segunda-feira, 4 de maio de 2009

PINGOS NOS I's

ENTREVISTA: LUCIANO DOS ANJOS
 
LUCIANO: "Espírito pseudo-sábio se caracteriza principalmente pela presunção de que sabe mais do que realmente sabe, como ensina O Livro dos Espíritos. Ora, relativamente aos subsídios técnico-científicos inseridos em Evolução em Dois Mundos e Mecanismos da Mediunidade, André Luiz os recolheu de outros autores (vide a seguir a resposta 18). Resta a tese que, fosse ainda de um pseudo-sábio, é simplesmente extraordinária. Vamos lá. Façam outra igual para a gente ler!"  Luciano dos Anjos    
 
CA: Luciano, é sempre um prazer conversar com você. Como está?
-  Deslumbrado com minhas netinhas. E ensinando-lhes, ao lado dos pais e sempre que oportuno, o Evangelho e a nossa doutrina. É importante evangelizar as crianças no lar, como recomendam Emmanuel e Joanna de Ângelis. Jamais irão parar numa escolinha de evangelho.
 
CA: Quais as novidades? Há algum livro novo em perspectiva?
-  Sobre o movimento espírita (que prossegue com maiúsculas...), às vezes rio, às vezes choro. Por exemplo: num centro aqui do Rio, bem freqüentado e rotulado de kardecista, existe agora um gato fluídico, que permanece na coleira, junto à mesa, enquanto os oradores falam. O médium da casa explicou – e o presidente endossou – que o bichano tem a faculdade de absorver os fluidos negativos do ambiente. Já sugeri, considerando que estamos em temporada febril de hinos espíritas, a elaboração de mais um: Atirei o Pau no Gato. E também que sejam compradas mais duas coleiras, uma para o médium e outra para o presidente, a fim de que não andem soltos por aí.

Essa novidade faz rir. Mas para chorar conto que caminhamos destrambelhados para a total igrejificação. As consciências se deixam dominar com incrível facilidade e as cúpulas (que adoram mandar e dar ordens) fazem o que bem querem. Ninguém pergunta, ninguém contesta, ninguém reage. Os espíritas estão acoelhados e acham que vai tudo muito bem e que, embora seguindo os passos da igreja católica, esse é o caminho. Não percebem que tomaram um atalho cujo fim é o abismo.

Sobre meus livros, há quatro para saírem: Carma e Livre-Arbítrio, Quem foi Quem, Fora do Centro Espírita não há Salvação e Jean-Baptiste Roustaing – O Missionário da Fé. O primeiro mostra como funciona a lei de Deus; o segundo é uma relação de conhecidas personalidades com suas diversas reencarnações; o terceiro é uma crítica ácida à mentalidade que frutificou dentro do movimento espírita (açulada pelos dirigentes) no sentido de que é imprescindível freqüentar centro espírita; o quarto é a biografia do missionário de Bordeaux, com documentos inéditos e uma árvore genealógica montada por mim e que nem as instituições culturais da sua cidade natal conheciam.
 
CA: Luciano dos Anjos continua polêmico?
-  Que foi que você achou da duas respostas anteriores? Nada obstante, é bom recordar que preeminentes figuras do espiritismo passaram à história exatamente como grandes polemistas, qualidade que até hoje é ressaltada nos textos de apresentação de suas obras: Bezerra de Menezes, Guillon Ribeiro, Leopoldo Machado, Carlos Imbassahy, Eurípedes Barsanulfo, Caírbar Schutel, Fred Fígner, Ismael Gomes Braga, Manuel Quintão, Sousa do Prado, Deolindo Amorim...
 
CA: Temos visto ultimamente na imprensa espírita, notadamente no Jornal Espírita da FEESP, acusações contra a FEB e contra você, sem verificar, contudo, uma reação maior de sua parte. Por quê?
- Sou um incorrigível defensor da liberdade de imprensa, dada a minha irresistível vocação democrática. Acho que os órgãos de divulgação espíritas têm todo o direito de me criticar e às minhas idéias. Lamento apenas que, não sendo profissionais, desconheçam completamente a filosofia da boa e moderna imprensa, preocupada em informar com segurança e honestidade. Nesse sentido são sempre ouvidas as partes interessadas nos assuntos divergentes ou nos quais há citações nominais. Isso não implica omissão da opinião do órgão de comunicação, que deve se posicionar segundo sua linha editorial. Assim, sou assiduamente atacado enquanto nem se preocupam em ouvir minha versão ou ponto de vista. Como jornalista profissional lamento a falta de honestidade; como espírita tenho pena; como cidadão retiro-lhes a minha credibilidade. Mas um dia descobrirão que muitas vezes a razão esteve comigo e perderam a oportunidade de divulgá-la; e também que não conseguiram nem um pouco provocar a minha ira.
 
CA: Pode explicar por que o ódio explícito ao roustanguismo no meio espírita?
- Todo ódio é fruto da involução. Há três tipos de anti-rustenistas, que partem da falsa premissa de que Os Quatro Evangelhos são contrários a O Livro dos Espíritos. O que nunca estudou a obra (nem a leu sequer) e odeia porque outros lhe disseram que é uma mistificação. Esse tipo é um pobre coitado que merece compaixão e deve ser aconselhado a ler mais Kardec. Há o que leu e não entendeu nada do que leu. Apesar do ódio que baba, vale a pena talvez dar-lhe mais chances. E existem os que leram e pensam que entenderam. Acho que para esses só numa outra encarnação. No entanto, há ainda os que não entenderam, ou que pensam que entenderam, mas não odeiam os rustenistas. São pessoas sensatas, respeitáveis, dignas do nosso apreço. Afinal, ninguém é obrigado a pensar igual.
 
CA: Luciano, como você vê o atual panorama espírita brasileiro?
- Quanto ao espiritismo, vejo-o com entusiasmo. Embora poucos, há livros muito bons que têm surgido, há estudos proveitosos, aprofundamento de pontos importantes feito por autores sérios; ao lado disso, vejo a ciência caminhando cada vez mais na direção de Deus e das verdades espíritas. Isso é alentador. Mas quanto ao movimento espírita, o panorama é de tragédia. Fortalecem a organização, otimizam a estrutura hierárquica, sedimentam a obediência aos que aparecem no ápice da pirâmide. E, então, tudo o que vamos pregueando no campo doutrinário vai se esgarçando porque vai sendo deturpado e se tornando de pouca importância. A massa está sendo manipulada e convencida, por exemplo, de que a freqüência ao centro espírita (como a dos católicos à igreja) solucionará todos os problemas e trará a salvação. Por isso estou para lançar o Fora do Centro Espírita não há Salvação.
 
CA: O movimento espírita prossegue no "atalho"?
- Em ritmo doidamente desembestado. Têm-me comunicado bizarrias ridículas e promoções fricoteiras. Está valendo tudo para atrair o incauto e sustentar os caprichos. Porém o mais grave, o mais sério, o mais deletério é essa estratégia mistificadora dos que estão no poder para dominar as consciências, principalmente através do chamado ensino sistematizado. Uma triste réplica da escolástica, que sufocou os cristãos durante séculos.
 
CA: Quem é, ou quem são os responsáveis?
- As instituições cupulares que, a rigor, já são proprietárias do movimento, a título de unificação. E, no seu papel, trabalham para ampliar e aprofundar a tragédia, censurando, advertindo, ameaçando e até punindo quem não quer ser enquadrado. Quem esboça qualquer estranheza é acusado de fazer movimento paralelo e, obviamente, isso não pode ser tolerado, pois é risco para quem detém o poder.
 
CA: Espiritismo é falar ou fazer?
- "Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo?" (Paulo, epístola a Tiago, cap. 2, v. 14.) "Procurai os verdadeiros cristãos e os reconhecereis pelas suas obras." (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XVIII, nº 16.) "As palavras morrem no espaço sem chegar ao Senhor, quando não têm por apoio os atos." (Os Quatro Evangelhos, vol. II, nº 108.)
 
DIVALDO PEREIRA FRANCO
 
CA: Você é amigo de Divaldo Pereira Franco. Pode nos falar dele, de sua vida e obra, sob o seu ponto de vista?
- Amigo pelo menos há quinhentos anos. No século XVII eu era um vinagreiro muito carente e foi ele quem mandou providenciar o meu enterro, com toda a melhor celebração. Reencontro-o nessa lida maravilhosa, que poucos conhecem bem. Ouvem falar por exemplo da Mansão do Caminho, que ele e o Nílson criaram. Mas sequer lhe imaginam o primor. Trata-se de instituição sensacional. Já dormi lá. Desperta-se ao som de melodias doces que chegam até os aposentos oferecendo o primeiro bom-dia às crianças. Contudo, não é isso o mais importante. Acima de tudo está o caráter extraordinariamente moral e pedagógico que norteia todos os trabalhos. A Mansão do Caminho é um exemplo de obra beneficente, um empreendimento modelar, uma realização que encanta, um testemunho de amor que credencia o Divaldo ao nosso respeito e à nossa admiração.

Acrescente-se que a vida do Divaldo é a prática da doutrina espírita. É para ela que ele vive. E vive sob permanente pressão, tanto de espíritos trevosos (inteligentíssimos), que querem destruí-lo e à sua obra, como de espíritas invejosos que não são capazes de apresentar um único trabalho implementado pelo mesmo ideal.
 
CA: Divaldo Pereira Franco é "superstar"?
- Nós, jornalistas, lidamos com dois modelos de superstar: o artista de grande popularidade, exímio ou canastrão, e o rotulado. No meio espírita só existe o segundo, que se exibe por aí, de preferência fazendo turismo em festivais congressistas borrifados de muita purpurina. Divaldo não se inclui no elenco. É um homem sério, um espírita sincero, um médium correto. Se às vezes dá presença em certas montagens extravagantes é porque foi apanhado de surpresa ou não teve a menor chance de escapar. Mas então ele dá o recado e cai fora.

Agora, se querem censurá-lo por ser o centro das maiores atenções quando aparece em algum lugar, então terão de censurar todas as figuras carismáticas da humanidade, a começar por Allan Kardec e terminando por Jesus.
 
