferioridade intelectual.
 
Onde a senhora acha que esse debate irá nos levar?
Espero que o debate seja respeitoso e honesto. Que as pessoas consigam encontrar as semelhanças e trabalhar a partir daí. A civilização é tudo o que temos.
 
Fonte: Veja
 

 
O argumento cosmológico
 
1. Tudo que existe deve ter uma causa
2. O universo deve ter uma causa
3. Nada pode ser causa de si mesmo
4. O universo não pode ser causa de si mesmo
5. Algo fora do universo deve ter causado o universo
6. Deus é a única coisa que está fora do universo
7. Deus causou o universo
8. Deus existe
 
Falha: Se tudo que existe deve ter uma causa, quem causou Deus? Os teístas dizem que suas premissas têm ao menos uma exceção, mas não explicam por que Deus precisa ser a única exceção. O próprio universo poderia existir sem causa. Já que a responsabilidade precisa ir para alguém, por que não para o universo?
 
O argumento do projeto
 
1. Sempre que existem coisas que se combinam de forma coerente apenas por causa de um propósito ou função (por exemplo, todas as complicadas partes de um relógio que lhe permitem marcar o tempo), sabemos que houve um projetista, alguém que projetou com a função em mente; são coisas improváveis demais para terem surgido por processos físicos aleatórios (um furacão soprando através de uma loja de peças não conseguiria montar um relógio).
2. Os órgãos dos seres vivos, como o olho e o coração, se mantêm coesos apenas por terem uma função (o olho tem a córnea, lente, retina, e assim por diante, que se encontram no mesmo órgão apenas porque em conjunto possibilitam que o animal veja).
3. Esses órgãos precisam ter um projetista que os desenhou com sua função em mente: assim como um relógio implica um relojoeiro, o olho implica um fazedor de olhos
4. Essas coisas não tiveram um projetista humano
5. Portanto, essas coisas devem ter tido um projetista não humano
6. Deus é o projetista não humano
7. Deus existe
 
Falha: A falácia no argumento é a premissa 1. Partes de um objeto complexo servindo uma função complexa não requerem, na verdade, um projetista. Charles Darwin mostrou como processos de replicação podem dar origem à ilusão de projeto e projetista. Replicadores podem fazer cópias de si mesmos, que fazem cópias de si mesmos e assim por diante, dando origem a um sem número de descendentes. Os replicadores precisam competir pela energia e os materiais necessários para a replicação.
 
Uma vez que nenhum processo de copiagem é perfeito, podem acabar surgindo erros, e qualquer erro que leve o replicador a se reproduzir com mais eficiência que os competidores resultará na predominância daquela linhagem na população. Após várias gerações, os dominantes parecerão ter sido projetados para replicação eficaz, mas tudo que fizeram foi acumular erros de copiagem, que no passado levaram a uma reprodução eficaz.
 
O argumento do Big Bang
 
1. O Big Bang, de acordo com a melhor opinião científica de nossos dias, foi o início do universo físico, incluindo não apenas matéria e energia, mas o espaço e o tempo e as leis da física
2. O universo veio a existir do nada
3. Algo fora do universo, inclusive de fora das leis físicas, deve ter trazido o universo para a existência
4. Somente Deus poderia existir fora do universo
5. Deus deve ter feito o universo existir
6. Deus existe
 
Falha: Nem os cosmólogos concordam que o Big Bang é uma singularidade, a aparição súbita de tudo. Ele pode representar a emergência de um novo universo a partir de outro previamente existente, situação explicada por leis físicas. Nesse caso, seria supérfluo invocar Deus para explicar o surgimento de algo a partir de nada.
 
O argumento das preces atendidas
 
1. Às vezes as pessoas rezam a Deus pedindo boa fortuna, e contrariando enormes chances, os pedidos são atendidos (por exemplo, um pai que reza pela vida de um filho moribundo, e a criança se recupera)
2. As chances de o evento benéfico acontecer são enormemente reduzidas
3. As chances de a prece ser seguida pela recuperação da criança por puro acaso são extremamente pequenas
4. A prece só poderia ter sido seguida pela recuperação se Deus a escutasse e a fizesse realizar-se
5. Deus existe
 
Falha: A premissa 3 é verdadeira. Contudo, usá-la para inferir que ocorreu um milagre (uma prece atendida é certamente um milagre) é subvertê-la. Não há nada que seja menos provável que um milagre, já que constitui violação de uma lei da natureza. Portanto, é mais razoável concluir que a conjunção de prece e recuperação seja uma coincidência do que ser uma prece atendida.
 
Além disso, dada a amostragem suficientemente grande de preces (o número de vezes que as pessoas pedem a Deus para ajudar a elas é muito grande), o improvável está sujeito a acontecer ocasionalmente.
 