CA: Como é Divaldo na intimidade?
- Em primeiro lugar é de uma saborosa simplicidade. É muito gostoso conversar com ele. Nos momentos dos assuntos graves podemos ouvir-lhe comentários inteligentes e ponderados; nas ocasiões mais descontraídas rimos bastante com algumas anedotas de espíritos que ele conta. Aliás, é bom lembrar que essas ocasiões, com muito riso e muita alegria, estão presentes também na biografia do austero Allan Kardec. Aos domingos, ele reunia os amigos íntimos na Villa Ségur para jantarem. Então, todos riam muito com as anedotas que o mestre contava. Leymarie depôs: "Muito fez rir a assistência." É assim mesmo que devemos ser. Sérios na hora da seriedade; alegres na hora da alegria. Por outro lado, o Divaldo não é nenhum tolo, mas sendo francamente generoso às vezes levam-no na conversa. Pode-se dizer o mesmo do Chico. Nunca foi tolo. Mas com jeitinho chegaram até a colocá-lo de vela acesa na mão dentro de uma banheira para uma foto pedida por repórteres de O Cruzeiro. Pior é que quem pediu foi meu colega e amigo, já desencarnado, David Nasser. (Um dia conto como aconteceu e o que ele pensava sobre o espiritismo no final da vida.)
 
CA: Divaldo é criticado severamente pelos livros que produz. Afinal de contas, Joanna de Ângelis é ou não é espiritismo?
- Atacam seus livros. Deve ser porque são livros imorais, destrutivos, pornográficos, contrários a Kardec, negadores de Jesus. Mas, vivendo como vivo há mais de cinqüenta anos no movimento espírita, posso informar que já disseram – e ainda dizem – o mesmo de livros do Chico Xavier, da Yvonne Pereira, da Zilda Gama, da Aura Celeste. Quando saiu a chamada série André Luiz, a Federação Espírita Brasileira registrou reações ferinas sobre a obsessão do Chico. Sobre o livro De Coração para Coração, da Maria Celeste (leia-se Elisabeth Barret Browning), chegou a ser dito que ocultava certa lascívia na disfarçada relação de mãe e filho (afinal, o médium Waldo Vieira é a reencarnação do poeta Robert Browning...). Sexo e Destino – e a essa época a grande maioria já havia aceitado a série – foi duramente criticado por sua tendência lúbrica, não faltando quem afirmasse que nem era do André Luiz. Desobsessão, também do André Luiz, quase não foi publicado (um dia conto por quê). Léon Tolstoi, pela Yvonne Pereira, foi considerado um escárnio. Gente indignada fez análise estilística do texto e assegurou que do autor de Guerra e Paz o livro da médium nada tinha. Ora, o pobre do Divaldo iria escapar dessas mesmas assacadilhas...?

Censura-se agora a Joanna de Ângelis porque resolveu ditar uma série sobre psicologia transpessoal visando ao autodescobrimento, à satisfação e ao controle emocional diante das circunstâncias cármicas. O humanismo está no cerne dessa série, que faz links freqüentes com a doutrina espírita, com os ensinamentos do Cristo. Qual, pois, o busílis? Enfoca mais os ajustes psicológicos da criatura enquanto encarnada e menos as situações dela desencarnada? Bolas! Porventura não é importante saber vencer dificuldades terrenas para assegurar aqui uma vida de relativa paz e equilíbrio, a fim de melhor laborar no campo do amor e da caridade? Ou será que no fundo os reproches são por conta da carapuça que acaba lhes enterrando até às orelhas? Ademais, é bom não esquecer que Joanna de Ângelis ditou vários outros livros completamente fora dessa temática. Não contam? E só para meditarmos: Sexo e Vida, de Emmanuel, é ou não é espiritismo?
 
CA: O Jornal Espírita declarou recentemente que Divaldo abandonou o roustanguismo, finalmente, reconhecendo-lhe a distorção. Perguntamos: antes disso o que era o Divaldo, já que roustanguismo não é espiritismo?
- Divaldo Pereira Franco sempre foi e continua a ser adepto de Roustaing, como registrei em meu livro Os Adeptos de Roustaing. Tenho com ele intimidade bastante para saber disso. Numa época em que a física quântica caminha veloz na direção de paradoxos incríveis, seria uma incrível cupinização neurônica do Divaldo repudiar Roustaing. (Ainda há pouco tempo o Hernani Guimarães Andrade, um verdadeiro cientista do espiritismo, me assegurava por telefone que diante dos últimos avanços da física não via nenhuma impossibilidade na constituição do corpo fluídico de Jesus.) Mas não me chocam essas publicações levianas. Um jornal de São José do Rio Preto também se saiu com o anúncio indireto dessa defecção, causando rebuliço. Em entrevista, o Divaldo concordava com as palavras elogiosas de Kardec à obra de Roustaing na Revue Spirite e, ao mesmo tempo, com as ressalvas feitas em A Gênese. Concluíram que o Divaldo era contra Roustaing. Logo expliquei que a ressalva de A Gênese tinha também o meu endosso, meu, que sou rustenista completo. Mas endosso nos termos da transcrição feita pelo Divaldo, que tratou de suprimir o último parágrafo, mantendo apenas a crítica de Kardec a uma eventual farsa do Cristo diante da dor. Com aquela supressão eu e todos os rustenistas apoiamos o que Kardec escreveu. Para nós, a dor de Jesus seria de fato uma farsa se ele não a tivesse sofrido. Até aí morreu Neves; ou melhor, Jesus. (Logo que saiu a matéria eu e o Divaldo nos falamos por telefone.)

Também viveram choramingando que o Chico não aceitava Roustaing, até ser publicado o Testemunhos de Chico Xavier, da Suely Caldas Schubert, com as cartas que ele enviou ao presidente da FEB. Foi uma ducha de zero graus célsius. Da Yvonne não disseram menor patetice, pois um dito-retro-cujo escreveu ter ouvido dela a confissão de que não era rustenista; porém, acrescentou que estava com um gravador a tiracolo mas... esqueceu de gravar a sensacional confissão!

Enfim, já cansaram igualmente de provar que Bezerra de Menezes havia renegado Roustaing antes de desencarnar (superna mentira), ou que ele chegou do lado de lá e mudou de idéia. Nessa hipótese posso também acreditar que todos os adversários de Roustaing chegaram do lado de lá e mudaram de idéia... Assim, esses argumentos contorcionistas não me surpreendem nem me abalam. Fazem parte do jogo dos malandros quando nada mais têm para acrescentar de verdadeiro em relação a justos e evoluídos posicionamentos doutrinários.
 
CHICO XAVIER, EMMANUEL E ANDRÉ LUIZ
 
CA: Chico Xavier não escapa, igualmente, da ira dos "puristas". Onde enquadrar, portanto, Emmanuel e André Luiz?
-  Nunca escapou. Emmanuel é estereotipado por muitos como melosamente religioso, ainda influenciado pelo clericalismo do passado; André Luiz é ficcionista e adepto de noções orientalistas, a despeito de haver buscado terminologia diferente para falar das mesmas coisas. Ora, Emmanuel tem por missão, acima de tudo, cristianizar. E nesse objetivo ele vai ser repetitivo, vai historiar com emoções acentuadas, vai usar a linguagem do pastoreio, mas tudo sem deixar de ser duríssimo quando analisa os escândalos e os vandalismos da igreja católica. André  Luiz, por seu turno, não poderia desprezar algumas sensatas explicações do orientalismo, cujo conhecimento, escanhoado de certas complicações visivelmente desarrazoadas, é milenar e deve ser aprendido. Mas e daí? Quem não gostar que vá em busca desse sarrabulho mediúnico que tem aparecido a granel, narrado por ETs, por seres da quinta dimensão, por espíritos-espelhos, por interlocutores da transcomunicação e numerosos outros. Cada um escolhe o que lhe serve ao paladar. Especificamente sobre Emmanuel, André Luiz e Joanna de Ângelis, temos de resignar-nos com as limitações de cérebros enferrujados que só aceitam idolatricamente Allan Kardec. Tudo bem. Mais tarde voltamos para resgatá-los.
 
CA: Um jornalista declarou recentemente no Jornal Espírita e também no Portal Millenium News (Internet) que André Luiz é um espírito pseudo-sábio. O que pensa disso?
- Li o artigo. O autor não é insipiente, bem se vê. Mas sua crítica é claudicante. Ele não se deu conta de que muitas palavras empregadas por André Luiz, na hora de costurar a tese (o que importa é a tese, não informações explicativas do conhecimento científico, que André Luiz foi buscar em livros especializados), valem por conotação habitualmente encontrada nas obras mediúnicas do Chico. O que às vezes parece errado ou contraditório de fato nunca o foi porque o vocábulo que aparece na contextualização tem valor semiótico pessoalizado ou doutra época. Veja como exemplo a questão 355 de O Livro dos Espíritos, tradução do grande vernaculista Guillon Ribeiro. Onde se lê vitais quer a pergunta significar viáveis. Mas viáveis com valor semiótico de passível de sobrevivência só com o tempo recebeu o aval dos filólogos e passou a ser dicionarizado. (Já sugeri ao presidente da FEB que fizesse a atualização ou apusesse uma nota de rodapé.)

Espírito pseudo-sábio se caracteriza principalmente pela presunção de que sabe mais do que realmente sabe, como ensina O Livro dos Espíritos. Ora, relativamente aos subsídios técnico-científicos inseridos em Evolução em Dois Mundos e Mecanismos da Mediunidade, André Luiz os recolheu de outros autores (vide a seguir a resposta 18). Resta a tese que, fosse ainda de um pseudo-sábio, é simplesmente extraordinária. Vamos lá. Façam outra igual para a gente ler.
 