O argumento do consenso da humanidade
 
1. Toda cultura em toda época tem tido crenças teístas
2. Quando povos, largamente separados tanto por espaço como por tempo, possuem crenças semelhantes, a melhor explicação é que essas crenças sejam verdade
3. A melhor explicação para o porquê de cada cultura ter crenças teístas é que essas crenças são verdade
4. Deus existe
 
Falha: A premissa 2 é falsa porque povos largamente separados poderiam muito bem inventar as mesmas crenças, só que falsas. A natureza humana é universal, e assim propensa a ilusões universais e deficiências de percepção, memória, raciocínio e objetividade.

Lar da Bênção

Selecionei o trecho abaixo, do livro Entre a Terra e o Céu, onde André Luiz narra como acontece uma visita de familiares às crianças desencarnadas. Descreve o ambiente onde estas crianças ficam abrigadas para dar continuidade ao seu desenvolvimento e como se processam as lembranças desta visita após acordarmos.
 
Diversos livros narram cenários muito semelhantes, de modo que não é são necessárias mensagens pessoais para entendermos a situação em que se encontram nossos pequeninos após a partida. Assim como na Terra consideramos a infância uma fase merecedora de cuidados especiais, sem distinções, também na espiritualidade todas as crianças são merecedoras da mesmo acolhimento e carinho, indistintamente.
 
O afastamento também é menor do que imaginamos, pois as visitas são frequentes, como nos hospitais da Terra, não só pelo interesse dos familiares, mas da próprias crianças, que se sentem mais felizes ao receberem a visita das pessoas que ama, o que facilita o seu desenvolvimento.
 
Boas reflexões!
 
Ramon de Andrade
Palmares-PE
 

 
Deliciosa excursão
 
(...)
 
Entrelaçando as mãos e conservando nossas irmãs no circuito fechado de nossas forças, empreendemos a formosa romagem.
 
Quem na Terra poderá imaginar as deliciosas sensações da alma livre?
 
Viajando com a rapidez do pensamento, avançámos à frente da sombra noturna, largando para trás o deslumbramento da aurora, em colorido e cantante dilúculo...
 
Atingindo formosa paisagem, banhada de suave luz, em que um parque imponente e acolhedor se distendia, fixei o semblante de nossas companheiras, que se mostravam extáticas e felizes.
 
Dona Antonina, amparando-se em Clarêncio qual se fora uma filha apoiada nos braços paternos, inquiriu, maravilhada:
 
— Porque não transformar esta excursão em transferência definitiva? Pesa o corpo, à maneira de insuportável cruz de carne, quando conseguimos sentir a Terra, de longe...
 
— É verdade — concordou a outra irmã, que se sustentava em nós —, porque não nos é dado permanecer, olvidando os pesares e os dissabores do mundo?
 
— Compreendemos — ajuntou o Ministro, generoso —, compreendemos quanta inquietação punge o espírito reencarnado, mormente quando desperto para a beleza da vida superior, entretanto, é indispensável saibamos louvar a oportunidade de servir, sem jamais desmerecê-la.
 
Achamo-nos ainda distantes da redenção total e todos nós, com alternativas mais ou menos longas, devemos abraçar a luta na carne, de modo a solver com dignidade nossos velhos compromissos. Somos viajores nos milênios incessantes. Ontem fomos auxiliados, hoje nos cabe auxiliar.
 
Á medida que avançávamos, ondas de perfume acentuavam-se, em torno de nós, revigorando-nos as energias e induzindo-nos a respirar a longos sorvos.
 
Flores de contextura delicada pendiam abundantemente de árvores vigorosas, embalsamando as leves virações que sussurravam encantadoras melodias...
 
Como se trouxesse agora todo o busto engrinaldado de luz, Clarêncio sorria, bondoso.
 
Emudecera-se-lhe a palavra.
 
Sentiamo-nos todos magnetizados e enternecidos ante a beleza do quadro que nos prendia a admiração.
 
Antonina, porém, como se estivesse irradiando insopitável curiosidade, mesclada de alegria, voltou a exclamar:
 
— Ah! se morrêssemos hoje!... se a carne não nos pesasse mais!...
 
O Ministro, contudo, imprimindo mais grave entonação à voz, mas sem perder a brandura que lhe era peculiar, considerou, de imediato:
 
— Se hoje abandonassem o veículo de matéria densa, quem diz que seriam felizes? Quem de nós obterá a suprema ventura, sem a perfeita sublimação pessoal?
 
E, fitando Antonina com bondade misturada de compaixão, observou:
 
— Agora, vocês visitarão filhinhos abençoados que a morte lhes arrebatou temporàriamente ao convívio terrestre. Vocês se sentem como que num palácio dourado, em pleno paraíso de amor, mas, e os filhinhos que ficam? Haverá Céu sem a presença daqueles que amamos? Teremos paz sem alegria para os que moram em nosso coração? Imaginemos que as algemas do cárcere físico se partissem agora... O atormentado lar humano cresceria de vulto na saudade que as tomaria de assalto... A lembrança dos filhos aprisionados no Planeta acorrentá-las-ia ao mundo carnal, à maneira de forte raiz retendo a árvore no solo escuro. Os rogos e os gemidos, as lutas e as provas dos rebentos menos felizes da existência lhes falariam ao espírito mais imperiosamente que os cânticos de bem-aventurança dos filhos afortunados e, naturalmente, desceriam do Céu para a Terra, preferindo a posição de angustiadas servas invisíveis, trocando a resplendente glória da liberdade pelos dolorosos padecimentos da prisão, de vez que a ventura maior de quem ama reside em dar de si mesmo, a favor das criaturas amadas...
 
As duas mulheres ouviram as sensatas ponderações sem dizer palavra.
 
(...)
 
O firmamento parecia responder às sugestões da palestra admirável.
 
Bandos de aves mansas pousavam na ramaria que brilhava não longe de nós.
 
O Sol apresentava perceptíveis raios diferentes, até agora desconhecidos à apreciação comum na Terra, provocando indefiníveis combinações de cor e luz.
 
Por abençoada e colorida colmeia de amor, harmonioso casario surgiu ao nosso olhar.
 
Centenas de crianças brincavam entre fontes e flores de maravilhoso jardim.
 

 
No Lar da Bênção
 
Clarêncio movimentou a destra, indicando-nos o quadro sublime a desdobrar-se sob a nossa vista.
 
Doce melodia que enorme conjunto de meninos acompanhava, cantando um hino delicado de exaltação do amor materno, vibrava no ar.
 
Aqui e ali, sob tufos de vegetação verde-clara, muitas senhoras sustentavam lindas crianças nos braços.
 
— É o Lar da Bênção — informou o instrutor, satisfeito. — Nesta hora, muitas irmãs da Terra chegam em visita a filhinhos desencarnados. Temos aqui importante colônia educativa, misto de escola de mães e domicílio dos pequeninos que regressam da esfera carnal.
 
O Ministro, porém, interrompeu-se, de improviso.
 
Nossas companheiras pareciam agora tomadas de jubilosa aflição.
 
Vimo-las desgarrar, de inopino, qual se fossem atraidas por forças irresistíveis, precipitando-se para os anjinhos que cantarolavam alegremente. Enquanto a que nos era menos conhecida enlaçava louro petiz, com infinito contentamento a expressar-se em lágrimas, dona Antonina abraçou um pequeno de formoso semblante, gritando, feliz:
 
— Marcos! Marcos!...
 
— Mãezinha! Mãezinha!... — respondeu a criança, colando-se-lhe ao peito.
 
Clarêncio fêz sinal para as irmãs vigilantes, que se responsabilizavam pelos entretenimentos no parque, como a solicitar-lhes proteção e carinho para as nossas associadas de excursão. (...)
 
(...)
 
Hilário, aderindo à renovação da palestra, indagou da irmã Blandina se ela era a dirigente do parque em que nos achávamos, ao que ela informou, com humildade:
 
— Não me atribua tamanho crédito. Tenho tarefas variadas aqui e alhures, entretanto, sou mera servidora. O nosso educandário guarda mais de duas mil crianças, mas, sob os meus cuidados, permanecem apenas doze. Somos um grande conjunto de lares, nos quais muitas almas femininas se reajustam para a venerável missão da maternidade e conosco multidões de meninos encontram abrigo para o desenvolvimento que lhes é necessário, salientando-se que quase todos se destinam ao retorno à Terra para a reintegração no aprendizado que lhes compete.
 
— E a direção central? — inquiriu meu colega, esmiuçador.
 
— Não reside aqui. O parque é uma das várias dependências de vasto estabelecimento de assistência e educação, do qual somos hoje tutelados. No fundo, nossa casa é uma larga escola, dotada com todos os recursos indispensáveis ao nosso aproveitamento. Os melhores processos de habilitação espiritual funcionam conosco, em benefício dos que vão renascer na carne e dos que se dirigirão, mais tarde, às Esferas Superiores.
 
— Mas possuem aqui até mesmo os cursos primários de alfabetização?
 
— Como não? – falou nossa jovem amiga – precisamos movimentar todas as medidas de despertamento espiritual ao nosso alcance. A cultura intelectual pode não ser condição básica de nossa felicidade, no entanto, é imperativo de engrandecimento de nossa alma. Quem não sabe ler, não sabe ver como deve.
 
(...)
 
A conversação era fascinante e as perguntas pareciam brilhar ainda, nos olhos de Hilário, maravilhado tanto quanto nós, ante as elucidações que recebia, mas a hora esgotara-se.
 