CA: Carlos Chagas ou Oswaldo Cruz? Afinal de contas você deve saber algo a respeito...
- Nem Carlos Chagas, nem Oswaldo Cruz, nem Miguel Couto, nem Francisco de Castro e muito menos a hipótese aventada de que André Luiz nunca existiu, sendo uma falange de espíritos dado o seu amplo conhecimento. Sei, sim, quem ele foi e, quando trinta anos atrás eu ainda fazia minhas pesquisas e meus contatos, cheguei inclusive a ser procurado por membros da sua família durante palestra que eu proferia num centro de Botafogo. Depois, na década de 90, li o anúncio de uma missa pela morte de certo parente.A indicação mais divulgada de que seria Carlos Chagas nasceu de um episódio curioso. O Chico psicografava mensagem de André Luiz na presença da médium psicopictógrafa Dinorah Simas (médium por sinal respeitável). Enquanto acontecia a captação ela viu o Carlos Chagas junto ao Chico. Desenhou-lhe a figura. E a partir dali ninguém mais conseguiu desmanchar a versão. Ora, aparecer ao lado do médium no momento duma comunicação não quer significar autoria. E basta ler a vida do sanitarista para conferir que não há nenhum ponto de sustentação. O Chico, por sua vez, jamais virá a público confirmar ou desmentir. Se perguntado em conversa particular, abrirá largo sorriso e não descartará qualquer nome que lhe seja suscitado. Já o Waldo Vieira, que não é mais espírita, deverá ser refugado como boa fonte, pois atualmente renega sua produção mediúnica e não terá escrúpulo em dizer que André Luiz nunca existiu, nem como encarnado nem como desencarnado. O que sei sobre André Luiz está num envelope lacrado e destinado a meu filho, também espírita. Há ali fotos microfilmadas de um médico brasileiro, alguns documentos em xerox e páginas fotocopiadas de um livro. Trata-se de alguém sobre quem ninguém até hoje falou. (Numa cidade longe do Rio deparei, certa vez, com uma referência precisa, mas preferi não comentar nada.) Meu filho saberá agir a respeito, quando o tempo e a hora forem próprios à identificação pública. Assim o fiz por recomendação do próprio Chico, ou seja: enquanto algumas pessoas estivessem encarnadas nada deveria ser divulgado.

Sobre esse assunto, transcrevo resposta que o inesquecível tribuno Newton Boechat deu ao Anuário Allan Kardec – 79, lançado em dezembro de 1978:

"N.B. – Aqui respondo o que posso e até onde sei. Ignoro quem tenha sido historicamente André Luiz, todavia, sei que o jornalista Luciano dos Anjos, através de exaustivas pesquisas em instituições e acervos, cotejando dados extraídos dos próprios livros de André Luiz, convergentes, indutivos e dedutivos, aliando tudo isso a busca de notícias e avisos de velhos jornais empoeirados em arquivo de redação, chegou àquilo que pode e deve ser a prova crucial. Para completar, xerografou documentos e extraiu filmes, guardando tudo zelosamente, sem até agora dizer o que fará com o resultado do seu exaustivo labor. Sou mesmo propenso a acreditar que dificilmente o identificará publicamente, dadas certas implicações de natureza íntima a que se envolvera André Luiz na leviandade de outrora, numa despoliciada vida física, segundo ele mesmo esclareceu nos livros. A tal ponto chegou a pesquisa que Luciano dos Anjos apurou também a desencarnação de outras pessoas da família do ex-médico, agora escritor espiritual, servindo-se do Chico Xavier. Entrou, de resto, em contato telefônico com membros da família, daí talvez a razão por que não pôde ou não quis até agora falar a respeito. Muitos espíritas admitiram e admitem ser André Luiz um nome coletivo todavia isto parece sem fundamento, pois entidade perispirítica materializada pela mediunidade de Peixotinho e Fábio Machado, os dois mais conhecidos médiuns de materializações e efeitos físicos, em reuniões especializadas, dirigiu-se aos assistentes e identificou-se como sendo o autor de Nosso Lar, além do que existem nas obras de André Luiz elementos de identificação pessoal. De uma coisa estou certo: Ele não foi Oswaldo Cruz, Miguel Couto, Carlos Chagas ou Francisco de Castro, como também cientifiquei-me de que 211 médicos foram pesquisados entre 1920/30 no Rio e adjacências, segundo me informou Luciano dos Anjos."

Devo anotar, agora que meu amigo Newton Boechat partiu: ele era muito, muito, muito íntimo de Chico Xavier e, na verdade, também sabia quem era André Luiz... Por outro lado, anoto também que há em Nosso Lar uma importante informação que não confere. Suponho que André Luiz fez de propósito.
 
CA: Qual a explicação para o conhecimento enciclopédico do médico André Luiz?
- Vou resumir matéria que escrevi para a edição de outubro de 1977 do Jornal Espírita, p. 3, na qual expliquei que o que André Luiz conhece bem é medicina. Tendo sido médico, prosseguiu no espaço a aplicar seus conhecimentos e até os aprimorou. Mesmo assim, no próprio campo da medicina ele se valeu de trabalhos de colegas e mestres, o que é muito normal. Toda matéria tem especializações, pesquisas pessoais, etc. Saber tudo ex-cathedra sobre todos os assuntos é pretensão, truque ou supergenialidade. Acreditar que alguém conheça em profundidade a sua especialidade e várias outras altamente heterogêneas é perfilhar a fantasia. Não é o caso de André Luiz. Em princípio ele não poderia dominar o campo da medicina e mais o da física, da química, da eletrônica, da biologia, da genética, da sociologia, da psicologia, da pedagogia, enfim, de ramos tão variados quanto complexos da cultura universal. Seria um enciclopedismo fantástico. É óbvio que, mormente para escrever livros como Evolução em Dois Mundos e Mecanismos da Mediunidade, ele se socorreu de outros autores. E antes que algum padre ou pastor o digam de má-fé, eu mesmo direi: sei, inclusive, de que livros André Luiz retirou os elementos contidos nesses trabalhos. Digo mais: ele nem se preocupou em alterar os textos copiados; quase usou as mesmas palavras. Eu, por exemplo, teria modificado um pouco mais, dentre outras razões para evitar problemas de direitos autorais, já que ele sequer usou aspas. Mas isso prova apenas que André Luiz não estava preocupado em esconder o que fez. E para acentuar bem essa despreocupação, escreveu no intróito de Mecanismos da Mediunidade, p. 19 da 3ª edição:

"Prevenindo qualquer observação da crítica construtiva, lealmente declaramos haver recorrido a diversos trabalhos de divulgação científica do mundo contemporâneo para tornar a substância espírita deste livro mais seguramente compreendida pela generalidade dos leitores, como quem se utiliza da estrada de todos para atingir a meta em vista, sem maiores dificuldades para os companheiros de excursão."

"Assim, as notas dessa natureza, neste volume, tomadas naturalmente ao acervo de informações e deduções dos estudiosos da atualidade terrestre, cabem aqui por vestimenta necessária, mas transitória, da explicação espírita da mediunidade, que é, no presente livro, o corpo de idéias a ser apresentado."

E Emmanuel, na p. 15 do mesmo livro, advertia em forma de Prefácio:

"Compreendemos, assim, a validade permanente do esforço de André Luiz, que, servindo-se de estudos e conclusões de conceituados cientistas terrenos, tenta, também aqui, colaborar na elucidação dos problemas da mediunidade, cada vez mais inquietantes na vida conturbada do mundo moderno."

Isto posto, o que conta na obra de André Luiz não é o conjunto de informações, possível de ser encontrado em compêndios de outros autores. O que conta é a sua tese, a sua colocação notável no contexto do espiritismo. Finalmente devo dizer que acho Evolução em Dois Mundos e Mecanismos da Mediunidade as duas melhores obras da série André Luiz.
 
CA: Os Espíritos que se comunicam e ditam livros devem identificar-se completamente, para evitar aborrecimentos tanto para si quanto para os médiuns que os transmitem?
- Eis uma questão que há de ser da alçada exclusiva dos espíritos. Em qualquer circunstância pode haver desdobramentos imprevisíveis. Veja o caso de Humberto de Campos. Ditou alguns livros com seu próprio nome e deu no que deu. A família entrou na Justiça exigindo os direitos autorais (se fossem mesmo textos do Humberto) ou indenização moral (se não fossem). Ainda bem que a Justiça deu ganho de causa à Federação Espírita Brasileira, sem entrar no mérito filosófico da demanda. Mas o próprio espírito, para não magoar a família, passou a assinar-se Irmão X (em vida, Humberto de Campos usava o pseudônimo Conselheiro XX). Outra questão é que os espíritos em geral costumam manter seu canal mediúnico por variadas razões técnicas e pessoais. Todavia, se por qualquer motivo desejarem ou precisarem utilizar outro canal é muito provável que assinem nome diferente. Afinal, para que criar problemas de dúvidas quando o objetivo é construir? Às vezes pensa-se que algum médium ou algum espírito está plagiando e, no entanto, o autor espiritual foi o mesmo, apenas utilizando outro nome ou um titlônimo qualquer.
 
MEDIUNIDADE
 
CA: Há, no meio espírita, uma tendência a se dar mais credibilidade ao escritor encarnado que ao desencarnado. É o começo do fim do exercício mediúnico?
- A tendência é explicável, ainda que tanto um como outro possa ser honesto ou mistificador. Não faltam, é verdade, os que se mantêm armados contra escritores do Além porque podem estar mentindo, fantasiando, usando nome falso. Mas as mesmas dúvidas cabem em relação aos autores encarnados. Tudo portanto vai depender – como ensinou Kardec – do conteúdo do texto, submetido à nossa razão. Porém isso não implica absolutamente o fim do exercício mediúnico, que de repente nos oferece obras como o Parnaso d'Além-Túmulo, como o Párias em Redenção, como o Memórias de Um Suicida. Diante desses monumentos literários quem irá descartar o crescente valor da mediunidade?
 
CA: Pode o espiritismo sobreviver sem mediunidade?
- "Para que o fenômeno se produza, faz-se mister a intervenção de uma ou muitas pessoas dotadas de especial aptidão, que se designam pelo nome de médiuns." (O Livro dos Médiuns, Segunda Parte, cap. II, nº 61.)

Toda e qualquer manifestação necessita de um médium. Com a evolução da humanidade é provável que os contatos venham a acontecer de mente a mente, mas apenas devido à potencialização da própria mediunidade. Estaremos, então – concedo –, diante do chamado channelling (comunicações sem a conhecida incorporação, emanadas de espíritos de altíssima evolução) que, entretanto, não exclui a faculdade mediúnica; muito ao contrário, torna-a mais potente e mais intelectualizada. A concepção se aproxima bastante das noúres (correntes de pensamento), de Pietro Ubaldi, que aceito e estão explicadas em sua magnífica obra As Noúres – Técnica e Recepção das Correntes de Pensamento. Os channelles (médiuns) captariam inclusive entidades extraterrenas, incorpóreas. Vá lá que seja, mas – como ressalvo em meu livro O Atalho, cap. V, tópico 31 – nessa curva não quero entrar senão em marcha reduzida, com muita cautela. Receio derrapar diante dum venusiano ou dum jupiteriano perdido por aí. Prefiro enxergar melhor a estrada antes de acelerar... Estamos pois falando do futuro bem futuro. Por enquanto, e ainda por longo tempo, ET não passa com certeza de espírito galhofeiro ludibriando a boa-fé dos ingênuos.