Um sinal de Clarêncio fêz-nos sentir que havíamos alcançado o momento da volta.
 

 
Estudando sempre
 
Às despedidas, retomámos as excursionistas sob a nossa guarda e, em pouco tempo, achávamo-nos, de novo, no caminho terrestre.
 
Da faixa de luz solar, tornámos à imersão na sombra noturna, mas o espetáculo do céu não diminuíra em beleza, porque as primeiras cores da alvorada tingiam o distanciado horizonte.
 
Clarêncio restituiu a companheira de Antonina ao lar, depois de afetuoso adeus. E, sem maiores delongas, demandámos o ninho doméstico de nossa amiga.
 
Antonina mostrava-se calada, tristonha...
 
Dir-se-ia teimava em permanecer, para sempre, junto do pequenino que a precedera na longa viagem da morte. Todavia, em penetrando o estreito santuário familiar, dirigiu-se apressadamente ao quarto, de coração novamente atraído para os outros filhinhos.
 
O Ministro, paternal, fê-la deitar-se e aplicou-lhe recursos magnéticos sobre os centros corticais. A mãezinha de Marcos demonstrou experimentar leve e doce vertigem...
 
Atendendo ao orientador, demorámo-nos em observação, notando que a Antonina de nossa maravilhosa viagem aderira ao corpo denso, qual se fora por ele sugada, à maneira de formosa mulher, de forma sutil e semilúcida, repentinamente engulida por bainha de sombra. Em se justapondo ao cérebro físico, perdera a acuidade mental com que se caracterizava junto de nós. Com a fisionomia calma e feliz, despertou no veículo pesado...
 
Contudo, Antonina não mais nos viu.
 
Era agora simplesmente a mulher humana, nas cobertas agasalhantes do leito, acomodada à escuridão do recinto.
 
Lembrava-se, sim, do passeio ao Lar da Bênção, mas através de impressões a se esfumarem, rápidas.
 
Só a imagem do filhinho, tema central do seu amor, lhe persistia clara e movimentada na memória...
 
Nossa presença e todas as demais particularidades do vôo sublime lhe acudiara à lembrança por acessórios fantásticos a se lhe perderem nos obscuros escaninhos da imaginação.
 
Como quem seleciona preciosidades, a consolada mãezinha procurava, ansiosa, nos arquivos da própria mente, todas as palavras que ouvira do filho abençoado, buscando retê-las no escrínio do coração. Por isso, das valiosas observações de Clarêncio, em poucos minutos não lhe restava na alma qualquer reminiscência.
 
Antonina movimentou-se, fêz luz e ouvimo-la pensar, vibrante: — Oh!  meu Deus, que alegria! pude vê-lo perfeitamente! quero guardar a recordação deste sonho divino!... Marcos, Marcos, que saudades, meu filho!...
 
O Ministro abeirou-se dela, acariciou-lhe a cabeça, como se a envolvesse em fluidos calmantes e a simpática senhora restabeleceu a sombra no recinto.
 
Abraçando a caçula que repousava ao seu lado, novamente dormiu.
 
— Nossa amiga não poderá guardar positivas recordações — informou Clarêncio com atenção.
 
— Mas, porquê? — indagou Hilário, admirado.
 
— Raros Espíritos estão habilitados a viver na Terra, com as visões da vida eterna. A penumbra interior é o clima que lhes é necessário. A exata lembrança para ela redundaria em saudade morta!
 
— Como isso é lamentável! — alegou o meu companheiro, penalizado.
 
O Ministro todavia, explicou paciente:
 
— Cada estágio na vida se caracteriza por finalidades especiais. O mel é saboroso néctar para a criança, mas não deve ser ministrado indiscriminadamente. Reclama dosagem para não vir a ser importuno laxativo. O contacto com o reino espiritual, enquanto nos demoramos no envoltório terrestre, não pode ser dilatado em toda a extensão, para que nossa alma não afrouxe o interesse de lutar dignamente até o fim do corpo. Antonina lembrarse-á de nossa excursão mas de modo vago, como quem traz no campo vivo da alma um belo quadro de esbatidos contornos. Recordarse-á porém, do filhinho mais vivamente, o bastante para sentir-se reconfortada e convicta de que Marcos a espera na Vida maior. Semelhante certeza ser-lhe-á doce alimento ao coração.
 
Francisco Cândido Xavier
Ditado pelo espírito André Luiz
Capítulos 8 a 12

sábado, 13 de agosto de 2011

Berçário do Céu

A ESFERA DAS CRIANÇAS
 
Uma das inúmeras perguntas que fiz a Edwin logo após minha chegada referia-se ao destino dado às crianças que passavam a espírito.
 