Porém a pergunta fala em sobrevivência do espiritismo sem mediunidade. Respondo: o espiritismo sobreviverá sempre porque a mediunidade não precisa da autorização dos homens para ocorrer, tal como acontecia antes de 1857; mas ainda que o espiritismo por esse ou qualquer outro motivo pudesse morrer, a doutrina espírita sobreviverá ab aeternum porque independe do fenômeno.
 
CA: O que é mediunidade, em sua opinião?
- A definição é de Allan Kardec: "Medianimidade – Faculdade dos médiuns. Sinônimo de mediunidade." "Médium – Pessoa que pode servir de intermediária entre os espíritos e os homens." (O Livro dos Médiuns, cap. XXXII.).

No entanto, há aspectos que requerem estudos. Por exemplo: o médium clarividente ou de desdobramento que visita e observa o plano espiritual estará agindo como médium? Mas não existe nenhum espírito se comunicando por ele. Então, cumpre hoje em dia ampliar o conceito de mediunidade, definindo-a como a faculdade que permite estabelecer relações com o plano espiritual independente de haver ou não um espírito comunicante. Generalizando: é médium todo aquele que possui alto desenvolvimento psíquico e consegue fazer qualquer tipo de contato com o mundo espiritual, abstração é claro dos contatos que fazemos durante o sono e que são acessíveis a qualquer pessoa. Há a respeito trabalhos interessantes, como o do Hermínio C. Miranda A Diversidade dos Carismas, editado pela Publicações Lachâtre. A certa altura o autor aborda precisamente essa questão.

Apenas para juntar outros detalhes: mediunidade é carma, é missão, e é tecnicamente o desvio do eixo do perispírito em relação ao corpo físico.
 
CA: Discute-se muito, ultimamente, no meio espírita, o desaparecimento gradual dos trabalhos de desobsessão nos centros espíritas, por falta de médiuns e doutrinadores. É uma tendência natural ou simples acomodação?
- Os trabalhos de desobsessão nos centros espíritas são, em grande número, desastrosamente conduzidos. O plano espiritual é muito misericordioso, muito paciente, e, considerando as boas intenções dos grupos, vai suprindo da melhor maneira possível as barbaridades que fazem aqui por baixo durante as reuniões. Já vi de tudo, principalmente o despreparo absoluto de doutrinadores que não sabem o que é uma doutrinação. Brigam com os espíritos, ameaçam, se impacientam, não os deixam falar, ironizam, "amarram" (?!) os espíritos, aplicam choques em forma de passes, mandam voltar noutro dia, enfim, uma antidoutrinação que nada vale. Os espíritos vêm e vão sem nenhuma conquista. Ou então tapeiam o doutrinador dando graças a Deus e em dez minutos de conversa abandonam o ódio pelo amor. Um lindo engodo, uma linda mágica. Eles querem é cair fora e o ingênuo doutrinador acredita na milagrosa transformação. Haja paciência dos mentores para contornar esses desconchavos. Assim, não é a falta de médiuns que deve preocupar. Às vezes, um ou dois são mais eficientes do que um batalhão deles. Aliás, essa tem sido a mentalidade dos nossos dias: multiplicar o número de médiuns. Há aqui no Rio um centro, na ilha do Governador, que trabalha com 250 médiuns! E o centro se orgulha disso. Todo mundo quer ser médium. Ora, o centenário Grupo Ismael, da Federação Espírita Brasileira, do qual fiz parte, nunca teve mais do que um ou dois médiuns. No meu Grupo dos Oito, apenas dois médiuns funcionam. A quantidade, portanto, nada significa. Assim, talvez devido a essas distorções que acontecem por aí, os mais sensatos vão de fato desanimando, parecendo que se acomodam. Entretanto, isso é fase. Vai passar. Nesse campo há muito trabalho pela frente e os médiuns cordatos e estudiosos, mesmo em pequeno número, acabarão impondo a sua confiabilidade.
 
CA: No entanto, é grande a afluência aos centros de pessoas potencialmente médiuns e de criaturas francamente necessitadas de terapêutica desobsessiva. O que dizer disso?
- É verdade. Os médiuns em potencial (os que o são mesmo!) deveriam receber boa orientação, o que raramente acontece. A falta de conhecimento vem de cima e a orientação é péssima. Mas é bom notar que não existe tanta afluência como apregoam os centros. Na verdade está havendo uma banalização por conta das distorções dos dirigentes. Se alguém procura o centro porque está triste, está nervoso, está depressivo, logo lhe asseguram que é médium e que tem de praticar a mediunidade... Surgem então médiuns que nunca o foram, ou outros despreparados, cheios de cacoetes, de exibicionismos, de posturas extravagantes.

Bem, isso é mesmo muito mau e mostra um quadro geral extremamente negativo. Estará tudo perdido? Busquemos um paralelo. Não é assim que no momento vemos acontecer em nossos hospitais? Médicos despreparados, desinteressados, diretores incapazes, falta de leitos, falta de profissionais, de atenção, de tudo? Se o Alto suporta essas mazelas, que não podem ser superadas da noite para o dia, por que não suportaria as outras, no campo da desobsessão? Afinal, todos são pacientes, tanto encarnados como desencarnados. Há, pois, que estudar, estudar muito para modificar essa realidade cruel que assinala o momento terrestre. Não obstante, tudo no futuro terá valido como um grande aprendizado, explicável naturalmente como circunstâncias em que múltiplos e dolorosos carmas foram resgatados. Nada é perdido nos planos da espiritualidade.
 
CA: Existe dentro do movimento espírita, mesmo que de forma sub-reptícia, a esperança de que surja um novo médium, nos moldes de Chico ou Divaldo, para reacender o entusiasmo e a euforia de outrora. Perguntamos: o espiritismo não pode sobreviver sem grandes figuras, ou grandes médiuns?
- Pode e sobreviverá. Esses pretensos continuadores e legítimos macaqueadores que se exibem por aí fazem papel circense. Deveriam exercer sua faculdade com mais dignidade, deixando que suas obras lhes indiquem o quilate. Afora isso, não vejo no momento ninguém à altura de Chico Xavier, Divaldo Pereira Franco e Yvonne Pereira. Acredito mesmo que durante muito tempo não contaremos com médium algum dessa qualidade. Prosseguirão os que aí estão nos oferecendo bons trabalhos, mas jamais comparáveis aos daqueles três. Com a desencarnação deles estará encerrado um importante capítulo na história do espiritismo e o que nos caberá – assim espera o Alto – é que doravante estudemos o manancial maravilhoso que então nos terão deixado. Será a hora do estudo, da assimilação. As obras aí estão. Vamos ler e praticar as lições recebidas. Convém lembrar que depois dos grandes médiuns do apostolado de Jesus somente após dezoito séculos foram-nos ofertados novos trabalhos realmente de peso e dentro dum planejamento especial.
 
CA: Falando nisso: o movimento espírita tem-se mostrado ultimamente apático, decepcionante. O que deve ser feito, urgentemente, para que se lhe restaure o vigor?
- Apático está, realmente, dada a submissão total ao comando dos que lideram. Com os fiéis orientados para que cegamente baixem a cabeça e obedeçam, essa situação é boa para os dois lados. Os espíritas copiam a acomodação dos católicos, convencendo-se (e enganando-se) de que os dirigentes, os cupulares é que têm o dever de salvá-los. Com isso se livram de toda a responsabilidade. Tal como aconteceu sempre com os católicos. Para que se preocupar com a auto-reforma se os líderes é que sabem e resolvem tudo? Eles estarão cuidando da salvação do rebanho, fazendo reuniões, congressos, simpósios, seminários, massificando a aplicação do passe, agitando os centros espíritas com atrações artísticas, engessando o interesse cultural dos jovens, ofertando balinhas para as crianças, impondo o ensino sistematizado, decidindo o que deve ser lido, dogmatizando o que é e o que não é doutrina espírita, etc., etc., etc.

O adequado vigor do movimento espírita somente será restaurado quando lhe retirarem as indecentes maiúsculas e devolverem aos espíritas a liberdade de agir e de pensar. (Sugiro a leitura de meu opúsculo Maiúsculas em Movimento Minúsculo, edição do Grupo dos Oito.)
 
CA: Luciano, o espaço é seu, para o que deseje acrescentar aqui.
- Talvez valha a pena acrescentar algo sobre meu ânimo interior diante de todo esse quadro, que vislumbro desastroso. Será o fim da linha? Em meu livro O Atalho procuro analisar criticamente os fundamentos e desdobramentos do movimento espírita, inspirando-me no pensamento do notável filósofo inglês Arnold Toynbee. Disse ele, no que respeita à morte das civilizações, que "qualquer civilização perece se não dá resposta adequada ao desafio mortal em que sua época a coloca". Procurei ajustar essa sentença de ordem universal ao pequeno mundo do movimento espírita. Acho então que ou os espíritas dão resposta adequada ao desafio mortal em que sua época os coloca, ou o movimento perece. Assim, se houver uma resposta adequada a tudo isso que vem acontecendo, então nossa esperança vai reacender e a chance de recuperação é quase total. Mas se continuarmos nesse atalho sem nada fazer, sem reagir, sem querer ser livres, sem protestar contra os comandantes que, no poder, não querem um espiritismo nos termos em que Allan Kardec codificou – nesse caso mergulharemos noutro longo período de obscurantismo e o Codificador terá de se impor o sacrifício de nova encarnação para começar tudo de novo. De qualquer forma, minha esperança não está morta. Confio especialmente nos jovens, cuja rebeldia respeitosa tem força revolucionária. Ainda é possível fazer alguma coisa, a começar por uma reação verdadeira contra essa lavagem cerebral em andamento, contra o sistema de ensino que foi implantado sem consulta a ninguém, na base de apostilas, cursos, currículos, aulas, avaliações, exagerado didatismo, escolas, salas de aula, seriações, ano letivo, etc. Tudo o que só convém a quem ensina e a quem manda, mas não levará ninguém a ser livre e espírita de verdade, transformando-se moralmente e buscando o comprometimento com o bem e o amor autêntico, à  luz dos ensinamentos cristãos. (Lori Marli dos Santos)
 
Jornalista profissional, Luciano dos Anjos (lucianofilho@uol.com.br), trabalhou em "O Radical", "Gazeta de Notícias", "Diário de Notícias", "Visão", "O Cruzeiro", "O Mundo Ilustrado", "A Notícia" e outros órgãos, exercendo desde a função de repórter, de redator, editorialista, até a de secretário de redação e assessor de direção. Autor de obras de cunho literário, religioso, filosófico, foi sempre respeitado pelo profissionalismo e lisura com que há mais de 40 anos atua na imprensa, destacando-se sempre por suas posições firmes favor das liberdades democráticas. Essa intransigente postura lhe valeu, durante os regimes totalitários, três processos judiciais. Nas pesquisas de regressão da memória a que se submeteu com Hermínio C. Miranda, aflorou-lhe a personalidade do jornalista francês que, em 1789, conclamou o povo às armas para a tomada da Bastilha.