Há um período de nossa vida terrena a que estamos acostumados a chamar Flor da idade. Há uma também aqui, e é na direção desse período que todas as almas ou voltam ou se adiantam, conforme a idade em que tem lugar seu passamento. Quanto tempo leva, depende inteiramente delas, visto que é apenas uma questão de progresso espiritual e desenvolvimento, apesar, de que para os jovens este período seja geralmente mais curto. Aqueles que passam a espírito depois da flor da idade, sejam eles idosos ou de meia-idade, tornar-se-ão mais jovens na aparência apesar de amadurecerem espiritualmente. Não se deve concluir com isso que nós todos chegamos a um nível estático de vulgar uniformidade. Externamente parecemos jovens: perdemos aqueles sinais que a passagem dos anos causa e que tanto nos perturbam quando mortais. Mas nossas mentes tornam-se mais velhas ao ganharmos conhecimento e sabedoria e maior espiritualidade, e essas qualidades da mente são manifestas a todos com quem entramos em contato.
 
Quando visitamos o templo da cidade, e, à distância, vimos o radiante visitante que viéramos honrar, ele apresentava o aspecto perfeito e eterno da juventude. No entanto o grau de sabedoria e espiritualidade que difundia e que podíamos sentir com nossas mentes, era avassaladoramente grande. Acontece o mesmo, em vários graus, com aqueles que vêm dos mais altos planos para nos visitar. Se, portanto, verificamos este rejuvenescimento de pessoas adultas, o que se dará com as almas dos que morreram crianças ou dos que morreram ao nascer?
 
A resposta é que crescem como o fariam na terra. Mas às crianças daqui — de todas as idades — é dado um tratamento e cuidado que nunca seria possível na terra.
 
A criança cuja mente ainda não está completamente formada e não está contaminada pelos contatos terrenos, ao passar a espírito acha-se num reino de extrema beleza, presidido por almas igualmente belas. O reino destas crianças chama-se o berçário do céu e quem quer que tenha a fortuna de visitá-lo sabe que não há termo mais adequado. E foi em resposta à minha pergunta que Edwin propôs levar Rute e eu para o conhecermos.
 
(...)
 
Vimos vários esplêndidos edifícios ao caminharmos pela grama macia. Não eram muito altos mas largos e extensos, e todos agradavelmente situados entre jardins floridos.
 
(...)
 
Os prédios leiam construídos de uma substância semelhante ao alabastro, e de tonalidades as mais delicadas; o estilo da arquitetura lembrava os de nossa própria esfera.
 
Mas o que nos provocou maior surpresa foi o ver, confundidas no meio dos bosques, as mais engraçadas casinhas de campo, tais como costumamos ver em livros de fadas. Havia minúsculas casas de vigas recurvas, telhados vermelhos e janelas de minúsculos vidros, e cada uma com o seu encantador jardim ao redor.
 
(...)
 
Grande número de crianças vivem nessas minúsculas habitações, cada uma presidida por uma criança mais velha, perfeitamente capaz de enfrentar qualquer situação que surja entre os habitantes.
 
Ao andarmos víamos grupos de crianças felizes, algumas jogando, outras sentadas na grama enquanto uma professora lia para elas. Outras ouviam atentamente as explicações sobre flores numa aula de botânica. Mas era uma botânica muito diferente da da terra, no que se refere às flores essencialmente espirituais.
 
Edwin levou-nos a uma das professoras e explicou-lhe a razão de nossa visita. Imediatamente nos deram as boas-vindas e a professora teve a bondade de responder a algumas perguntas. Seu entusiasmo pelo trabalho aumentava o prazer de nos contar o que desejássemos. Ela estava aqui havia um bom número de anos. Como tivera filhos na terra e como se interessasse muito por crianças resolveu encarregar-se desse trabalho.
 
(...)
 
Nesta esfera, nos disseram, há crianças de todas as idades, desde o bebê, cuja existência na terra não foi além de alguns minutos ou que nem chegou a ter existência própria, ao jovem de dezesseis ou dezessete anos.
 
(...)
 
O crescimento mental e físico da criança no mundo espiritual é mais rápido do que no mundo terrestre. Vós vos lembrais da retenção da memória de que já vos falei? Ela começa assim que a mente seja capaz de aprender algo, e isso acontece bem cedo. A aparente precocidade é perfeitamente natural, porque a mente jovem absorve conhecimentos facilmente. O temperamento é cuidadosamente estudado pelas linhas espirituais e as crianças são treinadas primeiro a respeito de assuntos espirituais e depois é que são instruídas acerca do mundo.
 
(...)
 
Surge sempre esta pergunta na mente de pessoas da terra, com referência a crianças que já morreram: "Poderemos nós reconhecer nossos filhos quando chegarmos ao mundo espiritual?", A resposta é um enfático sim, fora de qualquer dúvida. — "Mas como? se eles cresceram no mundo espiritual e longe de nossas vistas?"
 