As provas desse fato estão narradas em sua obra "Eu sou Camille Desmoulins".
(Biografia gentileza da Editora LACHÂTRE http://www.lachatre.com.br)
 
Obs.: a foto de Luciano dos Anjos, ao alto, e que ilustra a matéria, possui um detalhe muito significativo: ao fundo está o rio Sena e, à margem, a famosa Conciergerie, onde Camille Desmoulins ficou preso até ser conduzido na carroça para a guilhotina.
 
 
Fonte: AndreLuiz

quarta-feira, 29 de abril de 2009

PÁSSAROS PERDIDOS

DESQUITE, DIVÓRCIO, SEPARAÇÃO, COMO QUEIRAM

   

Então, disse, Adão: "Eis aqui o osso de meus ossos, e a carne de minha carne. Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e se unirá à sua mulher; e serão dois numa só carne." – Gênesis, 2:24-25.

Assim já não são dois, mas uma só carne. Não separe logo o homem o que Deus ajuntou. – Mateus, 19:6.

Procurávamos o assunto que poríamos em pauta para o estudo do mês e, de "modo próprio", um Espírito se manifestou, e narrou-nos o seguinte:

"Vou contar-lhes uma história muito verdadeira, pois é a história de um amargurado trecho de minha vida, e que dura até hoje, e não sei em que época terá fim. Sabemos o ano, o mês, o dia, a hora, o minuto em que cometemos o erro, mas jamais saberemos quando terminaremos de corrigi-lo; e, até lá, o remorso nos crucia.

Reencarnei-me em família abastada na Capital de um dos Estados do Brasil. Minha infância decorreu tranqüila; e minha adolescência, no estudo e nas ilusões próprias dessa idade. Aos vinte e dois anos, casei-me por amor, no que era correspondida.

Depois de nosso terceiro filho, já tínhamos duas meninas, notei mudanças em meu marido: já não era o companheiro gentil de outros tempos; nossos passeios domingueiros rareavam; não mais nos levou ao clube, apesar dos pedidos insistentes das crianças; sempre havia um pretexto para ausentar-se do lar; mesmo em nosso leito conjugal, evitava-me.

Um dia, descobri a verdade, e meu coração doeu como se um punho de ferro o apertasse: meu esposo já não me era fiel; tornara-se um adúltero.

Começaram então as rusgas, os atritos, as discussões, até que a discórdia total se instalou em nosso lar.

Aconteceu que no auge de uma altercação, em que lhe atirei no rosto o que eu sabia, respondeu-me: "Pois faça o que quiser; eu estou por tudo".

Daí em diante um ódio surdo roía-me: queria que ele sofresse a mesma dor que me consumia; humilhá-lo como ele me humilhara.

E maquinei uma vingança.

Louca, louca que fui!

Em vez de manter-me pura, guardiã de meu lar, do lar de meus filhos, que eu não tinha, que nós não tínhamos o direito de destruir; de protegê-los, orientá-los, encaminhá-los, agir enfim como uma verdadeira mãe, e lutar para recuperar-lhes o pai desencaminhado, nada disso fiz; só dei azo ao meu egoísmo, ao egoísmo feroz.

Eu era bonita e bem conservada; ainda provocava olhares admirativos em nosso meio social. Tornei-me, por minha vez, uma adúltera. A princípio com um primo afastado, que me cortejara em solteira; logo depois com um amigo de meu marido, que sempre me lançara olhares gulosos. E eu pensava: "Ele não me disse que eu fizesse o que quisesse? Pois fiz, e ele há de descobrir!"

E ele descobriu. Com o rosto cor de cera, perguntou-me: 'Você fez isso?'

Ora, respondi-lhe altaneira. Você não me disse que estava por tudo e que eu fizesse o que quisesse? Pois aí está!

O processo de desquite correu célere. Separamo-nos. Meus filhos foram para a casa dos avós paternos. Não tinham mais o lar deles, que fora destruído por nós.

Meses depois meu ex-esposo suicidou-se. E meus filhos voltaram a viver comigo, desorientados, não mais me respeitaram; fizeram-se rebeldes, meus alunos, não me obedeciam. Seus pais... éramos para eles dois ídolos estilhaçados.

Mal passaram a puberdade e meu filho era um alcoólatra, uma filha freqüentadora assídua de boates, e a mais velha, amante do diretor da empresa onde trabalhava como secretária. Ao se aproximarem dos trinta anos, desencarnei.

Conheci imediatamente o meu estado, e ralada de vergonha permaneci ao lado do ataúde. Meu filho chegou alcoolizado, e abraçado por dois Espíritos horríveis, também alcoólatras; debruçou-se sobre o caixão, quase derrubando-o, no que foi impedido pelos circunstantes. E minhas filhas intimamente se lamentavam por não poder comparecer a compromissos noturnos.

Acompanhei o enterro de meu corpo. Parentes e conhecidos cumpriram aquele dever indiferentes. Não recebi uma prece sequer. Contudo, comentavam vivamente o meu desquite, suas causas e suas conseqüências, o que aumentava minha vergonha, e acendia meus remorsos.

Fiquei só no cemitério.

Sentei-me no túmulo e pus-me a chorar.

Aproximou-se de mim uma quadrilha de maníacos sexuais, tentando agarrar-me. Não sabendo como livrar-me deles, clamei por meu marido.

– Teu marido?! Pois hás de vê-lo! Exclamaram rindo e afastando-se.

E chorando, recordei os nossos belos sonhos de noivado; por onde andaria ele?

E percebi que me movia; era como se eu deslizasse, como se eu escorregasse por uma ladeira, sempre para baixo, posto que suavemente.

Penetrei num vale sombrio, nevoento, donde partiam gemidos, gritos estentóricos, imprecações, gargalhadas de loucura. E parei diante de um Espírito vestido de trapos apodrecidos, de barba e cabelos hirsutos, tendo no lado esquerdo do peito uma ferida sanguinolenta.

Era meu marido.

Não me reconheceu.

A mesma força que me fizera descer, segurava-me ali junto dele, embora eu trabalhasse por fugir. E no meu desespero, uma voz irônica falou em meu ouvido: 'Divórcio aqui não vale!'

Consumida de remorsos e de dor, sentei-me ao seu lado, apoiando-lhe a cabeça em meu regaço. Ele tinha visões ante as quais esbravejava.

Quanto tempo assim permanecemos: ele a bracejar e a urrar, e eu a chorar perdidamente? Não o sei.

Alguém murmurou ao meu lado: 'Recorra a prece.'

Uma ocasião, parecendo reconhecer-me, bradou enlouquecido: 'Que fizemos de nosso lar? Onde anda nossos filhos?' E recaiu em seus delírios.

Um grupo socorrista passou e recolheu-me.

Hoje habito uma esfera espiritual bem próxima à Crosta Terrena, à qual aportam os náufragos do casamento. É uma colônia educacional. Dentre seus vários departamentos sobressai o Departamento de Educação para o Casamento. É um edifício de rara beleza, construído de uma substância translúcida, que aos raios vigorosos do sol, ou à suavidade da lua e das estrelas, produz deslumbrantes efeitos de luz.

Resumirei, dando-lhes uma pálida idéia do que lá aprendemos.

Submeti-me a um treinamento para participar de um grupo que ampara os casais terrenos cujo casamento ameaça malograr-se, conquanto respeitemo-lhes o livre arbítrio, no qual não podemos interferir. O tempo que me sobra, quase todo ele consagrado ao trabalho e ao estudo, posso dedicá-lo aos meus filhos encarnados e ao meu marido, que permanecerá no Vale ainda alguns anos.

O mentor de nossa colônia, um Espírito boníssimo, mostrou-me a necessidade de voltarmos à Crosta de mãos dadas novamente para corrigirmos os erros de nossa última encarnação, bem como retificarmos os cometidos em encarnações anteriores, que praticamos juntos, e que nossa separação não permitiu, fazendo com que perdêssemos essa oportunidade, e, principalmente, para recebermos em nosso seio três aleijões morais, produtos de nosso divórcio. E então trilharemos o longo e penosíssimo caminho da reparação.

Nós, que poderíamos ter desencarnado como pais e avós abençoados, eis o que ganhamos, eis o prêmio de nossa separação!

Continuando, digo-lhes que:

Dentre as instituições respeitáveis que existem na terra, a mais sagrada é a do casamento; nenhuma outra lhe avantaja.

As ilusões passageiras do mundo nos fazem relegar o lar, que é um lugar santo, para um segundo ou terceiro plano, esquecidos de que os cônjuges entre si devem dar-se apoio total, os quais o darão aos filhos. E lembrarem-se de que um lar sem marido é como um navio sem capitão.

Quando o lar é bem administrado e abriga o amor, merece o auxílio do Alto, e assemelha-se a um altar onde Espíritos amigos de outras vidas se acolhem, porque o lar é puro.

O lar onde a discórdia reina vira refúgio de Espíritos pouco evoluídos, que dão vazão a seus instintos baixos, viciosos e perversos, diminuindo-lhe sensivelmente o padrão vibratório; e daí para o fim o passo é curto.

Quantas vezes um dos cônjuges se esforça para agradar o outro, o qual como que não nota, não procura aproximar-se, criando assim problemas de compreensão, que facilmente seriam evitados com um pouco mais de carinho, de atenção de parte a parte. Uma boa palavra para o ser amado, um sorriso, um pequenino gesto de amor valem mais, muito mais para a felicidade do lar do que uma jóia de alto preço.

É de fazer pena, do lado de cá, assistir às aflições dos maus maridos e das más esposas responsáveis pela destruição dos lares, impedindo que se desenvolvessem Espíritos programados para eles. Quando aqui abrem os olhos, é tarde, muito tarde...

Cuidem os cônjuges de que seu lar seja uma fortaleza contra os maus; cuidem de seus atos e de suas palavras para que haja o respeito e a compreensão mútuos, base essencial de um bom casamento.

Futilidades, rusgas, incompatibilidade de gênios, desavenças que podem ser evitadas, e sem custo perdoadas; orgulho, vaidade e outras causas que comumente se apresentam ao casal, e são citadas para justificarem a separação, são tidas no plano espiritual como motivos destruidores de oportunidades de os cônjuges se redimirem entre si, queimando um carma comum aos dois.

O desquite em si (ou divórcio, ou separação, como queiram) pelas leis terrenas nada mais é do que um distrato, uma tentativa de romper antes do tempo os elos espirituais, o laço divino do casamento. Tal qual o suicida que tenta rebentar o laço perispirítico que o liga ao corpo, e que só a morte natural romperia.

A exemplo dos suicidas, os Espíritos desquitados perdem todos os seus direitos na Espiritualidade. Barreiras intransponíveis se lhes formam pela frente, interceptando-lhes as ocasiões de progresso. E o motivo que os separou continua no além-túmulo, alimentando o ódio entre os cônjuges; porque o desquite não está no carma de ninguém.

E quando tomam consciência do ato praticado, e da oportunidade de redenção perdida, entregam-se a desesperos inconcebíveis. Porque se houve união dos dois foi para que juntos lapidassem seus Espíritos, manchados pelos erros do passado e cometidos de parceria; para que se respeitassem mutuamente, partilhando o mais possível dos mesmos ideais.

E na seqüência do casamento, os filhos tivessem carinho e proteção, amor e orientação, enfim, braços amigos que os acalentassem, o lar de seus pais, o verdadeiro lar deles, filhos, o sentimento de mãe, que é tudo para eles, realizando assim o planejamento reencarnatório.

No além-túmulo não há distratos, nem desquites, nem divórcios, nem separação. As leis terrenas não vigem no plano espiritual. Lá os laços do matrimônio se desatam naturalmente, liberando os cônjuges, uma vez que bem cumpriram com seus deveres até o fim.

E os desquitados um dia (quando, só o Altíssimo o sabe) terão de, noutra etapa reencarnatória, reconstruírem o lar que destruíram, trazendo para ele os filhos que se transviaram como conseqüência da separação dos pais, que são responsáveis pelo desencaminhamento deles, e co-réus nos erros que praticaram.

E agora uma última advertência: no sagrado instituto do casamento, os cônjuges que não se entreguem ao adultério, nem ele nem ela. O adúltero ou a adúltera, ao desencarnarem, caem nas mãos de Espíritos inferiores, obstinados no sexo, os quais os envolvem de tal maneira que os levam a terem uma vida vampiresca em espeluncas imundas terrenas. E só com o perpassar do tempo, e com extrema dificuldade, é que conseguem libertar-se de seus captores. O que me livrou deles foram as lágrimas de amargo arrependimento que derramei aos pés de meu marido.

Ó casais que estais trilhando a ilusória estrada da separação, parai! Voltai! Reconciliai-vos! Ela é enganosa! No fim dela há um despenhadeiro escuro."

Espírito: Clarinda, uma irmã de vocês
Autor: Eliseu Rigonatti
Livro: O Evangelho das Recordações – Memórias - pág. 157.

Fonte: Lar Chico Xavier

terça-feira, 28 de abril de 2009

A RELIGIÃO DE DEUS

Como Vejo o Mundo

Em sua obra literária Como Vejo o Mundo, Einstein procura enfatizar seu ponto de vista do mundo e suas concepções em temas fundamentais à formação do homem, tais como o sentido da vida, o lugar do dinheiro, o fundamento da moral e a liberdade individual. O Estado, a educação, o senso de responsabilidade social, a guerra e a paz, o respeito às minorias, o trabalho, a produção e a distribuição de riquezas, o desarmamento, a convivência pacífica entre as nações são alguns dos temas de que ele trata, dentre outros.

No tema religião, o autor clarifica seu ponto de vista de Deus e religiosidade. Ele cita que as raízes da religião e sua experiência são múltiplas e que todas as ações e todas as imaginações humanas têm em vista satisfazer as necessidades do homem e trazer lenitivo às suas dores, e negar tal religiosidade e recusar essa evidência é não compreender a vida do espírito e seu progresso, porque pela visão dele experimentar e desejar constituem os impulsos primários do ser, antes mesmo de se considerar a majestosa criação desejada.

E, na sociedade primitiva, pela ponto de vista dele, o temor suscita representações religiosas para atenuar a angústia da fome, o medo das feras, das doenças e da morte. Nesse momento da história da vida, a compreensão das relações causais mostra-se limitada e o espírito humano tem de inventar seres mais ou menos à sua imagem e a representação religiosa se torna a religião chamada por ele de Religião-Angústia. Para essas civilizações primitivas, os Deuses tinham imagens semelhantes às nossas, e se transferiria para essas imagens a vontade e o poder delas e as experiências dolorosas e trágicas de seu destino.

E, sob essa ideologia, montaram-se hierarquias, que em certos momentos aproveitaram para adquirir poder, e nessa transição de relações surje o que por ele se denomina Deus-Providência. E, nesse contexto da visão religiosa, ele preside o destino, socorre, recompensa e castiga. É esse o sentido da religião vivida de acordo com o conceito social ou moral de Deus, nesse momento. E nessa evolução Einstein cita a passagem clara de uma Religião-Angústia para uma Religião-Moral; ele cita nessa passagem que todas as simbioses existem ainda, ou seja, ainda há uma relação com a Religião-Angústia, mas a Religião-Moral predomina onde a vida social atinge um nível superior.

Esses dois tipos de religiões traduzem uma idéia de Deus pela imaginação do homem de acordo com ele, e somente indivíduos particularmente ricos de sabedoria e comunidades particularmente sublimes se esforçam para ultrapassar essas experiências religiosas. Todos, no entanto, podem atingir a religião que ele denomina o último grau, raramente acessível em sua pureza total que ele chama pelo nome de Religiosidade Cósmica, a religiosidade que movia o seu interior, uma religiosidade que procura observar nas leis da Natureza , do Cosmo, uma sublime harmonia que em sua plenitude consegue ultrapassar infinitamente a nossa capacidade de compreendê-la na sua forma pura. E essa religiosidade, esse espirito de entender o celeste, certamente moveu homens como Isaac Newton, Galileu Galilei, Johannes Kepler, entre outros cientistas que se guiaram pela ciência pura.

Ele cita exemplos dessa religião cósmica nos primeiros momentos da evolução em alguns salmos de Davi e em alguns profetas. Em grau infinitamente mais elevado, o Budismo organiza os dados do Cosmos , que os maravilhosos textos de Schopenhauer nos ensinaram a decifrar. Para ele os gênios religiosos de todos os tempos se distinguiram por essa religiosidade ante o Cosmo. Portanto, para Einstein, ela não tem dogmas, nem Deus concebido à imagem do homem, logo nenhuma igreja ensina a religião cósmica. Eis um breve discurso escrito por ele:

"O espírito científico , fortemente armado com seu método, não existe sem a religiosidade cósmica. Ela se distingue da crença das multidões ingênuas que consideram Deus um Ser de quem esperam benignidade e do qual temem o castigo _ uma espécie de sentimento exaltado da mesma natureza que os laços do filho com o pai _, um ser com quem também estabelecem relações pessoais, por respeitosas que sejam. Mas o sábio, bem convencido, da lei de causalidade de qualquer acontecimento, decifra o futuro e o passado submetidos às mesmas regras de necessidade e determinismo. A moral não lhe suscita problemas com os deuses, mas simplesmente com os homens. Sua religiosidade consiste em espantar-se, em extasiar-se diante da harmonia das leis da natureza , revelando uma inteligência tão superior que todos os pensamentos humanos e todo seu engenho não podem desvendar, diante dela, a não ser seu nada irrisório. Este sentimento desenvolve a regra dominante de sua vida, de sua coragem, na medida em que supera a servidão dos desejos egoístas. Indubitavelmente, este sentimento se compara àquele que animou os espíritos criadores religiosos em todos os tempos."

Para que as riquezas?

"Todas as riquezas do mundo , ainda mesmo nas mãos de um homem inteiramente devotado à idéia do progresso, jamais trarão o menor desenvolvimento moral para a Humanidade. Somente seres humanos excepcionais e irrepreensíveis suscitam idéias generosas e ações elevadas. Mas o dinheiro polui tudo e degrada sem piedade a pessoa humana. Não se pode comparar a generosidade de um Moisés, de um Jesus ou de um Gandhi com a generosidade de uma Fundação Carnegie qualquer."

Albert Einstein

Referências Bibliográficas:
Einstein, Albert, 1879-1955, Como vejo o mundo, tradução de H.P.de Andrade-Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1981

Fonte: Wikipedia

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Fwd: Aniversário CE Ismael Gomes Braga

Queridos amigos,
 
Recebemos o convite abaixo e aproveitamos para divulgar a todos; vamos aproveitar mais esta oportunidade de aprendizado.
 
Muita Paz
 
 

NÚCLEO ESPÍRITA ISMAEL GOMES BRAGA

DDD – Departamento de Divulgação Doutrinária

 

ESCALA DE MAIO DE 2009

 

REUNIÕES EM COMEMORAÇÃO AOS 37 anos DE FUNDAÇÃO

 

Tema Central: O ESPIRITISMO E OS PROBLEMAS SOCIAIS

 

 

03/05 -  15h50min - O ESPIRITISMO E OS PROBLEMAS DA SOCIEDADE - RONALDO MENEZES

07/05 - 19h20min - PENA DE MORTE: UM CRIME NÃO DEVE PUNIR OUTRO - ALEXANDRE MENDONÇA

10/05 - 15h50min - ABORTO: A PENA DE MORTE SILENCIOSA - PATRICIA FREITAS

14/05 - 19h20min - EUTANÁSIA: HOMICIDIO DISFARÇADO DE BENEFICIO - OLIVETE CORREIS

 17/05 - 15h50min - SUICIDIO: UM ERRO NÃO JUSTIFICA OUTRO - FERNANDA LÚCIA

21/05 - 19h20min - DROGAS: A FUGA ILUSORIA - INAJARA MENDONÇA

24/05 - 15h50min - EVANGELIZAÇÃO: ORIENTAÇÃO SEGURA PARA CRIANÇAS E JOVENS - GUTEMBERG MATTOSO

28/05 - 19h20min - FAMILIA: CÉLULA DA VIDA SOCIAL - LIDICE RATIS

31/05 - 15h50min - JESUS: O VALORIZADOR DA VIDA E SOLUÇÃO SOCIAL - RONALDO MENEZES

 

 --
----------------------------------------------------
Não esqueça de visitar nem divulgar:

http://bomespirito.blogspot.com

musicas, palestras, imagens, livros e
muito mais sobre Espiritismo.

domingo, 5 de abril de 2009

Ambição e Ética

Ambição e Ética


 
O consultor de empresas e conferencista Stephen Kanitz escreveu um artigo intitulado "Ambição e Ética", que foi publicado na revista Veja, do qual extraímos algumas reflexões. Kanitz define a ambição como sendo tudo o que você pretende fazer na vida. São seus objetivos, seus sonhos, suas resoluções.