Para responder, é necessário conhecer um pouco mais a respeito de nós mesmos.
 
Deveis saber que, quando dormimos, o espírito se retira temporariamente do corpo físico, se bem que permaneça ligado a ele por um fio magnético. Esta ligação é o fio da vida entre o espírito e o corpo. O espírito, assim liberto, ou permanece nas vizinhanças do corpo ou gravitará para a esfera que seus atos terrenos lhe terão dado direito de freqüentar. O espírito passa, portanto, parte da sua existência em terras espirituais. E é nestas visitas que encontramos parentes e amigos que morreram antes de nós; é também nessas visitas que os pais podem encontrar seus filhos, e assim observar seu crescimento. Na maioria dos casos os pais não podem penetrar na esfera dos próprios filhos, mas há inúmeros lugares onde tais encontros podem ocorrer. Lembrando o que eu disse sobre a retenção da memória subconsciente, vereis que, em tais casos não pode haver problema para reconhecer um filho, porque o pai viu o filho e observou seu crescimento da mesma maneira que o teria feito se a criança permanecesse na terra.
 
Deve haver, é claro, suficientes laços afetivos entre os dois, do contrário esta lei não funciona. Onde eles não existem, a conclusão é óbvia. O laço de afeição e interesse deve também existir entre todas as relações humanas no mundo espiritual, seja entre marido e mulher, pai e filho ou entre amigos. Sem ele é problemático que as pessoas se encontrem, a não ser ocasional e fortuitamente.
 
O reino das crianças é uma cidade em si, contendo tudo que grandes mentes, inspiradas pela Mente Suprema, podem fornecer para o bem-estar, conforto, educação, prazer e felicidade de seus jovens habitantes. Os templos do saber estão equipados com todo o necessário para a difusão do saber, daqueles que não o possuem ainda no menor grau, e que portanto precisam começar pelo começo. Isto se refere a crianças que morreram muito cedo. Crianças que deixam o mundo nos seus primeiros anos continuarão seus estudos onde os largaram, eliminando todos os que não lhes serão de utilidade futura, e acrescentando os espiritualmente necessários. Assim que alcançam idade adequada podem escolher seu futuro e estudar de acordo com suas preferências. E elas têm, como era de esperar, as mesmas oportunidades, os mesmos direitos à herança espiritual, como os temos todos, velhos ou novos.
 
E todos fixamos o mesmo alvo — a felicidade perfeita e perpétua.
 
A VIDA NOS MUNDOS INVISÍVEIS
Monsenhor Robert Hugh Benson
Por Anthony Borgia
Editora Pensamento

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

A Terapêutica da Fé

Será dado um dia ao homem compreender o mistério da Divindade?

"Quando não mais tiver o espírito obscurecido pela matéria. Quando, pela sua perfeição, se houver aproximado de Deus, ele o verá e compreenderá."

A inferioridade das faculdades do homem não lhe permite compreender a natureza íntima de Deus. Na infância da Humanidade, o homem o confunde muitas vezes com a criatura, cujas imperfeições lhe atribui; mas, à medida que nele se desenvolve o senso moral, seu pensamento penetra melhor no âmago das coisas; então, faz idéia mais justa da Divindade e, ainda que sempre incompleta, mais conforme à sã razão.
 
O Livro dos Espíritos
Questão 11
 

Concepção de Deus altera níveis de preocupação e estresse
Redação do Diário da Saúde
09/08/2011

"O sumo bem"
 
Pesquisadores descobriram que as pessoas que acreditam em um Deus benevolente tendem a se preocupar menos e serem mais tolerantes do que as pessoas que acreditam que Deus é um ser punitivo ou indiferente.
 
David H. Rosmarin e seus colegas da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, destacam a urgência de que os profissionais de saúde mental integrem as crenças espirituais de seus pacientes na formulação dos tratamentos.
 
E, segundo eles, isso ainda é mais verdadeiro no caso de pacientes assumidamente religiosos.
 
Religião e psiquiatria
 
"As implicações desta pesquisa para o campo da psiquiatria é que nós temos que levar mais a sério a espiritualidade dos pacientes do que nós fazemos hoje", afirma Rosmarin.
 
"A maioria dos psiquiatras está despreparada para conceitualizar como as crenças espirituais podem contribuir para o estado afetivo e, assim, muitos teimam em não integrar esse tema no tratamento de uma forma que seja espiritualmente sensível", completa.
 
A pesquisa incluiu inicialmente entrevistas com cristãos e judeus.
 
As conclusões mostram que as pessoas que confiam que Deus olha por elas têm menores níveis de preocupação e menos intolerância com a incerteza em suas vidas do que aquelas pessoas que não acreditam que Deus virá ajudá-las.
 
Deus para os judeus
 
Um segundo estudo trabalhou diretamente com os adeptos do judaísmo, devido às tendências verificadas na primeira pesquisa.
 
Os voluntários participaram de um programa de duas semanas, no qual assistiam filmes e palestras voltados para aumentar a confiança em Deus e diminuir a desconfiança na ajuda de Deus.
 
Os resultados foram os esperados em relação à concepção de Deus - aumentando a confiança das pessoas no "ser supremo" - mas também resultaram em diminuições clínica e estatisticamente significativas na intolerância, na incerteza, nas preocupações e no estresse.
 
"Estas descobertas ... sugerem que certas crenças espirituais estão intimamente ligadas à intolerância à incerteza e às preocupações para alguns indivíduos", concluem os pesquisadores.
 
Loucura
 
Eles destacam o fato de que, embora mais de 90% da população afirme acreditar em Deus ou em uma "força superior", e cerca de 50% afirmar que a religião é muito importante em suas vidas, os médicos ainda não levam a espiritualidade em conta no atendimento aos pacientes.
 
"Isso é loucura", diz ele. "Nós nem mesmo perguntamos. Nós não somos treinados para fazer isso. E isso é importante", afirma, acentuando que não se trata de uma questão religiosa, mas de uma questão de saúde pública.
 

Onde estará o meu amor?

Onde Estará O Meu Amor
Chico César
 
Como esta noite findará
E o sol então rebrilhará
Estou pensando em você...
Onde estará o meu amor?

Será que vela como eu?
Será que chama como eu?
Será que pergunta por mim?
Onde estará o meu amor?

Se a voz da noite responder
Onde estou eu, onde está você
Estamos cá dentro de nós
Sós...

Se a voz da noite silenciar
Raio de sol vai me levar
Raio de sol vai lhe trazer
Onde estará o meu amor?


 
"Bom dia, Ramon. Gostaria de agradecer pelo e-mail tão reconfortante que você me enviou. Se possível, gostaria  que me mandasse outros, pois ainda sinto muita falta dela e essas mensagens me fazem lembrar que ela está ao meu lado em espírito. Sempre choro por não ter o seu corpinho material junto a mim. Gostaria ainda  que você e Suzana fossem ao centro que estou frenquentando, apenas para visitar. Está sendo muito útil, estou aprendendo coisas novas e tenho respostas para os meus questionamentos. Mais uma vez, obrigada."
 

 
Olá, amiga. Mandarei outros textos sim.
 
Olha, sobre seu sonho com sua pequenina, saiba que há grandes chances de ter sido uma visita real. Comparei as cenas que você descreveu com o que tenho lido em alguns livros e existem muitos pontos em comum. Após longas enfermidades, somos acolhidos em centros de reabilitação no plano espiritual, exatamente como aconteceria aqui na Terra, para que nos recuperemos da experiência difícil. É como o período de repouso após uma cirurgia.
 
Assim como num hospital, podemos receber visitas de parentes da Terra. Por sinal, essa visitas podem se repetir com frequência, sem que você lembre ao acordar, como você leu no artigo que te enviei. O mesmo pode acontecer com a mãe, o pai e os avós. Os objetos hospitalares que você viu ainda ligados a ela são resultado das experiências que ela vivenciou durante as internações e que ainda estão bem recentes na mente dela. Uma pessoa, por exemplo, que usava óculos, anéis, colares, etc, se verá com estes objetos durante algum tempo após sua passagem para a outra vida, até que compreenda que eles não são mais necessários.

Segundo as descrições que lemos em diversos livros, ela provavelmente está num centro de acolhimento para crianças, sob os cuidados de parentes já desencarnados que talvez nem tenha conhecido em vida, pela pouca idade que tinha. Nestes centros, ela dará continuidade ao seu crescimento e estudos, até atingir a idade adulta, quando estará em condições de compreender o que se passou. Nada é antecipado, todas as informações chegam no tempo certo, para não causar choques. É possível, por exemplo, que ela imagine que foi transferida para um hospital mais distante, onde enfim poderá ficar curada e reencontrar mais tarde as pessoas que ama. Esta simples possibilidade é o bastante para deixá-la muito feliz.

Para nós, lembrar dessas visitas feitas durante o sono é uma exceção raramente concedida, para nosso próprio bem. E o que poderia haver de bom em não lembrar? Dar continuidade a nossa vida normal, sem nos tornarmos prisioneiros das lembranças e da saudade. E que mal poderia haver em lembrar de todas estas visitas? A mairora de nós ficaria ansiosa para dormir e reencontrar nosso afeto novamente, descuidando de nossas responsabilidades diárias. Isso interferiria negativamente em nossa vida e por isso essa lembranças são muito bem dosadas, para não interromper nosso aprendizado na escola da vida, onde continuamos matriculados por não havermos ainda completado nossas lições.