As pessoas costumam ter como ambição ganhar muito dinheiro, casar com uma moça ou um moço bonito ou viajar pelo mundo afora. A mais pobre das ambições é querer ganhar muito dinheiro, porque dinheiro por si só não é objetivo: é um meio para alcançar sua verdadeira ambição, como, por exemplo, viajar pelo mundo.

Já a ética são os limites que você se impõe na busca de sua ambição. É tudo que você não quer fazer na luta para conseguir realizar seus objetivos. Como não roubar, não mentir ou pisar nos outros para atingir sua ambição, ou seja, é o conjunto de princípios morais que se devem observar no exercício de uma profissão.

A maioria dos pais se preocupa bastante quando os filhos não mostram ambição, mas nem todos se preocupam quando os filhos quebram a ética. Se o filho colou na prova, não importa, desde que tenha passado de ano, o objetivo maior.

Algumas escolas estão ensinando a nossos filhos que ética é ajudar os outros. Isso, porém, não é ética, é ambição. Ajudar os outros deveria ser um objetivo de vida, a ambição de todos, ou pelo menos da maioria.

Aprendemos a não falar em sala de aula, a não perturbar a classe, mas pouco sobre ética. O problema do mundo é que normalmente decidimos nossa ambição antes de nossa ética, quando o certo seria o contrário. E por quê?

Por que dependendo da ambição, torna-se difícil impor uma ética que frustrará nossos objetivos. Quando percebemos que não conseguiremos alcançar nossos objetivos, a tendência é reduzir o rigor ético, e não reduzir a ambição.

O mundo conheceu a história de uma estagiária na casa branca, que colocou a ambição na frente da ética e tirou o partido democrata do poder, numa eleição praticamente ganha, devido ao enorme sucesso da economia na sua gestão.

Não há nada de errado em ser ambicioso, desde que se defina cedo o comportamento ético. Quando a ambição passa por cima da ética como um rolo compressor, o resultado é o que podemos acompanhar nos noticiários que ocupam as manchetes em nosso país.

Assim, para mudar definitivamente essa situação, é preciso estabelecer um limite para nossa ambição não nos permitindo, em hipótese alguma, violar a ética para satisfação pessoal, em detrimento do coletivo.

Conforme ensinou Jesus, "seja o seu falar: sim, sim, não, não". Seja em que situação for. E se estiver difícil definir se estamos agindo com ética ou não, basta imaginar como julgaríamos esse ato, se praticado por outra pessoa. Se o condenamos é porque não é ético. Se o aprovamos e julgamos justo, então podemos seguir em frente.

Defina sua ética o quanto antes possível. A ambição não pode antecedê-la, é ela que tem de preceder à sua ambição.
 
Fonte: Repasse

terça-feira, 31 de março de 2009

Fwd: A coragem de dizer "NÃO" aos filhos - comentários pessoais


 


Meus queridos amigos do Grupo, Excelente dia a todos!!!

Recebí uma mensagem hoje que me tocou muito, não pelas suas palavras ou pela sua sensibilidade, mas pelo seu conteúdo; porque coincide com alguns de meus pensamentos e definições de vida, para mim e minha família. (vou disponibilizá-la ao final do comentário)

Muitos de nós, PAIS, não percebemos a importância que somos atribuídos quando recebemos a dádiva de criar um filho, neto, enteado, etc...

Essa importância vai muito além da responsabilidade de criar uma pessoa dentro de padrões sócio culturais admissíveis, preparada para viver e conviver em sociedade, com capacidades de expressão e desenvolvimentos suficientes para que possa suprir o seu sustento.


Nós estamos preparando cidadãos para o mundo. Estamos gerando e instruindo hoje o futuro de nosso planeta. Será que já pensamos nisso?

Fico muito entristecido ao constatar o número imenso de pessoas que relegam a educação dos seus filhos a pessoas que trabalham em suas residências, a tutores externos, e, muitas vezes, não se importam em conhecer as qualidades morais destas pessoas.

Nós, os pais, temos um grande defeito. Confundimos Educação com Instrução; e uma coisa é totalmente diferente da outra. Colocamos o nosso filho na melhor escola que podemos, ou deixamos isso para o governo, e esperamos que a escola vá educar a criança.

O papel da escola NÃO é educar. A escola deve instruir, preparar a criança/jovem intelectualmente para que entre na vida adulta preparado para compreender o mundo e escolher o seu papel nele. A escola não educa os nossos filhos.

Educação se aprende em casa. Não é na escola que eles devem aprender a respeitar os pais, os mais velhos, a conviver em fraternidade, a serem bons, cordiais, a não agir com violência e outras qualidades que desejamos em nossos filhos. Este tipo de educação é doméstica; e deve ser dada desde os primeiros anos da criança, pois não existe aquilo que pensam muitos quando dizem "ela é muito pequena, não vai entender estas coisas"; ao contrário, a Doutrina Espírita nos orienta que "nossos filhos são Espíritos" e que como tal sentem e entendem todas as nossas colocações desde o útero. Precisamos, pois, utilizar este conhecimento em benefício destes pequenos "gigantes" espirituais.

Porém, infelizmente, hoje estamos nos esquecendo disso e jogando nas mãos de outras pessoas o que nós devemos fazer. Na questão 208 e seguintes de "O Livro dos Espíritos" Kardec nos orienta a respeito disso.

A nossa sociedade parece ter mudado, e a meu ver para pior. Hoje os pais não desejam mais educar os seus filhos através de orientações seguras e corretas, pois, devido a escolha que fizeram antes de ganhar mais e ter mais, passam cada vez menos tempo com seus filhos e familiares. Resultado: temos uma massa de pais frustrados porque não acompanham o crescimento e desenvolvimento de seus rebentos e que por isso tentam compensar a sua ausência com presentes e permissões cada vez maiores; e por outro lado criamos uma nova raça de crianças sem respeito e sem educação que não obedecem aos seus pais, avós, tios e familiares e que não conhecem o valor de serem gentis, simpáticas e amigáveis.

Estas pessoas, somente tarde demais na maioria dos casos, vai perceber que o que as crianças realmente desejavam era que elas estivessem com elas para brincar, conversar, passear e viver; mesmo que fosse sem o carrinho importado, a roupa de marca, o tenis da moda, etc.

Ao meu ver (e de mais um bocado de gente, graças a Deus) este tipo de comportamento traz dois grandes erros primordiais:


1) a omissão por parte dos pais que, não entendendo a real necessidade da criança, dá de tudo ao filho, sem lhe dar o que ela realmente necessita: Educação. Estes Pais(avós, tios, etc) TÊM que entender que é saudável dizer NÃO aos filhos no momento oportuno; É CORRETO negar à criança algo que sabemos que não será bom para ela; É NECESSÁRIO impor limites que demonstrem que tudo tem sua hora e seu local; sem que para isso seja necessário utilizar de violência. É preciso que a criança tenha pelos pais o sentimento de confiança e respeito que somente poderá ser alcançado sem a sombra do medo, da mentira e da falta de atenção.

2) as crianças que são criadas podendo tudo(porque ninguém impõe limites ao reizinho), tendo tudo(porque cada desejo dele é uma ordem), ditando ordens(porque ninguém ousa questionar suas ações ou corrigir os seus erros) virão fatalmente a se tornar jovens e adultos sem limites, que, na maioria das vezes, não compreenderão porque a "vida" não atende cada um dos seus gostos, como a sua família fazia, e então entrarão em conflitos internos(consigo mesmo) e externos(com a sociedade), que poderão dar início a um processo auto-destrutivo em que o jovem/adulto buscará nas ações violentas, viciosas e até furtivas o objeto de seu desejo, acarretando em erros imensos que trarão repercussões familiares/sociais indesejadas e, muitas vezes, irrecuperáveis nesta encarnação.


Estes pais, no futuro, certamente olharão para trás e dirão "Onde eu errei? Dei de tudo para este menino é olha só o que aconteceu!" - Não percebendo que exatamente este foi o ponto onde o erro estava.

No Evangelho de Jesus temos uma passagem muito bonita que é a da "mulher adúltera", quando ela é acusada pela sociedade e Jesus pede que atire a primeira pedra o que estiver livre de erros, como não havia nenhum, todos vão embora e ele pergunta: "mulher onde estão teus acusadores? Ninguém te condenou? Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais". Lembram?

Muitas pessoas dizem, ao analisar esta passagem, que o mestre foi permissivo com esta mulher, porque perdoou os pecados dela; o que é uma clara falta de entendimento do evangelho, pois a expressão é bem clara: "não te condeno" - e não "eu te perdôo".

Perdoar neste sentido seria passar a mão por cima dos erros daquela mulher e deixar para lá as consequências.

Mas as consequências virão, inevitavelmente - fato que Jesus sabia - ele porém ADVERTE: Não peques mais; corresponde dizer que reconhece seus erros (porque senão ele não utilizaria "mais", se utilizou é porque diz implicitamente que ela pecou antes).

Jesus não foi permissivo, ele foi compreensivo. É assim que o amor dos pais pelos filhos deve ser sempre compreensivo, jamais permissivo.

Amor permissivo é aquele que permite tudo porque não controla, que não corrige porque não se importa, que não orienta porque não busca o melhor.

Amor compreensivo está sempre pronto a perdoar os erros, mas exige a correção do mesmo; orienta àquele que erra na direção certa e aponta os defeitos com compreensão que todos os temos também, porque na verdade deseja o melhor para quem ama e sabe que o melhor é seguir o caminho correto.

O amor compreensivo tem a coragem de dizer NÃO porque sabe que este "não" educa e prepara para a vida.

Assim deve ser o nosso amor para com os nossos filhos, pois, somente assim, poderemos hoje criar os cidadãos do amanhã e termos confiança que o amanhã estará em boas mãos.

Muita paz a todos.


(Obrigado a Deus pela orientação que recebí de meus queridos Paizinho e Mãezinha, pois influenciaram grandemente com sua honestidade, retidão e coragem para o crescimento do meu caráter; e Obrigado também pela esposa espetacular que orienta junto comigo o filho maravilhoso que nos foi dado de presente, dentro de nossas pequenas qualidades mas imensa dedicação)

------

Nestes links abaixo está a mensagem que recebí juntamente com outro texto que acho muito interessante. Vale a pena copiar e ler.

http://www.archive.org/download/PaisMaus/PaisMaus.doc
http://www.archive.org/download/PaisMaus/ADifcilArteDeDizerNoAosFilhos.doc


--
----------------------------------------------------
Não esqueça de visitar nem divulgar:

http://bomespirito.blogspot.com

musicas, palestras, imagens, livros e
muito mais sobre Espiritismo.




--
----------------------------------------------------
Não esqueça de visitar nem divulgar:

http://bomespirito.blogspot.com

musicas, palestras, imagens, livros e
muito mais sobre Espiritismo.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Comunicação de Palestras

Queridos amigos,
 
Tendo em vista a oportunidade que a visita de palestrantes de outras cidades representa para o Movimento Espírita em Palmares, tomo a liberdade de adiantar as datas das palestras com visitantes que estão marcadas no cronograma do Grupo Espírita Obreiros da Caridade.
 
05 Abril - Djan de Caruaru
19 Abril - Nélio de Caruaru
03 Maio - Heraldo de Bezerros
07 Junho - Manoel Muniz de Maceió
13 Setembro - Heraldo de Bezerros
20 Setembro - Rubinho de Caruaru
 
Fica o convite para todos e assim que tivermos mais palestras agendadas disponibilizaremos aqui.
 
Muita Paz para todos
 
João Batista Sobrinho

--
----------------------------------------------------
Não esqueça de visitar nem divulgar:

http://bomespirito.blogspot.com

musicas, palestras, imagens, livros e
muito mais sobre Espiritismo.

terça-feira, 10 de março de 2009

OLHO CLÍNICO

"Oi, Ramon. Interessante a poesia... (...) sugeriria que você refletisse sobre o trecho "Que a criança abortasse Antes que a vida brotasse Um fruto do desamor". (...). Cuidado. Cautela. Somos responsáveis pelo que geramos a nossa volta com o que dizemos. Não pretendo travar discussões maiores em torno do tema. (...). Só pra pensarmos com nossos botões... ;-) Grande abraço, Guilherme."



Fala, GUI! Tudo bem, rapaz!

Amigo, isso é o que eu chamo de olho treinado, hein! Achou a formiguinha na orelha do elefante :-D Juro que não tinha percebido esse detalhe. Repassei o repente porque, de modo geral (desamores à parte), achei que refletia bem a perplexidade que nos assaltou diante da atitude impensável tomada pela Igreja Católica.

Como você sabe, na vida, não basta estar com a razão, é preciso saber expressá-la. Atitudes radicais podem aniquilar os argumentos mais convincentes, não é mesmo! A mais bela definição de sabedoria que li até hoje, diz: "Sabedoria é conhecer as regras e reconhecer as exceções".

Neste caso, acho que a Igreja preferiu derrubar a parede a tentar abrir a porta. Fez muito barulho sem que houvesse nenhum efeito prático a ser atingido. No contexto em que sucederam os fatos, nenhuma instituição, por mais força política que tivesse, poderia evitar este triste desfecho. Além do estupro e da garantia constitucional dada à vítima (concordemos ou não), havia ainda o fato de ser uma criança (sequer adolescente, mas criança), sem a menor condição orgânica de dar continuidade à gestação sem riscos injustificáveis a sua própria vida e a dos bebês. Nestas condições, ninguém poderia sequer imaginar uma atitude desesperada como a que foi tomada pela Igreja. Não pelo efeito prático, pois a excomunhão em si não altera em nada a realidade dos envolvidos no caso, mas pelo desgaste gerado a todos: à vitima, à própria Igreja e especialmente ao movimento contra o aborto, no qual estamos incluídos.

A igreja sempre foi até aqui a grande aliada na luta contra a legalização do aborto, pois nós espíritas, convenhamos, pesamos muito pouco em termos de representatividade política, já que contamos com apenas UM deputado (Luis Bassuma); enquanto a Igreja Universal, defensora declarada do aborto, não cessa de ampliar sua base parlamentar (por meios que não invejo). O que nos resta então ao ver nossa grande aliada adotar uma atitude de desespero como esta, senão lamentar?

O gesto extremo da igreja culminou, inclusive, por desviar a atenção do foco do problema, que na verdade é a violência doméstica a que estão expostas tantas vítimas anônimas e indefesas, colocando os holofotes sobre o debate em torno do aborto, como você disse já tão acirrado no país.

Confesso que hesitei um pouco antes de repassar o texto. Não pelo pequeno detalhe do verso, que de fato nem percebi. Mas por pensar em como as grandes almas, como a de Chico Xavier, reagiriam a um episódio como este. No caso de Chico, bem sabemos que ele evitaria qualquer comentário amargo ou desabonador, tentando dissolver as críticas para poupar da condenação pública o causador do escândalo (no caso, a Igreja). Mas, repito, como o texto não era infame e refletia bem nossa perplexidade diante do gesto insólito da Igreja, terminei achando que valeria o repasse.

Na verdade, é muito difícil se furtar ao debate de um tema palpitante como este. Mas o debate é também o meio mais eficiente de amadurecer as idéias e fortalecer as convicções, não é mesmo!
 
Valeu pela dica, amigão!
 
Aquele abraço!
 
Ramon de Andrade
raesa@ig.com.br
Palmares-PE



A excomunhão da vítima
Por Miguezim da Princesa

I
Peço à musa do improviso
Que me dê inspiração,
Ciência e sabedoria,
Inteligência e razão,
Peço que Deus que me proteja
Para falar de uma igreja
Que comete aberração.

II
Pelas fogueiras que arderam
No tempo da Inquisição,
Pelas mulheres queimadas
Sem apelo ou compaixão,
Pensava que o Vaticano
Tinha mudado de plano,
Abolido a excomunhão.

III
Mas o bispo Dom José,
Um homem conservador,
Tratou com impiedade
A vítima de um estuprador,
Massacrada e abusada,
Sofrida e violentada,
Sem futuro e sem amor.

IV
Depois que houve o estupro,
A menina engravidou.
Ela só tem nove anos,
A Justiça autorizou
Que a criança abortasse
Antes que a vida brotasse
Um fruto do desamor
.

V
O aborto, já previsto
Na nossa legislação,
Teve o apoio declarado
Do ministro Temporão,
Que é médico bom e zeloso,
E mostrou ser corajoso
Ao enfrentar a questão.

VI
Além de excomungar
O ministro Temporão,
Dom José excomungou
Da menina, sem razão,
A mãe, a vó e a tia
E se brincar puniria
Até a quarta geração.

VII
É esquisito que a igreja,
Que tanto prega o perdão,
Resolva excomungar médicos
Que cumpriram sua missão
E num beco sem saída
Livraram uma pobre vida
Do fel da desilusão.

VIII
Mas o mundo está virado
E cheio de desatinos:
Missa virou presepada,
Tem dança até do pepino,
Padre que usa bermuda,
Deixando mulher buchuda
E bolindo com os meninos.

IX
Milhões morrendo de Aids:
É grande a devastação,
Mas a igreja acha bom
Furunfar sem proteção
E o padre prega na missa
Que camisinha na lingüiça
É uma coisa do Cão.

X
E esta quem me contou
Foi Lima do Camarão:
Dom José excomungou
A equipe de plantão,
A família da menina
E o ministro Temporão,
Mas para o estuprador,
Que por certo perdoou,
O arcebispo reservou
A vaga de sacristão.

(*) Poeta popular, Miguezim de Princesa,
é paraibano radicado em Brasília.

sábado, 7 de março de 2009

ESTUDE E VIVA

"Lembra-te deles, os quase loucos de sofrimento, e trabalha para que a Doutrina Espírita lhes estenda socorro oportuno. Para isso, estudemos Allan Kardec, ao clarão da mensagem de Jesus Cristo, e, seja no exemplo ou na atitude, na ação ou na palavra, recordemos que o Espiritismo nos solicita uma espécie permanente de caridade – a caridade da sua própria divulgação.
 
SOCORRO OPORTUNO
Do Livro Estude e Viva
Emmanuel
Por Francisco Cândido Xavier

domingo, 1 de março de 2009

BÍBLIA DO CAMINHO

BÍBLIA DO CAMINHO
Escritura do Espiritismo Cristão
 
Excelente fonte de pesquisa espírita, A Bíblia do Caminho é uma compilação das obras completas de Allan Kardec e Francisco Cândido Xavier, além de uma versão do Antigo e Novo Testamentos no formato digital.

Este livro eletrônico é uma verdadeira biblioteca espírita digital on-line, constituído de uma coleção de livros virtuais inter-relacionados e um Índice Temático Principal — poderosa ferramenta de busca por assuntos, nos mais de mil temas disponíveis para pesquisa.

Excelente para pesquisas, preparação de palestras, busca de mensagens sobre temas específicos.

Nesta 6ª edição foi incluído o material do ESDE. Agora dá pra fazer o estudo clicando direto nas referências.
 
Copie pelos links abaixo (72 MB):
 
> Link principal (arquivo executável)
> Link alternativo (arquivo zipado)

Auxilie a divulgação desse livro eletrônico, fornecendo uma cópia do instalador aos amigos que não dispõem da Internet ou que possuam apenas conexão discada.  Para utilizar esse e-book não há necessidade de possuir qualquer tipo de conexão com a Internet, exceto para os links externos que remetem principalmente para a Wikipédia; ele funciona bem até em computadores mais antigos.

Leia mais detalhes sobre o projeto em http://bibliadocaminho.com.br.

Ramonde Andrade
raesa@ig.com.br
Palmares-PE