Todo cuidado com mensagens assinadas pelas pessoas queridas que buscamos. Mesmo que os portadores (médiuns) não cobrem nada, não estão livres de se enganar e muitas vezes são vítimas ingênuas da própria boa-vontade. A menos que as mensagens tragam sinais inconfundíveis de identidade e informações desconhecidas pelo médium, não devem ser consideradas. Qualquer médium pode escrever "mãezinha querida", mas raros são capazes de revelar um apelido, uma frase ou uma cena familiar completamente reservada. A dor e a saudade nos deixam muito vulneráveis e é nesse momento que precisamos redobrar a atenção.

Mais recomendável que esperar por cartas ou mensagens pessoais é estudar os casos semelhantes de contatos familiares comprovadamente reconhecidos, especialmente através dos livros de Chico Xavier, muito ricos neste assunto. Analisando estas narrativas, conseguiremos compreender o próprio mecanismo e deduzir o que desejamos saber sobre nosso caso específico.
 
Não há nenhum detalhe inútil na grande engrenagem da vida. Se tivermos paciência, resignação e vontade de entender, aprenderemos passo-a-passo, dia-a-dia a ler corretamente no livro da vida a retidão dos caminhos de Deus e ficaramos deslumbrados com a perfeição de seus propósitos.
 
Um forte abraço a até mais!
 
Lúcio, Suzana e Ramon

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A Armadilha do Vitimismo

Nascido em Ituiutaba (MG) a vida do médium Jerônimo Mendonça (1939-1989) foi um exemplo de superação de limites. Totalmente paralítico há mais de trinta anos, sem mover nem o pescoço, cego há mais de vinte anos, com artrite reumatóide que lhe dava dores terríveis no peito e em todo o corpo, era levado por mãos amigas pelo Brasil afora, para proferir palestras. Foi tão grande o seu exemplo que foi apelidado "O Gigante Deitado" pelos amigos e pela imprensa.

Houve uma época, em meados de 1960, quando ainda enxergava, que Jerônimo quase desencarnou. Uma hemorragia acentuada, das vias urinárias, o acometeu. Estava internado num hospital de Ituiutaba quando o médico, amigo, chamou seus companheiros espíritas que ali estavam e lhes disse que o caso não tinha solução. A hemorragia não cedia e ele ia desencarnar.

- Doutor, será que podemos pelo menos levá-lo até Uberaba, para despedir-se de Chico Xavier? Eles são muitos amigos.

- Só se for de avião. De carro ele morre no meio do caminho.

Um de seus amigos tinha avião. Levaram-no para Uberaba. O lençol que o cobria era branco. Quando chegaram a Uberaba, estava vermelho, tinto de sangue. Chegaram à Comunhão Espírita, onde o Chico trabalhava então. Naquela hora ele não estava, participava de trabalho de peregrinação, visita fraterna, levando o pão e o evangelho aos pobres e doentes.

Ao chegar, vendo o amigo vermelho de sangue disse o Chico:

- Olha só quem está nos visitando! O Jerônimo! Está parecendo uma rosa vermelha! Vamos todos dar uma beijo nessa rosa, mas com muito cuidado para ela não "despetalar".

Um a um os companheiros passavam e lhe davam um suave beijo no rosto. Ele sentia a vibração da energia fluídica que recebia em cada beijo. Finalmente, Chico deu-lhe um beijo, colocando a mão no seu abdome, permanecendo assim por alguns minutos. Era a sensação de um choque de alta voltagem saindo da mão de Chico, o que Jerônimo percebeu. A hemorragia parou.

Ele que, fraco, havia ido ali se despedir, para desencarnar, acabou fazendo a explanação evangélica, a pedido de Chico, e em seguida veio a explicação:

- Você sabe o porquê desta hemorragia, Jerônimo?

- Não, Chico.

- Foi porque você aceitou o "coitadinho". Coitadinho do Jerônimo, coitadinho... Você desenvolveu a autopiedade. Começou a ter dó de você mesmo. Isso gerou um processo destrutivo. O seu pensamento negativo fluidicamente interferiu no seu corpo físico, gerando a lesão. Doravante, Jerônimo, vença o coitadinho. Tenha bom ânimo, alegre-se, cante, brinque, para que os outros não sintam piedade de você.

Ele seguiu o conselho. A partir de então, após as palestras, ele cantava e contava histórias hilariantes sobre as suas dificuldades. A maioria das pessoas esquecia, nestes momentos, que ele era cego e paralítico. Tornava-se igual aos sadios.

Sobreviveu quase trinta anos após a hemorragia "fatal". Venceu o "coitadinho".

Que essa história nos seja um exemplo, para que nos momentos difíceis tenhamos bom ânimo, vencendo a nossa tendência natural de autopiedade e esmorecimento.

Extraído do Jornal Espírita de Setembro de 2007